Falta de recurso impossibilita ampliação da clínica, dizem diretores

FOP não recebe valor destinado à saude, pela Unicamp, que em 2020 é de R$ 520 mi (Foto: Amanda Vieira/JP)

A clínica de odontologia da FOP (Faculdade de Odontologia de Piracicaba) da Unicamp precisa de reformas para se adequar às recomendações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As obras começaram em 2016, mas foram paralisadas em 2017. Alunos procuraram a reportagem do Jornal de Piracicaba e tal situação, que já era de conhecimento tanto da reitoria da universidade quanto da direção da faculdade, foi publicada na edição de 7 de maio.

Após a publicação da reportagem, os diretores da FOP, Francisco Haiter Neto e Flávio Henrique Baggio Aguiar, publicaram carta aberta na qual afirmam que a ampliação da clínica para atender as normas da Anvisa, assim como para comportar todos os alunos, é um objetivo das gestões da instituição desde 1998. “Porém, a falta de recursos sempre limita qualquer ação mais efetiva”, escrevem.

A clínica tem espaço físico de 3,25m² por equipamento odontológico e corredor entre os equipamentos com 0,4m de largura – conforme documento inserido na ata da reunião ordinária da congregação da faculdade em 12 de fevereiro. A resolução RDC nº50, de 2002 da Anisa, pede 7m² entre os equipamentos e 2m de largura do corredor.

Em 2013, as obras foram autorizadas pela reitoria da universidade e começaram em 2016, porém no próximo ano foram paralisadas, assim como todas as outras “grandes obras”, conforme informou a Unicamp por meio de assessoria de imprensa. A nota de universidade enviada à reportagem afirmou ainda que a FOP havia recebido “bastante investimento”, porém a faculdade havia priorizado a construção da prédio administrativo.

Na carta, os diretores afirmam que este prédio foi construído pois “a obra de ampliação do prédio administrativo, por já possuir projetos executivos e exigir menor volume financeiro, iniciou-se em junho de 2014 e foi finalizada em agosto de 2015”. Enquanto que a ampliação da clínica, como escrevem no documento, começou em 2016.

A reportagem do JP dia 7 de maio também abordou que a FOP não recebe desde 2013 recursos da Caaaas (Comissão Assessora para Assuntos Assistenciais da Área de Saúde), pois está localizada em um endereço diferente do CNPJ da Unicamp. A universidade havia afirmado ainda que as tratativas burocráticas para receber o recurso cabiam apenas à FOP.

Os diretores esclareceram que foi solicitado à Unicamp em 2008 e 2015 a criação de um CNPJ diferente para a FOP para receber esse recurso da DRS-10 (Diretoria Regional de Saúde de Piracicaba). “Ambas as solicitações foram negadas pelo gabinete da Reitoria, não sendo portanto, de responsabilidade da FOP a não solução”, dizem os diretores na carta.

“É importante ressaltar que a FOP não recebe nenhum valor do montante destinado pela Unicamp às áreas da saúde – valor este estimado para 2020 de 520 milhões de reais”, finalizam.

Andressa Mota

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