Igualdade de gênero nas empresas resulta em sucesso financeiro

Happy expert checking documents, taking notes in paper, holding pen and folder. Young African American business woman posing isolated over white background. Paperwork concept

As empresas que compreendem a importância da valorização da diversidade são as que têm melhor performance financeira e respeitadas em suas áreas de atuação. Essa é uma das conclusões de uma das pesquisas mais recentes da consultoria McKinsey (A diversidade como alavanca de performance).

Dados da pesquisa, realizada com mais de 1000 empresas em 12 países, demonstram que ter mulheres em cargos de liderança aumenta em 21% as chances de uma empresa ter desempenho financeiro acima da média. A pesquisa anterior, de 2014, mostrava que líderes mulheres melhoravam em 15% as chances de otimizar a performance financeira das empresas.

A presença da mulher em cargos de liderança ou em maior número dentro das organizações também é um ótimo estímulo de crescimento para os países. Os cálculos da McKinsey mostram que a maior participação da mulher no mercado de trabalho e em cargos diretivos têm o potencial de injetar até US$ 12 trilhões no PIB global até 2025. No Brasil, o incremento seria de cerca de US$ 410 bilhões.

“No Brasil ainda temos muito o que avançar no que se refere a presença das mulheres nas empresas, disse Liliane Rocha, empresária e consultora de Sustentabilidade e Diversidade. Ela explica que apesar dos movimentos em prol de mais igualdade e inclusão que as empresas brasileiras têm empreendido, ainda há muito espaço para melhorias.

Segundo a pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero do Instituto Ethos (2016), nas 500 maiores empresas brasileiras, mulheres na liderança são somente 13%, e quando o recorte é a raça esse número é ainda menor, com apenas 0,4% de mulheres negras líderes. Mulheres são 52% da população e cerca de 60% do contingente que sai da graduação desde meados dos anos 2000, ou seja, a conta não fecha.

“Então, o que temos que nos questionar diariamente é: onde estão estas mulheres? E por isso, é tão importante falarmos sobre contratação, retenção e promoção de mulheres dentro das grandes empresas”, indica a especialista.

E a desigualdade entre homens e mulheres não está só nas empresas. A lista atualizada da União Interparlamentar, destaca que na política, entre 189 países, o Brasil ocupa o 159º lugar em participação feminina. Mulheres brasileiras ocupam 8,6% da Câmara dos Deputados.

Esse atraso se dá principalmente por conta do machismo institucional que ainda permanece na sociedade brasileira.

Liliane Rocha viveu na pele os desafios de ser mulher e negra. Enfrentou situações de preconceito na sociedade e no mundo corporativo e por anos pode olhar de dentro das empresas o que funcionava e o que não funcionava quando o assunto era diversidade. Foram 15 anos atuando nas áreas de Sustentabilidade e Diversidade de Multinacionais. Hoje, é CEO da própria empresa e tem se tornado referência ao apoiar grandes empresas na implantação de estratégias exitosas da diversidade.