Grupo faz ato simbólico em protesto à morte de ciclista

Ciclistas se encontraram no local do acidente (Alessandro Maschio/JP)

Um grupo de ciclistas fez um ato simbólico, em protesto ao atropelamento do ciclista Anderson Cleyton de Souza, de 39 anos, ontem à tarde, no cruzamento das avenidas Armando de Salles Oliveira com a Torquato da Silva Leitão, no São Dimas. Segundo a Polícia Civil, o ciclista foi atingido por uma Tiguan dirigido por uma médica pediatra, que fugiu do local do acidente.

Familiares do ciclista tinham organizado um manifesto com faixas, mas acabaram desistindo da ideia, por conta da pandemia e uma possível aglomeração de pessoas. O ciclista Mário Silva, o Shock disse que ficou sabendo do manifesto e decidiu participar, mas não sabia que tinha sido cancelado.

“Só soube que o protesto não seria mais realizado quando cheguei ao local do acidente. Como já estava por aqui, em me juntei ao pequeno grupo e por alguns momentos conseguimos interditar a avenida, mas a Polícia Militar chegou e disse que não poderíamos continuar com o ato, para não prejudicar as pessoas que voltavam do trabalho. Soubemos que uma nova data será marcada”, relatou.

A assistente de laboratório químico, Joselaine Alves de Almeida, irmã do ciclista, que participava da organização do manifesto relatou que decidiram pelo cancelamento, pois considerou que não seria possível fiscalizar que todas as pessoas que participariam usariam máscaras ou manteriam o distanciamento. “Nesse primeiro momento decidimos suspender o manifesto, mas estamos acompanhando o caso e colaborando com a polícia na apuração sobre o ocorrido. Estamos planejando outras ações para que o atropelamento do meu irmão não caia no esquecimento”, disse a assistente.

Segundo ela, a família está sofrendo muito. Seu marido, o barbeiro Guilherme Kerthe de Oliveira faz aniversário nesta sexta-feira (30). “Diante de todo meu sofrimento, a vida me deu um grande companheiro que está me amparando nessa fase. Ele sabe o quanto era ligada no meu irmão. Até me disse que não era meu irmão, mas seria meu protetor”, disse Joselaine. “Hoje é seu aniversário e estivemos na minha sogra. Até preparou um bolo e colocou uma velinha, mas ele pediu para retirar, porque acredita que teremos outros aniversários para comemorar”, acrescentou Joselaine.

A reportagem entrou em contato com a médica, mas ela não retornou o contato. Em seu depoimento à Polícia Civil, ela disse que não parou porque não percebeu que seu carro teria atingido o ciclista.

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Cristiani Azanha

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