Funcionários do Semae de Piracicaba denunciam vereador por quebra de decoro parlamentar

Grupo de servidores denuncia vereador por quebra de decoro parlamentar (Claudinho Coradini/JP) Grupo de servidores denuncia vereador por quebra de decoro parlamentar (Claudinho Coradini/JP)

As declarações feitas pelo vereador Marcos Abdala (PRB) em um áudio do aplicativo Whatsapp causaram polêmica e acrescentaram elementos à tumultuada relação entre o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) de Piracicaba e a população piracicabana. Desta vez, os funcionários da autarquia ficaram no meio do fogo cruzado depois de o parlamentar atribuir à sabotagem por parte dos funcionários as interrupções no abastecimento de água e contas com valores altos.

Insatisfeitos com a fala do vereador, um grupo de funcionários vai protocolar hoje, na Comissão de Ética da Casa, um pedido de quebra de decoro parlamentar. A denúncia também será levada ao Ministério Público e os servidores querem a cassação de Abdala.

Na conversa com uma moradora, segundo informou o vereador, ele diz que há um processo de investigação paralela em andamento e que algumas coisas já foram descobertas. “Já descobrimos muito e a população está equivocada, não é vereador que queima bomba d madrugada, que sabota o Semae para receber hora extra”, afirma na gravação. “É gente que trabalha no Semae que não está fazendo o seu trabalho pessoas mal intencionadas que estão fazendo esse caos”, diz em outro trecho.

De acordo com a auxiliar de escritório do Semae, Ana Paula Classere, depois da divulgação do áudio, os servidores que trabalham nas ruas passaram a ser ofendidos e sofrem represálias da população. “Nós queremos que esse vereador se retrate publicamente e queremos a cassação dele”, afirmou acrescentando que um abaixo-assinado será entregue hoje junto com o pedido de quebra de decoro.

Ana Paula e o servidor José Carlos Magazine, solicitaram o uso da tribuna para a sessão da próxima quinta-feira (28). Os servidores querem apresentar a denúncia aos demais vereadores e pedir informações sobre a investigação paralela citada por Abdala. “Queremos saber quem autorizou, quem faz parte e o que essa investigação descobriu até agora”, afirmou Magazine.

PRESSÃO

O vereador Marcos Abdala admitiu ontem que errou em suas colocações e atribuiu isso à pressão sofrida por ter votado contrário a instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). “Os vereadores contrários à CPI foram atacados e a conversa está fora de contexto”, afirmou. O vereador negou a existência de processo investigativo. “Eu errei ao pontuar e dei justificativas infelizes”, afirmou. “Sempre fui muito bem atendido pelos funcionários de todos os setores da prefeitura”, afirmou.

Beto Silva