Família inteira tem o pedido de auxílio emergencial negado pela Caixa Econômica

Sidney e sua família enfrentam dificuldades com as aulas paradas (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Com a pandemia da covid-19, as escolas estaduais, municipais e particulares de Piracicaba, além de faculdades e universidades, estão fechadas há quase 45 dias, sem aulas presenciais, algumas optando por férias antecipadas e as outras decidiram utilizar aulas virtuais para seguirem o calendário escolar. O motorista Sidney Gurgel, assim como sua mulher Nádia e seu filho Lucas, que ganham a vida por meio do transporte escolar estão impossibilitados de trabalharem e têm enfrentado a dificuldade de não poderem utilizar o dinheiro do auxílio emergencial do Governo Federal.

“Trabalho com transporte escolar e preciso deste dinheiro, já que estou há quase dois meses sem receber o pagamento dos pais em razão da suspensão das aulas”, disse Sidney, que ressaltou que ele e sua família estão com dificuldades em receber o dinheiro do auxílio emergencial. “O meu pedido foi recusado porquê, em 2018, recebi acima de R$ 28 mil. Minha mulher também fez e foi recusada, na qual o sistema detectou problemas no CPF (Cadastro de Pessoa Física)”, complementou.

Sidney detalha que após a recusa do pedido do filho ficou preocupado com a possibilidade de outra pessoa receber o dinheiro em seu nome. “A justificativa do indeferimento do pedido do meu filho foi em razão de duas pessoas da família já receberem o benefício, algo que não é possível, já que o meu e de minha esposa foram recusados. Quero saber quem é, onde está o dinheiro, já que por enquanto não chegou nada para a nossa família”, detalhou.

O motorista de transporte escolar já fez reclamações para a Caixa, porém não obteve êxito e nem respostas. “No site da Caixa não tem como fazer a reclamação, você vai na agência, mas eles não estão atendendo esse tipo de reclamação, portanto ficamos com as mãos atadas. Ligo no Fale Conosco e não recebo qualquer tipo de resposta. Já é complicado não poder trabalhar e não receber, agora é inadmissível alguém receber esse dinheiro em meu nome”, desabafou.

Sidney detalhou as dificuldades que tem enfrentado, ressaltando que a situação não está pior em razão da ajuda da filha. “Pela lei somos obrigados a trocar a perua (van escolar) conforme o tempo. Troquei o veículo em janeiro e para isso fiz um empréstimo bancário. Isso já consumiu cerca de 30% da renda, tudo bem, mas e agora que está parado? Quando vou poder pagar? Minha filha está recebendo e está nos ajudando, mas estou com boletos de água, luz, telefone, tudo atrasados”, explicou lembrando que ainda não sabe até quando vai essa situação por não ter uma data de quando as aulas presenciais vão retornar. “Não posso pegar esse dinheiro com os pais, caso contrário perco todos de uma vez só. As aulas não voltam e sem o auxílio emergencial não sei o que vou fazer, e tem a chance de ter gente recebendo em meu nome, portanto fica muito complicado”, completou.

Em resposta à reportagem, a Caixa disse que os critérios de concessão para acesso ao benefício Auxílio Emergencial são os previstos na Lei nº 13.982, de 02/04/2020, regulamentada pelo Decreto 10.316, de 07/04/2020. “A responsabilidade pela análise de quem tem o direito ao Auxílio Emergencial é da Dataprev com homologação ao Ministério da Cidadania. O papel da Caixa é o pagamento do benefício”, disse sua assessoria de imprensa, ressaltando que os três CPFs mencionados não constam nos sistemas da Caixa como beneficiários do Auxílio Emergencial por meio da Conta Social Digital, e nem do Bolsa Família.

Mauro Adamoli