Hepatite viral: saiba quais os cuidados e tratamentos da doença

Foto: Pexels

Cerca de 1,5 milhão de brasileiros não sabem que têm hepatite C, a mais mortal de todas

O fígado é um dos maiores órgãos do corpo humano, ele possui várias responsabilidades com o corpo como filtrar o sangue e eliminar as toxinas, proteínas, fatores de coagulação, triglicerídeos, colesterol e bile, e além dessas funções digestivas e metabólicas, o fígado possui células de defesas, chamadas células de Kupffer, capazes de destruir microrganismos como vírus ou bactéria que possam entrar no fígado através do intestino, causando doenças.
Com tantas funções vitais ao corpo é preciso ficar atento as doenças que podem ocorrer com esse órgão, sendo as mais famosas doenças no fígado as hepatites A, B e C.
No Brasil, segundo o Ibrafig (Instituto Brasileiro de Estudos do Fígado), cerca de um milhão de pessoas tem hepatites virais e que desconhecem ser portadoras de uma doença silenciosa que pode levar à cirrose e ao câncer de fígado. Juntas, as hepatites B e C respondem por cerca de 74% 1 dos casos notificados de hepatites virais no país.
Sozinha, a hepatite C é responsável por mais de 76% das mortes das hepatites virais, no período de 2000 a 2018, segundo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2020, o mais recente editado1.

O que são?

As três formas da hepatite são virais e causam inflamações no fígado e que podem causar complicações a ponto de causar a morte da pessoa se não tratar.
O que principalmente as diferenciam são os quadros que elas causam e a forma de contágio.
Das três a hepatite A é a mais branda e que pode ter uma evolução benigna, mas há casos em que evolui para hepatite fulminante, podendo levar a um transplante de fígado ou a óbito. Sua forma de contágio é via oral-fecal, a pessoa pode contrair se consumir água contaminada, verduras mal lavadas e alimentos crus.
Felizmente existem vacinas contra essa doença, principalmente em unidades de saúde privadas.

A hepatite B Pode ser transmitida por relações sexuais, transfusões de sangue ou contato com instrumentos perfurocortantes contaminado com sangue, como agulhas e seringas, alicates de unha, agulhas de tatuagem não descartáveis etc.
Os sintomas dessa doença variam e incluem amarelamento dos olhos, dor abdominal e urina escura. Algumas pessoas, especialmente crianças, não apresentam sintomas. Nos casos crônicos, pode ocorrer insuficiência hepática, câncer ou o surgimento de feridas. Assim como a A, existem vacinas contra este vírus e de forma gratuita nas unidades públicas de saúde.

Já a hepatite C não tem vacina e ainda é estudado formas de tratamentos desta doença. Das três variações a C é a pior e, segundo o fundo da ONU (Organização Mundial das Nações Unidas), cerca de 500 milhões de pessoas no mundo estão infectadas, mas apenas 5% delas sabem que tem a doença. No Brasil, existe cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas pela hepatite C, doença responsável por 70% das hepatites crônicas e 40% dos casos de cirrose, de acordo com o Ministério da Saúde
Segundo a OPAS (Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde), cerca de 1 milhão de pessoas morrem por ano no mundo em decorrência das hepatites virais, com 3 milhões de novos infectados ao ano.
Com o objetivo de incentivar o diagnóstico de hepatites virais, principalmente B e C, e cumprir a meta de eliminar a doença até 2030, o Ibrafig lança campanha nacional denominada como: Não Vamos Deixar Ninguém Para Trás. “Durante todo o mês de julho, vamos mobilizar toda a sociedade civil e nos unir a grupos que apóiam populações de alto risco, como pessoas em situação de rua ou privadas de liberdade, para encaminhamento de testagem e tratamento. Reforçamos também que todo mundo no Brasil com idade acima de 40 anos tem risco de ter a doença e deve ser testado ao menos uma vez na vida”, informa Paulo Bittencourt, presidente do Ibrafig, entidade que faz parte da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

QUEM DEVE FAZER O TESTE?

Pessoas com idade igual ou superior a 40 anos; ou que receberam transfusões de sangue ou transplantes de órgãos antes de 1993, ou usuárias de drogas injetáveis, ou que compartilham agulhas injetáveis, ou submetidas a procedimentos de tatuagens, piercings ou de escarificação, sem o devido cuidado com a higiene dos objetos. Pessoas com múltiplos parceiros sexuais e que fizeram o(s) ato(s) sem proteção, ou com múltiplas doenças sexualmente transmissíveis também podem fazem parte do grupo de pessoas para fazer o teste.
Apesar não terem o uso de objetos perfurantes compartilhados ou relações sexuais sem prevenção, pessoas que admitem elevado consumo de álcool também podem e devem participar.
“Das Hepatites virais, a C não tem vacina, mas desde meados de 2015 tem tratamento que pode eliminar o vírus em quase 100% dos casos”, informa Jarbas Barbosa, vice-presidente da OPAS, em depoimento para campanha. “Por isso, é importante detectar e tratar a doença precocemente, isto é, quando os danos ao fígado e a outros órgãos ainda podem ser controlados. Com a detecção precoce e tratamento adequado, vamos cumprir a meta desafiadora de eliminar a doença até 2030”.

Larissa Anunciato
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