Ação foi suspensa após Defensoria e Ministério Público entrarem com agravo no TJ. (Foto: Divulgação)

Algumas famílias sem teto que ocupam uma área denominada comunidade Renascer, localizada entre os bairros Novo Horizonte e Itapuã, em Piracicaba, admitem que temem mais a execução da ordem de reintegração da área do que a pandemia de covid-19, que até a sexta-feira havia matado 40 pessoas na cidade.

A determinação para que a Polícia Militar retire as cerca de 300 famílias do local já foi expedida pela Justiça local. A Defensoria Pública e o Ministério Público entraram com agravo junto ao TJ (Tribunal de Justiça), que suspendeu a reintegração enquanto durar a pandemia do coronavírus.

A decisão foi publicada no início da noite de sexta-feira e quando as famílias falaram com a reportagem, ainda não sabiam da nova determinação.

A desempregada Regiana Pereira Soares Gonçalves vive em um barraco com outras sete pessoas da família. Sem emprego, ela e o marido não tinham condições de pagar aluguel e há três meses chegaram com os filhos à comunidade.

A família é ramanescente da ocupação do Taquaral onde, há um mês, houve a reintegração do terreno onde um grupo estava acampado. “Nosso medo é que aconteça a mesma coisa que aconteceu no Taquaral”, contou.
“Não deu tempo de retirarmos as nossas coisas, chegaram, a derrubaram tudo”, lembrou.

A dona de casa Thais Larissa Marques admitiu o medo da covid-19. Ela disse que, além das doações de alimentos, as famílias têm recebido máscaras e álcool em gel. “Estamos usando e procurando ficar o maior tempo possível dentro de casa”, afirmou.


“O medo é de perder a nossa morada, mas tenho medo da doença também”, acrescentou Divânia da Silva que vive em um barraco com quatro familiares.

ACOMPANHAMENTO
As famílias entrevistadas contaram que não se recordam se a prefeitura já esteve na ocupação.


De acordo com a Smads (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social) a última visita in loco foi feita no 15 de abril e no momento foram identificadas cerca de 30 famílias e mais 40 marcações no chão para novas edificações.

No dia 17 de abril, O Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Novo Horizonte apresentou um levantamento estimado de comunidades e construções clandestinas no território e este levantamento foi enviado pra a Defesa Civil no dia 22 de abril.

A pasta informou que, diante da Pandemia de covid-19 e da necessidade de isolamento social, as visitas in loco e domiciliares estão reduzidas para preservar a vida de técnicos e dos usuários envolvidos,  portanto não foram feitas mais visitas.

No caso de reintegração solicitada pelo dono da área, já que o terreno é particular, as famílias podem procurar o Cras no caso do Novo Horizonte para receber informações e orientação sobre serviços, apoio para contato com familiares e amigos e se identificada a necessidade benefícios eventuais.

Beto Silva

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