Guarda acusado de matar adolescente com tiro vai à júri popular

Delegada Juliana Ricci, da DIG, conduziu a investigação (Amanda Vieira/JP)

Um guarda civil acusado de matar um adolescente de 16 anos com um tiro nas costas deverá ir a júri popular. O crime ocorreu próximo a base da corporação, na avenida Raposo Tavares. Outro guarda também responde por prevaricação e ameaça a testemunha e também passará pelo júri. A data ainda não foi definida pela Justiça de Piracicaba.

O advogado Willey Sucasas, que defende o guarda acusado de atirar no menor infrmou que a defesa respeita a decisão judicial, porém, discorda veementemente de seu teor, razão pela qual irá recorrer ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

“A verdadeira dinâmica dos fatos demonstra cabalmente que o GC não cometeu o delito que lhe é imputado. A real dinâmica e todas as circunstâncias que levaram ao triste episódio denotam a mais absoluta inocência do acusado e serão cabalmente demonstradas quando do julgamento definitivo da causa que, aliás, tramita em segredo de justiça”, enfarizou Sucasas.

Para o advogado Marcelo Borrasca, que representa o guarda que responde por prevaricação também prometeu recorrer.

“Em relação a sentença de pronúncia, proferida pela Egrégia Vara do Júri e E Execuções Criminais da Comarca de Piracicaba, foi decidido,em primeira instância, que o ele será submetido ao julgamento pelo Tribunal Popular, em face de regras de competência processual, por supostos crimes de prevaricação e coação no curso do processo e não por participação no suposto homicídio do adolescente. “O guarda nega veementemente ter interferido na investigação sobre a morte do menor, imputada a outro agente”, informou Borrasca.

INVESTIGAÇÃO

A delegada assistente da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Juliana Ricci disse na época que a investigação partiu a partir do boletim de ocorrência registrado no dia 3 de maio. Na ocasião, uma equipe da Romu (Ronda Ostensiva Municipal) teria localizado a vítima ferida, que estava sendo carregada pelos colegas. Os guardas acionaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas o menor não resistiu.

A delegada disse que os patrulheiros que teriam localizado a vítima não tinham conhecimento que o autor do disparo seria integrante da corporação.

“As primeiras informações davam conta com que o autor dos disparos seria um policial. De início não sabíamos se seria um policial civil, militar ou guarda”, disse a delegada.

De acordo com a apuração da Polícia Civil, o guarda foi reconhecido por três testemunhas e os investigadores conseguiram a gravação de um sistema de segurança nas imediações.

A Polícia Civil apurou que o adolescente não esteve envolvido com atos infracionais que poderiam ter causado uma possível rixa entre eles, bem como o guarda que tinha vários anos na corporação e tinha “ficha limpa”, de acordo com a investigação.

Cristiani Azanha

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