Ginasta Simone Biles vai ao senado dos EUA e denuncia abusos sexuais

Simone Biles testemunha no Senado dos EUA - Crédito foto: Graeme Jennings/Pool/Getty Images

Em audiência no Comitê Judicial do Senado dos Estados Unidos, em Washington, a ginasta Simone Biles culpou nesta quarta, dia 15, a USA Gymnastics (sigla em inglês para Federação de Ginástica dos Estados Unidos) e todo um que permitiu que Larry Nassar, médico da seleção nacional abusasse sexualmente de centenas de atletas por 20 anos.

“Culpo Larry Nassar e todo o sistema que permitiu e cometeu esse abuso. A USA Gymnastics e o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA sabiam que havia abusos por parte do médico oficial da seleção.” – afirmou a vencedora de quatro medalhas de ouro olímpicas, que também acusou o FBI de ter “dado as costas” aos atletas por ter respondido de maneira inadequada e lenta às primeiras acusações de abuso sexual contra Nassar.

Biles disse que um sistema inteiro permitiu e cometeu esses abusos contra ela e centenas de jovens, que pela idade sequer sabiam que Nassar estava cometendo abusos. “Não quero que nenhum outro jovem atleta olímpico ou outro indivíduo sofra o horror que eu e outras centenas suportamos e continuam suportando até hoje.” – declarou a ginasta, visivelmente emocionada.

No início do depoimento, ela disse que não conseguia imaginar um lugar onde pudesse se sentir mais “incomodada” do que a sala do comitê do Senado onde estava. Junto a Biles estavam sentadas outras três ginastas olímpicas que sofreram abusos de Nassar: McKayla Maroney, Maggie Nichols e Aly Raisman.

Este comitê do Senado busca esclarecer por que o FBI na cidade de Indianápolis, no estado de Indiana – onde está localizada a sede da USA Gymnastics – respondeu de maneira inadequada e lenta às primeiras acusações de abuso sexual contra Nassar.

Um relatório interno do Departamento de Justiça revelou em julho passado graves erros dentro do FBI que estagnaram a investigação durante mais de oito meses. Quando esse documento de 119 páginas foi divulgado, um grupo de senadores anunciou uma audiência para investigar a resposta do FBI e corrigir os erros institucionais

Nassar, que usou sua posição como médico para abusar de ao menos 330 jovens, incluindo menores de idade e também atletas olímpicas, cumpre uma condenação entre 40 e 175 anos de prisão somada a outra de 60 anos por pornografia infantil. As penas foram determinadas entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018.

Edilson Morais

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