Historiadora da cidade participa de projeto estadual sobre hanseníase

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História da hanseníase mobiliza pesquisadores da região | Foto: Reprodução

Sob o nome de lepra até a década de 1970, a hanseníase ainda hoje é carregada de estigmas. Desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o “Janeiro Roxo” como mês de combate e conscientização à doença e, neste primeiro mês de 2021, um ambicioso projeto no Museu do ILSL (Instituto Lauro de Souza Lima), em Bauru, desenvolvida com recursos do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (contemplada no Programa de Ação Cultural Expresso), faz um pertinente recorte da doença, além de contextualizá-la ao período atual da pandemia da covid-19.

O projeto “Histórias Cruzadas, Caladas, Curadas” é composto por uma exposição inédita e um site (historiascruzadas-caladas-curadas.com), idealizados por pesquisadores de Bauru, Campinas e inclusive de Piracicaba – a historiadora Renata Gava, representante regional e conselheira estadual de museus no Sisem-SP (Sistema Estadual de Museus).

A história retratada na exposição, como enfatiza Renata, é a história da doença e de pessoas. “De indivíduos que sofreram com métodos utilizados, como isolamento social, como medida paliativa para tentar conter o contágio”.

Para ela, a relevância sociocultural do projeto é expor as tomadas de políticas públicas frente a um a doença milenar, com um estigma muito negativo. “Gerava medo e violência tanto aos indivíduos como familiares”, conta.

Renata explica que participou mais ativamente na curadoria do projeto, com reuniões contantes em Bauru. “Também fiquei responsável por produção de conteúdo. Uma pessoa ficava responsável por pesquisa, que nos passava e direcionávamos”.

E este é um gancho com o momento da pandemia da covid-19, ela aponta. “Vivemos, há quase um ano, convivendo com a morte, e a temendo, além do isolamento, que igualmente nos impactou muito. Vale relacionar agora com aquele período da década de 1930, 1940, quando a pessoa, que tinha sintomas, já era internada só de ir ao médico, sem direito a se despedir da família. Eram jogados em asilos, como este de Bauru, onde a violência era tremenda”.

Erick Tedesco

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