Forfé reapresenta teatro ‘emblemático’ neste sábado

O diretor do Grupo Forfé de Teatro, Felipe de Menezes, não tem dúvida: ‘Sobre Meninos, Mendigos e Poetas’, que completa dez anos em 2020, é o espetáculo que a companhia mais apresentou no vitorioso histórico de 20 anos de atividades. A peça é atemporal e se legitima cada vez mais com o passar dos tempos. Neste sábado, estará em cartaz às 20h no Ponto de Cultura Arte Garapa, com entrada gratuita.

‘Sobre Meninos, Mendigos e Poetas’ narra o encontro entre duas pessoas em situação de rua, ou, poeticamente, ‘dois vagabundos’, um termo que remete à arte do lendário Charles Chaplin. Velho e Matraca caminham na contramão dos moldes estabelecidos pelos homens do seu tempo. Os personagens buscam preencher o vazio de algo que não têm e dessa forma não conseguem fixar território.

A peça estreou em 2010 e, até hoje, é encenada pelos mesmos atores Elias Lima e o Denílson de Oliveira (também responsável pela dramaturgia). “Um espetáculo de repertório que é fácil manter e apresentar, pelo fato de ter apenas dois atores, cenário minimalista e ser um tema bastante atemporal”, destaca Menezes.

Ele conta que a peça volta a ser exibida por um convite do Garapa. “É um espetáculo emblemático para a história do Forfé, bastante premiado, seja os atores como a direção.

Segundo Menezes, o enredo mantém ‘Sobre Meninos, Mendigos e Poetas’ “vivíssimo”. “Os personagens em cena são sujeitos marginalizados, que contam suas histórias com muita poesia e riqueza. É essencial para os dias atuais, para um Brasil que corre seríssimos riscos por causa do governo que mal investe em cultura. Hoje, fazer teatro, é um lugar de resistência”.

O Forfé, ano passado comemorou 20 anos, “com muitas ações”, ele ressalta, e esse ano a direção já começa a “entender e conversar” sobre os projetos neste início de 2020”. “Mas certamente faremos mais apresentações nas regiões periféricas da cidade”, o que Menezes aponta como um “importante retorno às bases” – a companhia nasceu no centro comunitário do bairro Jaraguá.

A motivação, portanto, será com o trabalho nas comunidades. “Perdemos, todo o pessoal progressista do Brasil perdeu a habilidade de se comunicar coma periferia”.

O sentimento de manter ‘Sobre Meninos, Mendigos e Poetas’ altiva, para Menezes, é de “profunda alegria e respeito ao trabalho destes trabalhadores da cultura”. Ele os chama de parceiros afetivos. “Fazer teatro em Piracicaba, com a desvalorização da cultura, é estonteante.

Erick Tedesco ([email protected])

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