Foliões e reflexão das responsabilidades

O famoso Carnaval não é uma festa tipicamente brasileira, já que surgiu na Grécia, onde a população realizava cultos como agradecimentos aos deuses pela fertilidade do solo e colheita. Com o passar dos anos os romanos e gregos começaram a inserir nesses eventos o consumo de bebidas alcoólicas e terem relações sexuais durante os dias de procedência da festividade, o que na ocasião foi visto com inadequação pela igreja.

Somente após muitos séculos, a igreja católica incluiu o evento em seu calendário, comemorando com cultos oficiais em que os atos considerados impuros foram excluídos, o que causou mudanças na tradição da festa vista com estranhamento pelo povo, devido a origem do Carnaval existir para festejar a alegrias e conquistas.

Assim os brasileiros aderiram o Carnaval em seu calendário, com características próprias e autênticas, que em pouco tempo se transformou na maior festa do país, arrastando milhares de foliões atrás dos blocos, fixando características próprias em cada estado brasileiro, atraindo ainda turistas de todo o mundo para virem conhecer ‘nossa grande festa nacional’.

No dia a dia a maior parte dos indivíduos vive na correria, com muitos afazeres, na tentativa de conciliar a vida profissional com a vida pessoal. E quando chega o período do Carnaval a maioria das pessoas deixa as tensões cotidianas de lado, para abrir espaço para a alegria e o prazer.

Para a psicanálise é um período em que o individuo é invadido pelos impulsos de prazer, conduzidos pelos desejos, não mais se aliando às consequências. Pois, fantasiados, os indivíduos se sentem protegidos dos julgamentos e das críticas, e assim, nessa grande festa nacional a população sente-se livre, sem preocupar-se com a censura, extravasando e sendo diferente dos outros dias do ano.

No entanto, ao chegar quarta-feira de cinzas é hora de retomar a vida real. E, ao analisar o Carnaval e seu efeito coletivo na massa, podemos apontar que é como se o sujeito fosse perdendo a autoconsciência e a perda do julgamento alheio, que pode ter efeitos tanto positivos quanto negativos.

Certamente todos os indivíduos já estiveram inseridos em um grupo e, com certeza, já se perceberam agindo de maneira diferente do que faria se estivesse sozinho. Uma razão para a compreensão disso é que os indivíduos em grupos tendem a perder parte do seu próprio auto-conhecimento e auto-contenção, e fazem em grupos coisas que não fariam sozinhas, pois nos grupos se sentem menos responsáveis por suas ações como um individuo.

Esse é um processo de individuação que pode ter efeitos poderosos, fazendo com que o Carnaval deixe as pessoas mais livres ou menos reprimidas. Vale a reflexão para cada individuo aproveitar a festa com responsabilidade, conhecendo-se e entendendo qual o limite para sua felicidade e bem-estar, para que quando retome a realidade não tenha que enfrentar prejuízos, muitas vezes irreparáveis, como doenças adquiridas, filhos indesejados, atos de violências, processos judiciais.
É importante ficar atento para evitar os excessos ou os prejuízos a curto e longo prazo. Após uma reflexão a respeito, vale a pena cair na folia e aproveitar com muita responsabilidade, se hidratando, comendo alimentos leves, usando protetor solar, usando preservativo, assumindo condutas saudáveis para guardar as boas recordações e experiências desta festa contagiante que é o Carnaval.