Historiador pede reforma para bem tombado

Secretaria de Cultura diz que a manutenção não é de competência da prefeitura

Piracicaba tem um dos dois barracos no Brasil que é patrimônio histórico

Há apenas dois barracos tombados como patrimônio histórico em todo Brasil, um deles está em Piracicaba: o Memorial do Frei Sigrist. Localizado no Jardim Glória, o casebre é memória da ocupação do bairro, mas está em ruínas. A denúncia é do historiador Claudinei Pollesel, membro do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba). Recentemente, Pollesel publicou uma carta aberta endereçada ao Executivo e ao Legislativo contando as memórias do bairro e relevância histórica do memorial. Construído por Isaías, filho da primeira moradora da ocupação, dona Joana – ainda viva, com 87 anos atualmente – o barraco recepcionou, em 1985, uma missão de Frades Capuchinhos. O grupo, acompanhado do padre Vicente Tonetto, da Paróquia do Itapuã, fixou residência no local e elegeu o barraco para ser a casa deles.

O espaço se tornou então a Fraternidade Nossa Senhora Da Glória e, por 17 anos, abrigou dezenas de seminaristas e religiosos capuchinhos, recebendo visitas também de pessoas do exterior. “Éramos 120 barracos de madeira, em péssimas condições, muito mal construídos com restos de madeira e outros refugos. Graças ao trabalho incansável de frei Sigrist e da comunidade capuchinha estes outros barracos desapareceram, dando lugar a casas de alvenaria. Eu fui o único barraco que restou. E restei justamente para lembrar que existiu um tempo muito ruim em que as pessoas sofriam em seus barracos, num lugar esquecido por todos”, conta o historiador Pollesel em seu texto colocado em primeira pessoa como se o memorial contasse seu passado e presente. Entre 2010, o casebre ganhou uma reforma e nomeação de instalação do Acervo Frei Francsico Erasmo Sigrist, em 2020, foi tombada pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural) para se transformar em memorial.

Processo similar só aconteceu no País com o barraco de madeira em Xapuri (Acre), local aonde viveu o ambientalista Chico Mendes. “Em 2002, os frades foram embora e eu permaneci, cultuado e cuidado pela comunidade e, em especial, pela dona Joana. Nunca mais fui habitado ou tive outro fim, que não fosse ser o Memorial de Frei Sigrist e da presença capuchinha no Jardim Gloria. Os frades deixaram aqui todos os pertences, documentos, fotos e obras de arte do período em que aqui viveram”, destaca um trecho da carta de Pollesel sobre as memórias que a casinha guarda. A

OS CACOS A propriedade do casebre no Jardim Glória, desde quando foi tombado pelo município, é da Prefeitura de Piracicaba, informa o historiador Claudinei Pollesel. Ele clama por “manutenção enquanto há tempo”. Nada muito oneroso: troca de telhas, algumas tábuas e reparo na fiação elétrica. Entretanto, o secretário de Ação Cultural, Adolpho Queiroz, defende que, as responsabilidades da prefeitura, do Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba) e do Codepac “cessaram quando do tombamento do Memorial de Frei Sigrist”. Queiroz informa que se reuniu com o historiador e sugeriu a criação de uma associação de amigos do memorial afim de recuperar o espaço. O secretário de Cultura também diz que “solicitou à Procuradoria Geral do município um posicionamento oficial sobre as responsabilidades da administração pública naquele espaço, mas até o momento não obtive respostas”. “Se houver uma decisão da procuradoria jurídica que este espaço deverá ser incorporado às questões oficiais e formais sob a responsabilidade da Semac, eu, como secretário, vou tentar encontrar no orçamento as condições desejadas pelo proponente desta carta.” Outro caminho apontado pelo secretário é o Legislativo. Por meio de uma emenda parlamentar dentro do orçamento da prefeitura, recursos poderiam ser designados para que a prefeitura seja responsável pela conservação do imóvel. “Hoje, dentro do orçamento que temos na Semac, não podemos fazer nenhuma ação neste sentido.” O vereador Pedro Kawai (PSDB) relata que não tem conhecimento sobre um plano de recuperação do imóvel e nem estimativa de custos para recuperar o local. “Mas estamos solicitando o posicionamento da Procuradoria Geral e Semac para depois nos posicionar”, garantiu o parlamentar

Cristiane Bonin

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