Fernando Aparecido de Souza: Reforço de peso na segurança

Nascido em Altinópolis, na região de Ribeirão Preto, filho de ferroviário e dona de casa, Fernando Aparecido de Souza escolheu sua carreira ainda muito jovem. Aos 17 anos, elefez sua inscrição na Academia da Polícia Militar Barro Branco. Recentemente, já no patente de tenente-coronel na corporação, recebeu uma nossa missão: comandar e implantar o 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), em Piracicaba.

Souza participou desde a escolha do prédio -, que mais tarde passou a ser sede do Batalhão, na rua Maringá, 450, no Jardim São Francisco -, até a seleção dos 211 policiais militares que foram selecionados como efetivo, para atuarem e reforçarem a segurança de 52 municípios, que fazem parte do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior).

O treinamento foi o ponto alto desses homens e mulheres, que integram a corporação. Todos eles participaram de treinamento com as equipes de ponta da Polícia Militar como a Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar), COE (Comando e Operações Especiais) e Batalhões de Choque de São Paulo. O motivo? Esses policiais foram treinados para atuar nas situações consideradas mais graves, como o combate ao crime organizado, tráfico de drogas, roubos a bancos.

Mesmo antes da inauguração, quando ainda estavam em treinamento, os policiais do Baep prenderam um homem, de 56 anos, suspeito de tráfico de drogas na rodovia Deputado Laércio Corte (SP-147), no bairro Marrafom, em Iracemápolis, no dia 23 de outubro de 2019. O suspeito estava em uma carreta e, com ele, foram encontrados 58 tijolos de cocaína pura, o equivalente a 60 quilos, avaliados em R$ 1 milhão em prejuízo ao tráfico de drogas.

Um mês depois, os policiais participaram da Operação Gênese contra o tráfico de drogas e organização criminosa, que foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, com apoio das equipes de Canil e Força Tática do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior). No total, 24 pessoas foram presas, das quais 23 em Piracicaba e outra em Águas de São Pedro.
Após a inauguração da sede, o 10º Baep atuou nas prisões de dois suspeitos de envolvimento no roubo a agência da CEF (Caixa Econômica Federal), em Hortolândia, no dia 30 de dezembro de 2019. Para o tenente-coronel, o Baep veio para somar com as demais forças de segurança. Conheça um pouco mais sobre o comandante do Batalhão de Ações Especiais de Polícia de Piracicaba, no Persona deste domingo.

Porque decidiu ser policial militar?
Meu pai era ferroviário. Minha mãe, dona de casa e somos em três irmãos homens. Nasci em Altinópolis, que é próximo a Ribeirão Preto. Sempre estudamos em escolas públicas. Meu irmão mais velho decidiu servir a Aeronáutica, depois eu, que sou o filho do meio, prestei para a Academia da Polícia Militar Barro Branco. Meu irmão mais novo decidiu prestar também para a PM. No final das contas, somos três militares na família. Realmente estava no sangue. Meu pai e meu avô criaram a gente com disciplina e rigidez. E isso foi muito bom para todos nós. Meu pai hoje é falecido, mas sempre fomos uma família muito feliz. Eu devo muito aos ensinamentos que eles nos passaram.

Então, na sua concepção de vida, a família é importante para o senhor?
Sem dúvida. Hoje sou casado, tenho 47 anos, tenho dois filhos: um de 16 e outro de 13 anos. Um deles até fala alguma coisa sobre ser militar, mas o outro ainda não se manifestou. E como família, eu e minha esposa tentamos passar para os nossos filhos alguns valores que servirão para a vida toda. E mesmo que eles não se tornem policiais, nossa missão, como pais, é fazer com que se transformem em pessoas de bem e felizes. Todo pai quer ver os filhos felizes. Tento ser um espelho para que as crianças sigam o exemplo. Se a gente quer um país melhor, um futuro melhor com pessoas compromissadas com seus deveres e não só com os direitos, precisamos ter uma outra atitude e começar dando o exemplo dentro de casa.

Essa história do jeitinho brasileiro, pode parecer engraçado em um primeiro momento, mas esse preço é cobrado da gente e da sociedade. Quando era criança eu ouvia que o Brasil era o país do futuro, só que esse futuro nunca chegou e eu ainda ouço que o Brasil é o país do futuro. Estou com quase 50 anos e esse país do futuro ainda não chegou. A gente tem que trabalhar essa questão com os nossos filhos, para que os nossos netos tenham algo melhor. Quero deixar algum legado para eles.

