Fórum avalia impactos do novo Plano Diretor de Piracicaba

Na expectativa de que o Executivo envie à Câmara o projeto de revisão do Plano Diretor, que norteará a cidade nos próximos anos, o Fórum de Gestão e Planejamento Territorial Sustentável, coordenado por seus criadores, Nancy Thame (PSDB) e Paulo Serra (CID), se reuniu na Câmara, na noite de terça-feira (4). O arquiteto Estevam Vanale Otero, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, ministrou palestra sobre as diretrizes inseridas no Plano Diretor. No caso de Piracicaba, a projeção é que a cidade não crescerá mais depois do ano 2035 e a centralização será a palavra de ordem para garantir a sustentabilidade e qualidade de vida dos cidadãos.

Estevam focou em quatro conceitos básicos ao questionar para que serve um Plano Diretor, que vai aferir os parâmetros de uso, forma e intensidade do crescimento da cidade. Ao passo que no segundo conceito há a necessidade de levantar quais os desafios para Piracicaba, que são específicos, não sendo possível adaptar modelos de outras localidades, pois há que se compreender a dinâmica contemporânea da área central da cidade, marcada por profunda desigualdade social, com franjas mais vulneráveis, na implementação de aglomerados populacionais longe de tudo. Estevam também citou outra característica na região central de Piracicaba, com áreas vazias inseridas na malha urbana, sendo que mais da metade destes espaços não foram ocupados desde o Plano Diretor anterior, de 2006, havendo um congelamento do perímetro urbano.



O arquiteto mostrou que hoje a defesa é por uma cidade 10 vezes mais compacta e sustentável, em preceitos defendidos pelo Secovi (Sindicato da Habitação). A consideração é que hoje Piracicaba está muito esparramada e, tendo como característica o parcelamento do solo, sendo a segunda cidade do Estado de São Paulo que aprova mais loteamentos, com 97 novos empreendimentos, de 2001 a 2015.

Estevam apontou dados sobre a existência de 45 mil lotes vagos na área central, sendo que a projeção é que no ano de 2035, não só Piracicaba, mas as cidades da região, atingirão seu ápice de crescimento, havendo um declínio da população. Na atual conjuntura, a atividade imobiliária local tem o seu principal produto no parcelamento do solo.

No terceiro conceito explorado por Estevam, o questionamento é sobre o que o Plano Diretor poderá fazer, tendo em vista as distorções de crescimento, dos planos estratégicos, na definição do zoneamento, em parâmetros para ocupação legal do solo, em respeito às leis ambientais.

A defesa do crescimento é por regiões que já contam com estruturas básicas, como facilidade no transporte e, outras redes de proteções sociais, capazes de garantir um crescimento sustentável.

Da Redação