Renê e a filha Amanda buscam forças para superar a morte de parte da família (Amanda Vieira/JP)

A vida do motorista Renê Aparecido Moura, 52, mudou drasticamente na madrugada do domingo 23 de agosto de 2020. O veículo Fiar Uno da família foi atingido por um Toyota Corolla blindado, na avenida Armando Salles de Oliveira, na área central da cidade. A dona de casa e Vilmar Alves Moura, 52, e seu filho Gabriel Alves Moira, 26, que estavam dentro do carro não resistiram. O motorista viu a mulher e filho, que ficaram bastante machucados, e apesar de aparentarem estarem desacordados, ele teve a esperança de que ambos pudessem ser socorridos. Renê foi socorrido com fraturas nas costelas e um corte na cabeça ao HFC (Hospital Fornecedores de Cana, onde passou por atendimento e liberado no mesmo dia.

Ele diz que ficou em estado de choque e não se recorda direito como tudo aconteceu. “Saí de casa para buscar meu filho, que saiu do trabalho, quando estava na avenida apenas senti um tranco muito forte no carro. Quando olhei para o lado encontrei minha esposa, que era companheira há quase 40 anos e meu filho naquele estado. Fui motorista por 30 anos, conduzi veículos com 40 passageiros sob a minha responsabilidade. No fundo eu sabia o que tinha acontecido com minha mulher e filho, mas meu coração tinha esperança”, desabafou.

Amanda Moura, filha de Renê disse que depois de um mês do acidente, a dor pela perda do irmão e da mãe ainda é muito forte. Junto com seu pai, eles arrumam forças para superar essa difícil fase.

O condutor do Corolla, um autônomo de 36 anos, que atua no ramo de produção musical está preso desde o acidente. Ele foi autuado em flagrante sob acusação de homicídio culposo (sem intenção) e embriaguez ao volante. O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) fez a denúncia por homicídio por dolo eventual e se for acatado pela Justiça, o motorista pode ir à júri popular.

“Deixamos claro que não queremos vingança, mas justiça. Nada vai trazer minha mãe e meu irmão, que deixou seus dois filhos pequenos”, desabafou.

Renê disse que justiça é uma palavra forte. “Primeiramente, ela vem de Deus. A palavra de Deus fala que a justiça deve ser concedida ao justo. Minha esposa e meu filho não ficarão mais perto de nós. Nossos sonhos, nossos projetos foram mudados. Mas ainda confio na justiça do homem que está sendo feita. Isso poderia ter acontecido com qualquer família, mas por causa da imprudência de uma pessoa que sabia sim o que estava fazendo, pois a lei é clara, e diz que quando você bebe e assume um volante, você corre o risco de matar”, disse o motorista.

desde o dia do acidente nunca foi procurado pela família do condutor do carro que causou o acidente.

A advogada Eliana Grigolatto, que representa o motorista Renê e a ex-esposa do Gabriel, mãe dos filhos da vítima disse que não vai comentar sobre as questões criminais e denúncia do MP. “A Amanda e seo Renê estão em uma situação difícil emocionalmente. Ambos precisarão de um acompanhamento profissional. Iremos mover uma ação por danos materiais e pela lesão corporal grave provocada ao seo Renê”, afirmou a advogada.

Cristiani Azanha

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