Quando o senhor ingressou na corporação da Polícia Militar?
Fiz minha inscrição na Academia do Barro Branco aos 17 anos. Antes disso, eu já havia trabalhado como estagiário em um banco, pois na minha época era permitido estágio aos 14 anos. Fui aprovado no Barro Branco, saí como aspirante a oficial com 21 anos. Trabalhei uma época em São Paulo, depois Ribeirão Preto, onde casei e nasceram os meus filhos. Depois voltei para São Paulo e passei por Piracicaba. Fui novamente para Ribeirão Preto e retornei para Piracicaba.

Como o senhor recebeu o convite para ser o comandante do 10º Baep?
Recebi o convite do coronel Érico Hammerschmidt Júnior (comandante do CPI-9). Fiquei apreensivo inicialmente, porque é uma grande responsabilidade, criar, montar e estruturar um batalhão começando do zero. Não tínhamos o local, não tínhamos os policiais que seriam destacados ao Baep. Então, fomos coordenando tudo isso.

Recebi muito apoio dos oficiais do Baep. O time escolhido é muito bom e eu devo a eles a coordenação desse momento. O coronel Érico deu esse voto de confiança para a gente. Deu as coordenadas, informou que receberíamos viaturas de São Paulo, efetivo. Escolhemos o prédio, que foi adaptado por nossa equipe. O imóvel era uma antiga instalação de Faculdade de Serviço Social Maria Imaculada Conceição. Fizemos contato com o proprietário, que muito nos ajudou.

A inauguração do 10º Baep, que ocorreu no dia 19 de dezembro de 2019, foi aberta ao público. A proposta da corporação é manter essa aproximação com toda a comunidade?
O Baep é uma força a mais que veio para somar, para trabalhar para a população. Esse é o princípio de policiamento comunitário. O embrião da Polícia Militar é a gestão pela qualidade, polícia comunitária e respeito pelos direitos humanos. Sempre trabalhamos com esses três pilares.

O que representa para o senhor, para a sua vida, ser um policial militar?
Estou quase chegando ao ápice da carreira. Completo agora 29 anos de policial militar como tenente-coronel. Para mim, é uma alegria muito grande. Sinto-me realizado. Essa oportunidade que o comando nos deu, acreditando na equipe é uma coisa única. Nós estamos fazendo história. Cada detalhe desse prédio (10º Baep) foi pensado em ser um batalhão para os policiais militares para atender a população. Tivemos muitos policiais militares que se voluntariam para pintura de parede, cortar árvores. Cada um usou suas habilidades para ajudar como pode. Nosso batalhão é um esforço do governo, da sociedade e da comunidade.

Qual conselho o senhor daria para o jovem que quer ser um policial militar?
Posso dizer que eu me realizei demais na carreira. Estudamos e batalhamos.O jovem tem que acreditar em si, tem que estudar muito e sempre. Focar em alguma coisa que goste, que vislumbre, que pode dar certo. Não se envolver com drogas, pois infelizmente muitos jovens se perdem nesse ponto. Aém das drogas, têm muitas outras coisas que podem tirar o jovem do bom caminho. Uma decisão errada pode mudar uma vida toda.

A Polícia Militar tem um programa muito forte contra as drogas, que é o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), realizado nas escolas. Se a gente conseguir tirar um jovem do caminho errado, já valeu. Então, foque nos estudos, pois a carreira da PM é muito gratificante. A gente aprende valores para a vida toda. É uma carreira do bem. Precisamos de mais pessoas do bem para construir um país melhor.

O que o senhor gosta de fazer quando está de folga?
Passear é muito bacana, mas gosto de ler um livro, assistir TV, ficar com as minhas crianças, um cinema às vezes, andar de bicicleta. Muitas vezes, por conta da carreira que a gente abraçou, fica muito tempo fora de casa. Quando estou em casa, quero me dedicar à esposa, filhos, pois para mim é muito gratificante, muito importante.

O que a cidade de Piracicaba Piracicaba para o senhor?
Piracicaba é meu segundo lar. É uma cidade maravilhosa, fui muito bem acolhido aqui. Tem um rio maravilhoso. Sinto-me muito bem nesta cidade. Eu adotei Piracicaba como meu novo lar.

Qual a mensagem que o senhor gostaria de passar, tanto para a corporação quanto para a comunidade, neste início de 2020?
Quero desejar um novo ano com Jesus no coração. Um ano que se inicia com mais esperança, que a gente possa fazer um trabalho melhor do que foi o ano anterior. Vamos sempre acreditar que o melhor está por vir, que ainda temos muito a fazer e que a gente pode contribuir para a sociedade como um todo. Disponha do Baep, eu sei que temos inúmeras expectativas a respeito desta corporação O nosso Batalhão está vindo para trabalhar e a postos para contribuir. Contem sempre com a gente, contem com a Polícia Militar.

Cristiani Azanha