Heroica quer apoio às vítimas de violência doméstica nas delegacias

Advogada Simone Seghese considera a importância do apoio já na delegacia (Alessandro Maschio/JP)

Vítimas de violência doméstica enfrentam mais um desafio no momento de denunciar o agressor na delegacia. Como agir? Quais são seus direitos? Como deve proceder e o que fazer após a prisão do companheiro? Justamente para tentar fazer esse apoio assistencial, o Projeto Heroica pretende iniciar o atendimento às vítimas de violência doméstica, já a partir do registro policial na delegacia.

A presidente do Heroica e presidente da Comissão da Mulher da subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Simone Seghese de Toledo, desde o início da pandemia, em março de 2020, as voluntárias atenderam 50 mulheres, vítimas de violência doméstica, apenas em Piracicaba.

“Todos nós sofremos de alguma forma com a pandemia, é inegável o impacto que esse medo causou em todos nós com a questão financeira, ficamos incomodados com o distanciamento social etc. Mas as mulheres que já estavam em um relacionamento ruim foram penalizadas em dobro.  Se entre casais saudáveis (onde não há agressão) houve um aumento de mais de 15% dos divórcios causados pela hiperexposição, excesso de convivência e falta de possibilidades de extravasamento com atividades esportivas, papos entre amigos, pequenas viagens curativas… imaginem quem vive em um relacionamento toxico onde há agressão?”, questiona a advogada.

Simone acrescenta que o projeto, ao perceber essa situação, passou atendimentos para o sistema online e tanto as psicólogas quanto as advogadas ficaram e ainda estão ativas em todo o estado pandêmico com agendas cheias e filas de espera para atendimento.

“Infelizmente atendemos os casos mais graves de violência contra a mulher, dos vários crimes bárbaros que Piracicaba foi palco, tendo nossas voluntárias como parte do processo de acompanhamento pós vitimização. Atendemos muitas mulheres que tiveram que se reinventar profissionalmente por perda de emprego próprio ou do companheiro e somar uma fonte de renda”, ressaltou a presidente.

As voluntárias se dividiram em  grupos de empreendedorismo, ajuda na confecção de currículos, estudos literários com o objetivo de desconstruir o machismo estrutural e rodas femininas de retorno ao auto amor e confiança em si, além de arrecadação de alimentos porque as mulheres relatam nos grupos mais carentes.

POLÍCIA CIVIL

O diretor do Deinter-9 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), Kléber Antonio Torquato Altale disse que qualquer parceria que vise dar mais proteção ou valorização à mulher será bem-vinda”, disse Altale. Segundo ele, as ações para implantação em conjunto com o Heroica devem ser realizadas em breve.

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Cristiani Azanha

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