Fumantes aumentam o consumo de nicotina durante a pandemia

34,3% aumentaram a quantia de cigarros fumados por dia (Foto: Amanda Vieira/JP)

O caminho não tem sido de todo fácil, afinal a superação de um vício requer força, dedicação e auxílio de um profissional, mas a comerciante Solange Chiba, 61, tem lutado contra o tabagismo deste 13 de julho, quando – inspirada pela campanha antitabagista “Paradas pro Sucesso” – procurou o tratamento. A vontade de largar o cigarro já era antiga, mas o ponto de virada veio com a mensagem da cantora Júlia Simões, uma das artistas da região que participa da campanha, idealizada pela cardiologista Juliana Barbosa Previtalli e o músico Luís Fernando Dutra, com apoio do Jornal de Piracicaba.

Os primeiros passos da dona Solange já são uma inspiração neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, que visa reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco.

O objetivo da campanha “Paradas pro Sucesso” é lembrar ainda que o tabagismo é uma doença grave e pode ter cura. Além disso, evidencia que deixar o vício é uma oportunidade também de prevenir-se dos riscos da covid-19.

A “Paradas pro Sucesso” vem em um momento oportuno, pois, de acordo com pesquisa da Fiocruz realizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Unicamp, entre os fumantes, 87,7% mantiveram ou aumentaram a quantidade de cigarros fumados por dia.

Desses, 53,4% mantiveram a quantidade consumida antes da pandemia, 6,4% aumentaram em cinco ou manos unidades; 22,8% aumentaram em cerca de dez unidade e 5,1% aumentaram em 20 cigarros ou mais, o que é equivalente a um maço a mais por dia. “Deixar de fumar é sempre a melhor opção e, com auxílio profissional, o fumante tem mais chances de obter êxito na sua tentativa”, afirma Juliana.

Os desafios são vários, como relata dona Solange, mas a satisfação de ver as melhoras surgindo dia após dia não tem preço. “Tem que ter força de vontade. É difícil para quem fumou desde 25 anos”, lembra. “Eu senti que estou com menos dor de cabeça e o nariz, fica melhor para respirar”, avalia.

Um dos pontos mais delicados do processo de deixar o cigarro, nas primeiras semanas do tratamento, pode ser a vontade que surge de colocá-lo na boca novamente. Para vencer esses momentos, Solange foca na saúde. “’Qual que é mais gostoso? A banana ou o cigarro? Ah, a banana’, e ficava conversando comigo para enganar para não querer o cigarro”, recorda.

Outro comportamento que Solange já percebeu que a ajuda a resistir à “tentação” é não ceder ao famoso “cafezinho”. E para controlar a ansiedade durante o tratamento, Juliana também tem algumas dicas: atividades físicas aeróbicas, como caminhada; atividades que visam o relaxamento como meditação e yoga, beber muita água.

“Há também fumantes que não querem parar de fumar, por ainda não estarem motivados para isso ou por qualquer outra razão, mas mesmo assim andam refletindo sobre a vulnerabilidade em que se encontram durante a pandemia”, comenta Juliana. “Quem ser sentir preparado para fazer o tratamento do tabagismo pode procurar a UBS mais próxima e perguntar pelo Programa Anti Tabagismo, fornecido pelo SUS”, explica a médica.

Andressa Mota