Homens da cidade raspam a barba para evitar coronavírus

Com a pandemia, Ricardo decidiu raspar a barba (Foto: Divulgação)

O medo da contaminação pela Covid-19 (novo coronavírus), que se alastra pelo Estado de São Paulo, impactou inclusive na estética masculina. Raspar a barba e manter a higiene facial foi a opção de muitos homens para evitar a exposição à doença – a prevenção é uma solução paliativa diante das tantas incertezas sobre a disseminação do vírus.

O produtor musical Rafael Pelegrino cultivou por anos a – rala – barba, mas a preocupação consigo e com sua família diante da disseminação da Covid-19 o fez ficar, desde ontem, de ‘cara limpa’. “Levei em consideração o fato de que mesmo eu estando em quarentena total, precisarei sair em algum momento para comprar comida. Portanto, tirei a barba e bigode para tentar além de buscar diminuir o risco de contágio, mostrar que também estou fazendo tudo o que for preciso na luta contra o vírus”, ele conta. A parte mais difícil de tirar toda a barba, revela Pelegrino, foi a reação do filho de um ano. “Não me reconheceu”, ri o produtor.

O administrador Ricardo A. Flávio, “em uma noite de insônia”, ele conta, raspou a longa barba, que mantinha por cerca de 10 anos. “Andei me informando sobre o assunto na mídia e, além disso, minha esposa é enfermeira/parteira, também traz o assunto saúde direto em casa”, ressalta. E bem informado sobre a Covid-19 ele está, mesmo. “Não estou na ‘área de risco’. O mais indicado de tirar a barba é para quem trabalha com saúde, pois a barba atrapalha no uso de máscaras”.

Raspar a barba neste momento, completa o administrador, é também dar exemplo aos mais jovens, deixando a vaidade de lado. “Sempre fui cuidadoso, de ir em barbearia aparar, usar óleo, creme, lavar bem. Mas, diante da situação do vírus, achei legal como forma de conscientização, de informação para a ‘molecada’ barbuda”.

Outro ex-barbudo é Michael de Menezes, fotógrafo e editor de um site de música. Foram três anos de barba cumprida, mas sempre bem cuidada – ele conta que não raramente era comparado a Lemmy Kilmister, falecido baixista e vocalista da lendária banda de rock Motörhead. “Quem me conhece a menos de três anos nunca me viu com ‘rosto de bebê’, como já disseram nas redes sociais”, se diverte.


Ricardo manteve sua barba por mais de 10 anos

O ato é também um alerta à população sobre a gravidade da situação, afirma Menezes. “Fiz a barba, não fui o único e encorajo a todos a fazer também, acredito que muito mais que uma questão de higiene é uma atitude e responsabilidade que todos devem ter, independente de estética”.

Apesar da atitude de muitos homens em raspar a barba para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, a dermatologista Raquel Keller afirma que não há evidências que comprove que o vírus fica retido na barba. “Porém, sabemos que o vírus sobrevive em superfícies por muito tempo, então, poderia permanecer na barba tanto quanto nas mãos ou nas roupas”.

Por isso, destaca Raquel, a orientação é redobrar os cuidados com a higiene e evitar levar as mãos ao rosto. “Raspar a barba pode ser mais uma iniciativa para manter a higiene e evitar a doença. Entretanto, o cuidado maior é para os profissionais de saúde que precisam usar máscaras. A barba dificulta o ajustamento correto da máscara; podendo com isso diminuir a capacidade de filtrar o vírus e impurezas”, ela finaliza.

Erick Tedesco