Família agredida acusa Guarda Civil de omissão de socorro

Pelos relatos da vítima, a corporação da Guarda Civil cometeu uma sucessão de erros (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Uma sequência de falhas da Guarda Civil resultou em três pessoas feridas e uma residência vandalizada em Piracicaba. A série de problemas originada pelo mal atendimento da corporação teve início às 22h do último domingo, no bairro Campestre.

A advogada Eliana Grigolatto contou que estava em casa, quando ouviu uma mulher gritando e pedindo socorro na rua. Ela disse que foi até a rua e viu quando um homem agredia a mulher que estava caída no chão. “Ele chutava a mulher e pegou uma pedra para atingí-la”, contou a advogada, que decidiu acionar a Guarda Civil pelo 153.

Para sua surpresa, ao narrar a situação para a atendente e pedir uma viatura, a guarda perguntou se a vítima havia pedido socorro. “Ela está sendo agredida, correndo risco”, argumentou Eliana que ouviu da funcionária que não seria enviada uma viatura.

Eliana ligou novamente no 153 e, ao ouvir a sua voz, a funcionária desligou o telefone. Nesse momento, o agressor percebeu que a advogada havia tentado chamar a Guarda e parou as agressões. “A mulher correu para um lado e ele foi para o lado oposto”, disse ao acreditar que a situação havia se resolvido.

Minutos depois, quando Eliana e o marido estavam na sala, uma motocileta parou em frente à casa e várias garrafas foram arremessadas para dentro do imóvel. Um dos cacos atingiu o filho do casal, de 23 anos. “Saímos para ver o que estava acontecendo e a moto foi embora, mas anotamos a placa”, contou.

A família acionou novamente o 153 e a mesma atendente informou que não havia viatura disponível. “Meu marido pediu para falar com um supervisor e passou o número da placa. O comandante disse que o homem morava a 50 metros de nossa casa”, afirmou Eliana.
Uma viatura da Romu (Ronda Ostensiva Municipal) chegou ao local em menos de cinco minutos. Para a surpresa da família, os agentes disseram que não havia evidências de que o motociclista era o responsável pelas garrafas arremessadas contra a casa.

A equipe da Guarda Civil deixou o local sem registrar a queixa. Eliana disse que minutos depois dois homens e uma mulher chegaram até sua casa e iniciaram uma série de ameças. Os dois homens passaram a arremessar pedras contra ela e o filho que foram atingidos na cabeça e no tórax.

Pela terceira vez a Guarda foi acionada e a mesma equipe retornou. Desta vez, os guardas a orientaram a procurar atendimento médico devido o corte e sangramento na cabeça e deixou o local, sem ir em busca dos agressores.

Eliana registrou um Boletim de Ocorrência na DDM e fez a denúncia junto à Corregedoria da Guarda. A prefeitura informou que o caso foi enviado à Ouvidoria da Guarda Civil e serão tomadas as devidas providências.

Beto Silva