Família Acolhedora é um ato para ‘aprender a amar’, segundo participante

Programa social tem inscrições abertas para novos casais a partir do próximo dia 2 de janeiro. (Foto: Amanda Vieira/JP)

Acolher significa oferecer ou obter refúgio, proteção ou conforto físico. E essa é a missão de uma Família Acolhedora, que garante um lar a crianças ou adolescentes em vulnerabilidade social. Em Piracicaba, o serviço é executado pela Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) e estará com inscrições abertas de 2 a 31 de janeiro.

Todo mundo acha que quem acolhe é porque ama muito, mas eu penso que a gente acolhe porque quer aprender a amar”, conta Marcelo C., 41, que, junto com a esposa Gisele, 38, já acolheu seis crianças.

De acordo com a secretária municipal da Smads, Eliete Nunes, o objetivo do serviço é garantir os diretos das crianças e adolescentes que foram afastados das famílias biológicas por medidas judiciais.

A ruptura da criança com a família é muito traumática, mas se ela vai para um ambiente familiar, a gente garante o direito à convivência familiar e comunitária dela”, explica Eliete.

A coordenadora do serviço de Família Acolhedora, Carla Gonçalves Marques, conta ainda que o “acolhimento familiar, em detrimento do institucional, propicia o vínculo afetivo entre aqueles que cuidam e a criança”.

Dessa forma, a família acolhedora contribui com o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, pois nesse ambiente sentem-se cuidadas e protegidas.

Isso também garante que as crianças possam reestabelecer, no futuro, os vínculos com a família biológica ou criá-los com a família adotiva, se for o caso. “A criança que não desenvolve o apego seguro tem mais dificuldade de estabelecer novos vínculos”, explica Carla.

Para participar do programa, além de todos os membros da família concordarem, os interessados precisam ter mais de 25 anos, uma diferença mínima de 16 anos do acolhido, morar em Piracicaba, sem perspectiva de mudança por até três anos, não possuir no núcleo familiar pessoas com problemas psiquiátricos ou dependência de álcool e outras drogas, além de ser idôneo e gozar de boa saúde física e mental.

Penso que (o programa de Família Acolhedora) é o serviço de voluntariado mais relevante que hoje nós temos no município, porque muda o destino das crianças e adolescentes”, complementa Eliete.

SELEÇÃO

Após inscrever-se na sede no serviço, que fica na Rua Coronel João Mendes Pereira de Almeida, 200, Nova América, pelo telefone (19) 3422-0621 ou e-mail [email protected], os participantes passam por entrevistas com psicólogas e assistentes sociais e fazem um curso de capacitação, com orientações sobre os serviços de acolhimento, a política de assistência social, os direitos dos acolhidos, além de abordar temas como o desenvolvimento infantil e a questão da separação, após o período de acolhimento, que pode durar no máximo dois anos. “O mais importante é você treinar o desapego, porque são vínculos que você cria com as crianças. É importante refletir que o mais importante são elas”, conta Gisele.

Andressa Mota

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