Ford despenca no mercado brasileiro

foto: Agência Brasil

Após encerrar a produção de carros no Brasil, no início de janeiro, a Ford já começa a perder participação de mercado. A ausência das linhas Ka (hatch e sedã) e EcoSport, que eram feitas na fábrica de Camaçari, na Bahia, vai reduzir drasticamente a representatividade da marca no País a partir deste ano.

Em 2020, a Ford emplacou 139.225 veículos no Brasil, segundo dados da Fenabrave, a federação nacional que reúne as associações de concessionárias. Assim, ficou na 5ª posição entre as marcas, com 7,06% de participação de mercado.

No entanto, no balanço de janeiro de 2021 já caiu para a oitava posição. Em um mês, foi ultrapassada por Jeep, Renault e Toyota, nesta ordem. A fatia de mercado no segmento de automóveis de passeio e comerciais leves foi reduzida para 5%.

Do total de vendas em 2020, os três modelos nacionais representaram 85% das vendas da Ford, ou seja: 118.525 unidades. Assim, a marca deverá fechar 2021 com cerca de 30 mil a 40 mil emplacamentos, dependendo dos lançamentos que fará.

O campeão de vendas da Ford no Brasil em 2020 foi o Ka, com 67 446 unidades. O segundo lugar ficou com a versão sedã com compacto, que somou 25.747 emplacamentos.

Outrora sucesso de vendas, o EcoSport se despediu de forma melancólica do Brasil. Foi apenas o terceiro mais vendido da marca, com 24.031 unidades. Trata-se de um desempenho ruim, sobretudo quando se considera o avanço das vendas de SUVs compactos.

No caso do Ka, a queda nas vendas foi de 8.066 unidades em dezembro de 2020 para 3.433 em janeiro de 2021. Da mesma forma, os números do Ka sedã despencaram de 2.340 em dezembro para 934 em janeiro. O EcoSport caiu de 3.241 unidades em dezembro para 1 576 no primeiro mês deste ano.

Sem Ka e EcoSport, a Ford terá de agir rápido para conter uma debandada de clientes. Quando acabarem os estoques dos carros nacionais, o que deve ocorrer até o mês que vem, as revendas, que ainda são muitas, terão pouca coisa a oferecer.

Nas 283 lojas da marca no País haverá apenas unidades da argentina Ranger e do Territory, que é importado da China. Em janeiro, foram emplacadas 1.926 unidades da picape e 168 do SUV. Assim, considerando que em março haja apenas esses dois carros à venda e que o número de emplacamentos se repita, em uma conta bastante simples, para cada autorizada caberiam apenas 7,4 carros.

RANGER SERÁ CARRO DE ENTRADA

No site da marca ainda aparecem o SUV Edge e o cupê Mustang. A Ranger, portanto, passa a ser o Ford mais barato, com tabela inicial de R$ 154.090.

Para sinalizar ao público que não está deixando o País, a marca mantém, na página eletrônica, a aba “próximos lançamentos”. Estão confirmados a nova geração da van Transit, a Ranger Black e os SUVs Mustang Mach 1 (elétrico) e Bronco.

Os quatro chegarão ao longo deste ano. O destaque é o Bronco que, por vir do México, não pagará imposto de importação e deverá ter preços competitivos. O novo SUV deve disputar mercado com o Jeep Compass.

Da mesma forma, a marca deve trazer a futura picape Maverick, que será feita sobre a plataforma do Bronco e brigará com a Fiat Toro. O Brasil, aliás, deve ser um dos primeiros países a receber o modelo inédito.

Assim, a marca, que já fez parte do grupo das “quatro grandes” do País, com Fiat, Chevrolet e Volkswagen, vai despencar em popularidade e volume de vendas. Com isso, haverá queda na participação de mercado.

GOOGLE NOS FORD

A Ford e o Google anunciaram uma parceria mundial para a criação de novas tecnologias de conectividade. O objetivo é acelerar a transformação digital da montadora e transformar a experiência a bordo de veículos conectados. Para isso, as duas empresas vão desenvolver desde apps até sistemas complexos baseados em inteligência artificial.

A colaboração segue uma tendência recente vista no setor de veículos, com as montadoras unindo forças com gigantes de tecnologia. Assim, cada empresa cuida do que é a sua especialidade. Ou seja, a Ford faz os carros e o Google, a rede de dados e a interface de interação com os usuários, incluindo sistema de voz, mapas, etc.

Uma das primeiras ações será a adoção das plataformas do Google nos carros da Ford. Assim, a partir do fim deste ano, os modelos da marca passarão a ter o sistema Android Auto de série. A migração completa deve ocorrer até 2023.

O Google Cloud, portanto, passa a ser o provedor de nuvem da Ford e permitirá a utilização de todos os serviços disponíveis. Tais como Google Assistente, Google Maps e a loja de aplicativos Google Play. Tudo poderá ser acessado diretamente pelo multimídia do carro, o que significa que os dados de cada usuário poderão se integrar ao veículo, incluindo preferências e perfis de utilização.

O Google vai ajudar a Ford a vender carros e a se comunicar com seus clientes. Assim, fornecerá dados aos lojistas, bem como permitirá o envio de alertas em tempo real sobre ofertas, revisão ou recall, por exemplo.

Fonte: Agência Estado

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1 COMENTÁRIO

  1. Ford já era. E também não vai durar muito na Argentina onde já está demitindo, e no restante do mundo fechando fábricas.
    Não merece vender mais nada aqui depois do que fez com o Brasil, deixando milhares de pessoas sem empregos, concessionárias sem vendas, veículos desvalorizados… temos opções nacionais mais confiáveis e que investem no Brasil. A FORDesmanche não teve sequer capacidade de consertar os defeitos crônicos da Ranger e ainda manteve os câmbios Power-Shit” sem um recall de substituição por um modelo que prestasse.

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