Família – desafios atuais

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Foto: Pexels

Sejam quais forem as configurações em que se apresentem, as famílias constituem um complexo de relações interpessoais, vínculos afetivos, papéis desempenhados, convenções sociais e religiosas, dentre outros.

A família pode ser vista como célula do organismo social, na qual cada membro cumpre inúmeras funções e participa da sua formação, estrutura e manutenção. A saúde ou o adoecimento desse núcleo repercute em âmbitos maiores, refletindo-se, obviamente, em toda a sociedade.

Parte do atual processo de transição planetária, a estrutura familiar tem passado por imensos desafios e crises quanto à sua configuração, tarefas a serem exercidas por seus componentes, atitudes diante dos incessantes problemas e natureza dos relacionamentos. Por um lado, papéis tradicionais cristalizados, preconceitos e convencionalismos têm sido postos à prova a todo momento, ao mesmo tempo que novas formas de se configurar os núcleos familiares se apresentam e se estabelecem. Por outro lado, valores e princípios têm sido sistematicamente desrespeitados, à medida que a promiscuidade, os vícios e a violência adentram os lares e fazem morada nas famílias, trazendo as mais infelizes e dolorosas consequências.

Se os modelos tradicionais, baseados em antigos padrões, não podem mais ser a única referência de relacionamento de quem compartilha o teto, nem por isso devem ser aceitos movimentos ou propostas que signifiquem a desagregação, o desvirtuamento ou a degradação daquilo que, em sua essência, é sagrado, como a família.

Ao longo da história foram criados e estabelecidos estereótipos de família, os quais se incorporaram no inconsciente coletivo, moldando padrões e condicionando expectativas em relação ao que seria desejável. Se cumpriram determinados propósitos em épocas passadas, hoje trazem o risco de restringir as possibilidades de relacionamento e de configuração familiar, as quais, em nossa opinião, desde que fundamentadas no amor e no respeito, e desde que cumpram os propósitos evolutivos para os quais existem, são dignas de consideração.

A pressa, a ansiedade, o imediatismo e a superficialidade com que têm sido tratadas as diversas situações da vida se refletem nos vínculos familiares. A intolerância e o egocentrismo têm feito com que inúmeros relacionamentos se rompam à menor contrariedade ou diante dos primeiros desafios. Isso se opõe ao que ocorria no passado, em que, mesmo diante de sérios problemas, de evidentes disfunções ou de flagrantes abusos e desrespeito, mantinham-se os relacionamentos – ou a sua aparência – em obediência a exigências e imposições familiares, sociais, econômicas e religiosas.

A crise atual da família reflete os conflitos dos indivíduos que a compõem. Portanto, parece evidente que uma nova configuração familiar, mais madura e saudável, somente será realidade quando os seus membros estiverem suficientemente conscientes e sãos para estabelecerem relações que lhes expressem as qualidades.

A harmonia familiar, tantas vezes desafiada por fatores intrínsecos ou exteriores, necessita da contribuição ativa de cada um dos seus componentes, a fim de que os elevados objetivos existenciais sejam promovidos e facilitados, em benefício dos seus membros e, consequentemente, de toda a sociedade. Aqueles conscientes do sagrado papel da família podem, com a alegria que tal atitude propicia, contribuir para a sua integridade, preservação ou cura, como forma de serviço aos familiares tanto quanto aos demais seres.

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