Parte da família Vencovsky vive em Piracicaba. (Crédito: Amanda Vieira/JP)

Durante um dos períodos mais turbulentos da Europa devido às 1a e 2a Guerras Mundiais, que aterrorizaram todo o continente, em 1920 a família Vencovsky escolheu deixar a cidade de Klosterneuburg, na Áustria, para tentar novas oportunidades no Atlântico Sul: o Brasil.


Essa decisão foi tomada pela família depois que a 1a Grande Guerra, que ocorreu entre 1914 e 1918, tirou dos braços dos pais Josef e Anna o filho mais velho, Ernest, considerado hoje em dia como um herói pela família.


É para refletir sobre esse resgate histórico e para lembrar o centenário da família Vencovsky no Brasil que mais de 70 membros se reúnem hoje em Atibaia, onde um dos membros da família, Otto Vencovsky, comprou uma fazenda na década de 1940, após o início da 2a Guerra Mundial ter desestruturado novamente a família, à época em São Paulo.


Otto havia ficado muito triste com o fechamento de um empreendimento familiar, a Casa Paulotto – que vendia produtos químicos vindos da Alemanha, e resolveu vender as terras da família e comprar a fazenda São José, em Atibaia.


O nome da fazenda é uma homenagem ao pai de Otto, Josef, que veio da Europa com a família numa viagem que começou em 6 de janeiro de 1920, em Trieste, na Itália, e terminou no porto de Santos em 15 de fevereiro do mesmo ano. Ao todo, foram 41 dias a bordo do navio Columbia.


“Cem anos é uma data importante. Não é bem uma festa de comemoração, pois a mudança para o Brasil aconteceu para fugir de grandes problemas ocorridos no início do século XX na Europa”, conta Vitor Pires Vencovsky, um dos organizadores do evento. “A família perdeu o filho mais velho na Primeira Guerra, as cidades austríacas estavam destruídas e ainda teve a gripe espanhola entre 1918 e 1919”, lembra.


A escolha pelo Brasil, conta Vencovsky, se deu pelo posicionamento econômico do país naquela época com as exportações de café, que estavam no auge. “O Brasil, naquela época, era um país muito bem-visto”, afirma.
Além de rever os parentes e matar a saudade, o encontro de hoje fará questão de lembrar-se de Ernst, que em 1915 foi para o campo de batalha e, após ter sido atingido por uma bala que quebrou seus dois braços e cortou seu abdômen, morreu em um hospital pouco tempo depois de tétano.


Vencovsky conta que vai “destacar no encontro que a família tem um herói, Ernst Vencovsky, que lutou na Primeira Guerra e morreu muito jovem com 21 anos. Herói é para ser usado como exemplo”, enfatiza.


Como atos heroicos e afinidades familiares precisam ser cultivados, Vencovsky conta que “o resgate histórico mostra para as próximas gerações como grandes desafios na vida podem ser resolvidos. E tudo fica mais fácil quando a família está unida”, finaliza.

Andressa Mota

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