Falta de médicos em PSF é por recusa a salários de R$ 15,5 mil

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Foto: Alessandro Maschio/JP

Cidades do interior paulista pagam a novatos cerca de R$ 22 mil; Piracicaba tem como teto R$ 15,5 mil

Dez equipes do Programa Saúde da Família estão sem médicos devido ao pouco interesse da categoria em trabalhar no SUS (Sistema Único de Saúde) da cidade por conta dos baixos salários. A informação é de um grupo de 86 profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, que são impedidos de ganhar pagamentos acima do teto salarial do cargo de prefeito, R$ 15,5 mil mensais – na saúde pública da cidade há 2.049 servidores.

A Câmara Municipal recebeu, nesta semana, alguns porta-vozes deste grupo, que apontam prejuízos à cidade na concorrência por profissionais para outros municípios por conta do limite salarial. Segundo o prefeito Luciano Almeida (DEM), Piracicaba tem um déficit de mais de 500 profissionais na estrutura da saúde. As informações sobre o grupo da saúde que se autointitula “Prejudicados” são da assessoria do Legislativo.

“Esses funcionários têm descontados mensalmente o valor de R$ 6 mil de seus salários”, informa a coordenadora da Rede de Atenção Básica da Saúde, Anair Ferrer. “Além disso, dez equipes do Programa Saúde da Família estão sem médicos porque outros municípios pagam mais do que Piracicaba”, reitera. Segundo Anair, em Barretos, no interior de São Paulo, um médico no início de carreira recebe, aproximadamente, R$ 22 mil reais.

As perdas salariais, desde o congelamento dos pagamentos, chegam a 43%, informam os servidores. Na análise do vereador Gilmar Rotta (CID), a situação não é simples de ser solucionado “porque Piracicaba tem 9.620 servidores e não é possível corrigir os salários somente de uma categoria”. Ele lembrou que está em vigor uma lei federal que impede, até 31 de dezembro de deste ano, qualquer tipo reajuste ou recomposição salarial ao funcionalismo de todas as esferas (municipal, estadual e federal) devido à crise da pandemia.

Entretanto, Rotta sinaliza que os salários do prefeito e dos vereadores precisam passar por uma atualização, o que na prática, aumentaria os ganhos de servidores municipais com rendimentos próximos ao teto do Executivo.

A situação pode ser um entrave para a atual gestão resolver a falta de médicos na saúde. “Fizemos um levantamento e temos, dentro da estrutura de saúde, mais de 500 profissionais em déficit no nosso sistema. Entre eles, aproximadamente, 180 médicos, se não me engano. Esperamos que com a OS [Organização Social que assumiu a UPA do Piracicamirim] haja um desafogo no sistema. E, a partir do ano que vem, nós estamos vendo quais serão as alternativas para a reposição desses profissionais. Na verdade, nos últimos cinco anos, esse déficit sempre foi linear, em média, sempre faltou esses profissionais, entre 450 a 500. Nós queremos acabar com isso e ter, de fato, o que é necessário para o atendimento à população”, disse o prefeito em transmissão on-line feita na última sexta-feira (17).

Cristiane Bonin
[email protected]

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