‘Faltam médicos, leitos, remédios e equipamentos’, afirma prefeito

Desabafo do prefeito Luciano Almeida (DEM) foi feito na sexta-feira (19) pelas redes sociais da prefeitura. (Foto: Amanda Vieira/JP)

O prefeito de Piracicaba, Luciano Almeida (DEM), usou as redes sociais, na sexta-feira (19), para expor a situação da cidade no enfrentamento da pandemia da covid-19. Segundo ele, não há mais leitos para internação de pacientes e a cidade já enfrenta a falta de médicos, máquinas, equipamentos e remédios.

“Quando os senhores olharem hoje para o nosso sistema, que está praticamente 100% lotado, saibam que essa situação tende a piorar”, afirmou.

De acordo com o democrata, a situação se tornou critica nos últimos dez dias e a tendência é que piore nos próximos dois meses. Luciano disse que a prefeitura tentou contratar 80 médicos que prestaram o último concurso da saúde e apenas 15 responderam.

O prefeito assinou ontem uma carta dos municípios da Região endereçada ao Governo do Estado para construção de um hospital de campanha com 60 leitos anexo ao HRP (Hospital Regional de Piracicaba).

Ao Ministério da Saúde, Luciano disse que solicitou 14 médicos do programa Mais Médicos, além de 42 respiradores, 42 monitores e 160 bombas de infusão. O material deve ser usado na adaptação da UPA do Piracicamirim, que deve disponibilizar mais 42 leitos de UTI, nos próximos 40 dias.

UTI NO LIMITE

Piracicaba atingiu na última sexta-feira a taxa de ocupação de 94% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados ao tratamento de pacientes com covid-19. Já os leitos de enfermaria chegaram a 67% de ocupação.

A situação limite vem sendo registrada pela Secretaria de Saúde nos últimos dias. Na semana passada, o prefeito anunciou que a ocupação dos leitos de UTI estava em 100%. Até sexta-feira (19), a cidade contabilizava 582 mortes e 37.546 infectados desde o início da pandemia.

NO ESTADO

O Estado de São Paulo registrou até o dia 19, 27.527 pessoas internadas pela covid-19, 586 pacientes a mais que no dia anterior. Foi a terceira vez consecutiva que o número de pacientes em UTI ultrapassou a marca de 11 mil, após aumentos sucessivos nesta e na última semana. As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 91,4% no Estado e de 91,6% na Grande São Paulo.

CRISE

O Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) apresentou representação na sexta-feira (19), pedindo o afastamento temporário do presidente Jair Bolsonaro das funções e competências administrativas relacionadas à pandemia de covid. A medida também é estendida aos ministros da Saúde, Casa Civil, Fazenda e outras autoridades que a Corte de Contas venha a identificar como responsáveis pela ‘atual situação caótica no atendimento público de saúde da população’.

A peça é assinada pelo subprocurador-geral Lucas Furtado e se baseia na Lei Orgânica do TCU que permite ao tribunal afastar temporariamente o gestor público em caso de indícios suficientes de que sua manutenção no cargo pode dificultar auditorias ou causar prejuízos aos cofres públicos. (Com AE)

Beto Silva
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