Falha em homologar 22 novos leitos de UTI deixou cidade na fase vermelha

Ontem, cidade registrava 218 mortes e 8.686 infectados (Foto: Amanda Vieira/JP)

A não homologação dos 22 leitos criados pela Prefeitura de Piracicaba para dar sustentação respiratória aos pacientes com covid-19 foi um dos fatores que pesaram para que o Governo do Estado mantivesse a cidade na fase vermelha. Para que a cidade avance para a fase 2 (laranja) a procuradoria geral do município entrou com mandado de segurança no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) na última terça-feira. A prefeitura informou ontem que ‘aguarda a manifestação do presidente do TJ’.

“Demonstramos que nossos índices, em 31 de julho, colocavam Piracicaba na fase laranja, como ficou São José do Rio Preto, com índices piores que o nosso. Se o Estado tivesse homologado nossos 22 leitos estaríamos em uma situação ainda melhor”, justificou o procurador-geral, Milton Sérgio Bissoli.

A mesma justificativa foi apresentada pelo secretário de Saúde, Pedro Mello, durante conversa com o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, na semana passada e nesta semana durante sabatina com um grupo de vereadores.

De acordo com Mello, de 30 de março a 31 de julho, Piracicaba evoluiu no oferecimento de leitos de terapia intensiva (exclusivos para atender casos do novo coronavírus), de 57 para 133, entre públicos e privados.

Além disso, segundo o titular da Saúde, há 187 leitos de enfermaria. “No entanto, enquanto temos 133, o Censo Covid-19, do Governo Federal, diz que são apenas 107 leitos de terapia intensiva. Essa é a briga que temos: o governo nos cedeu 20 equipamentos e respiradores. Temos as unidades do Piracicamirim e da Vila Rezende prontas para dar sustentação respiratória. Nós montamos a UPA, mas ainda não está sendo reconhecida como leito de sustentação, mesmo com todos os equipamentos”, explicou o médico.

Hoje, o Governo do Estado realiza a coletiva de imprensa semanal, quando apresenta as avaliações sobre as regiões dos DRS (Departamentos Regionais de saúde).

A expectativa da prefeitura é de que a cidade retome à fase laranja, quando é possível o funcionamento do comércio e serviços, com restrições de horário e de público. Além de recorrer à Justiça, a administração municipal anunciou que questionou o governo estadual sobre a permanência na fase vermelha. A prefeitura não respondeu ontem, no entanto, se questionou o governo e qual teria sido a resposta.

AUMENTO DE CASOS
A Secretaria de Saúde de Piracicaba registrou ontem aumento de três óbitos e 151 diagnósticos positivos de covid-19. Com os números, a cidade contabiliza 218 mortes e 8.686 infectados pelo novo coronavírus.

No Estado, nesta quinta-feira foram registrados 24.448 óbitos e 598.670 casos confirmados do novo coronavírus.

Entre o total de casos diagnosticados de covid-19, 390.601 pessoas estão recuperadas, sendo que 73.967 foram internadas e tiveram alta hospitalar. As taxas de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) são de 58,2% na Grande São Paulo e 59,7% no Estado. O número de pacientes internados é de 13.080, sendo 7.524 em enfermaria e 5.556 em unidades de terapia intensiva, conforme dados das 10h30 de hoje.

Ontem, dos 645 municípios, houve pelo menos uma pessoa infectada em 640 cidades, sendo 484 com um ou mais óbitos.

O balanço diário do Ministério da Saúde divulgado ontem totalizou 98.493 mortes desde o início da pandemia. Desde anteontem, foram registrados pelas secretarias locais de saúde 1.237 óbitos.  Na quarta-feira, o sistema marcava 97.256 mortes. Ainda há 3.544 óbitos em investigação.

O número acumulado de casos da doença chegou a 2.912.212. Nas últimas 24 horas (até ontem), o painel do órgão recebeu a notificação de 53.139 novos casos das autoridades locais de saúde. Até ontem, a pasta havia contabilizado 2.859.073 pessoas infectadas desde o início da pandemia.

De acordo com o  Ministério da Saúde, há 766.059 pacientes em acompanhamento, e 2.047.660 pessoas recuperadas da doença.

Beto Silva