Religiões têm buscado alternativas para manter as orações e vibrações entre os fiéis (Foto: Amanda Vieira/JP)

Em decreto publicado ontem no Diário Oficial da União, atividades religiosas de qualquer natureza foram definidas como serviço essencial à sociedade. De acordo com o texto, definido pelo presidente Jair Bolsonaro e que tem validade imediata, sem necessidade de aprovação no Congresso Nacional, são atividades que devem funcionar durante a emergência de saúde pública decorrente da disseminação da Covid-19 (novo coronavírus), mesmo com a adoção de medidas de isolamento e de quarentena pelas autoridades.

O decreto, no entanto, é contra a determinação de reclusão para se evitar aglomerações conforme acordado tanto pelo Estado de São Paulo – o governador João Doria (PSDB) recomendou a suspensão de cultos e missas no estado – como pelo município de Piracicaba. Na semana passada, representantes religiosos da cidade se reuniram com o prefeito Barjas Negri para reforçar a necessidade de se manter fechados, ao menos até o dia 7 de abril, os locais de encontros de fiéis.

A Comunidade de Umbanda Sr. Zé Moreno das Almas, por meio do sacerdote Ronaldo Almeida, é contra o decreto do governo federal e não o acatará. “O terreiro permanecerá fechado por tempo indeterminado, até se controlar a pandemia da Covid-19”, ela ressalta. A tendência dos demais templos religiosos de matriz africana, de acordo com Almeida, é a mesma.

No entendimento do sacerdote, o presidente da República está equivocado ao comparar culto religioso como serviço essencial. “É diferente de manter em funcionamento alguns serviços como farmácia, hospital e supermercados”.

A alternativa da comunidade de Almeida é realizar rezas individuais, às segundas e quintas-feiras, sempre às 20 horas. “Rezamos para o orixá Omulú, senhor da terra e da saúde, pedindo misericórdia para que encontre a cura deste vírus. Mas faço apenas com a família em minha casa, os adeptos fazem nos respectivos lares, e assim cada pessoa faz seus pedidos”.

A Igreja Católica em Piracicaba também continuará fiel ao acordo com o município de fechar as portas durante as missas, como afirma o monsenhor Ronaldo Francisco Aguarelli, vigário-geral e páraco da Sé Catedral Santo Antônio. “Atendemos a um decreto do bispo, de que as igrejas permaneçam abertas durante o dia e, no período das missas, fiquem fechadas para se evitar aglomerações”.

Como ressalta o monsenhor, “as portas estão abertas, apesar da quarentena”. Isto é, os fiéis católicos podem adentrar às igrejas para rezar individuais e até mesmo um atendimento com padres (das 8h às 12h, tomando todas as medidas necessárias para que o contato seja mínimo e dentro das normas de saúde exigidas no momento), mas as missas são realizadas sem público. “Elas são transmitidas via internet e rádio”, destaca Aguarelli. Os horários podem ser conferidos no site da Diocese de Piracicaba: diocesedepiracicaba.org.br.

A Associação Espírita Seara do Mestre, segundo a representante Maria Antonia Guiraldo Garcia, afirma que o decreto nada muda a forma como realizam os trabalhos devido à pandemia da Covid-19. “Os trabalhos são à distância, num horário determinado para cada trabalhador entrar em sintonia e receber as vibrações”.

O Conselho de Pastores Piracicaba, assim como a Diocese, as religiões de matriz africana e os centros espíritas, aconselha às igrejas evangélicas a permanecerem fechadas enquanto o novo coronavírus for uma ameaça à sociedade.

“A reação ao decreto do presidente foi tranquilo, porque não muda nada ao que foi combinado quando fizemos uma reunião dia 18 de março no gabinete do prefeito Barjas Negri. Naquele momento, entendemos que a suspensão de cultos, assim como a Diocese de Piracicaba havia acatado pelo CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de suspender as missas, seria interessante uma atitude preventiva para o achatamento da curva da epidemia”, comenta o presidente da entidade, Fernando Favoretto. “Seguimos na recomendação aos pastores para manter os seus cultos suspensos, tendo em vista que temos recebido de recomendação da Secretaria Municipal de Saúde”.

Erick Tedesco

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