Iluminação na medida certa

Com um bom projeto luminotécnico em mãos, ambientes podem assumir a característica que se deseja atribuir a eles. Aprenda a iluminar os espaços e deixe a luz figurar sem medo

Cada cantinho da casa pode (e deve!) ser planejado como um refúgio pessoal. E, assim, a iluminação entre em cena, pois ela é a peça-chave para contribuir com a proposta almejada para determinado cômodo. Um projeto de luminotécnica eficiente valoriza e destaca objetos, cria sombras, contrastes, ressalta detalhes arquitetônicos… Enfim, produz um clima
especial ao espaço. “A iluminação de ambientes é fruto da sensibilidade em compreender a necessidade de cada espaço, qual a atmosfera que se deseja criar e o sistema ou lâmpada corretos para cada situação. Deixar quartos aconchegantes, dar um ‘clima’ para a sala de jantar, aumentar a funcionalidade de escritórios, tornar estimulante áreas como academias, e relaxantes áreas de piscinas, aumentar a segurança em áreas de passagens e garagens, proteger e destacar fachadas. Tudo isso é possível com a iluminação correta”, afirma a arquiteta Luciana Pacheco.

E ao contrário do que muitos pensam, a iluminação tanto residencial quanto comercial deve ser programada no início do projeto, e não no fim. “Na hora de construir, decorar ou ainda redecorar, um projeto de iluminação adequado pode transformar os ambientes”, ressalta Luciana. Antes de iniciar um projeto luminotécnico, a profissional relata que deve-se atentar a alguns quesitos, como perfil dos moradores, hábitos/ expectativas dos moradores em relação ao projeto, integração com os projetos já envolvidos (arquitetura, paisagismo, engenheiro civil, engenheiro elétrico), integração estética, entre outros.

LUZ, PARA QUE TE QUERO?

“Muitos profissionais cometem um erro primário num projeto luminotécnico, partindo, inicialmente, da definição de lâmpadas e/ou luminárias. O primeiro passo de um projeto luminotécnico é estudar o mais detalhadamente (possível) o projeto arquitetônico do local e suas atividades, não só do ponto de vista funcional, mas também espacial, estético e arquitetônico, a fim de se determinar o quê e como iluminar”, destaca Luciana.

HALL DE ENTRADA

Segundo a arquiteta, a iluminação de recepção deve ser convidativa, pois é o espaço onde o visitante terá a primeira
impressão da casa. “O hall de entrada deve permitir a identificação do local e a recepção dos convidados. A luz interna colabora também para a iluminação da fachada porque o restante do espaço da área externa sai da penumbra. A iluminância, mesmo pequena, deve permitir uma visualização do espaço como um todo”, diz Luciana.

SALA DE ESTAR

Sendo um dos ambientes mais frequentados de uma casa, a sala de estar, para Luciana, deve proporcionar uma iluminação flexível e agradável, de acordo com cada situação. “O primeiro passo é estabelecer uma iluminação geral para o ambiente. Neste caso, uma boa saída é a iluminação direta por meio de arandelas, lustres, pendentes, colunas ou abajures de cúpula translúcida, que iluminam de maneira agradável ou indireta por meio de sancas, evitando, assim, o ofuscamento”, diz. Já o segundo passo está relacionado à iluminação de destaque, como em coleções de quadros e estantes. “Nesse caso, podem ser utilizados embutidos orientáveis, de modo a proporcionar uma boa superfície iluminada, mas deve-se evitar instalá-los sobre os sofás e assentos, para não causar um desconforto pelo ofuscamento direto. Recomenda-se luz indireta próxima da TV; além de iluminar os espaços ao seu redor, evita o ofuscamento”, acrescenta.

SALA DE JANTAR

Este cômodo da casa merece atenção especial, já que a iluminação sobre a mesa de jantar é um dos destaques do ambiente. “Podemos iluminar com uma luz forte dirigida para baixo, que acentua a localização da mesa, destacando-
-a. Contudo, este tipo de distribuição, se usada sozinha, ilumina as superfícies de maneira pobre, causando sombras muito ‘duras’. Uma luz forte para baixo deve ser mantida afastada dos rostos das pessoas (ou seja, confinada no centro da mesa) ou balanceada com uma luz indireta do tampo da mesa, do forro ou das paredes”, enfatiza a arquiteta.
O tipo de acabamento do tampo da mesa também influencia na escolha da distribuição da luz, segundo a profissional.
“Luz para baixo pode causar reflexos irritantes a partir de superfícies brilhantes, como vidro ou mármore”.
Para Luciana, o pendente sobre a mesa é uma das soluções mais usuais; é instalado, no mínimo, a 70 cm acima do tampo para evitar o ofuscamento nos olhos de quem senta à mesa. “Escolha lustres que sejam pelo menos 30cm menores em diâmetro que a menor dimensão da mesa de jantar, e utilize lâmpadas leitosas ou com difusores. Outra opção é o embutido no forro, iluminando diretamente o centro da mesa de jantar e os planos verticais”.

DORMITÓRIO DE CASAL

No refúgio de casais, “a luz deve ser geral, difusa, uniforme e com bom controle de ofuscamento para contribuir com quem tem o hábito de ler à noite”. A iluminação de cabeceira, com luminárias em cima do criado mudo, também favorece a leitura,
segundo a arquiteta. “Esta luz pode ser indireta por meio de uma sanca ou nichos iluminados, também chamados de cortinas de luz. Nesse caso, a fonte tem que ser leitosa e ter uma temperatura de cor quente. Já o uso de sistema de controle de luz centralizado, permite grande flexibilidade e dimerização”, salienta.

BANHEIRO

Nos banheiros, a atenção se volta à iluminação de espelhos. “É fundamental o uso de luz difusa, posicionada nas laterais ou sobre ele (espelho), de tal forma que ilumine o rosto como um todo e não cause ofuscamento. Não utilizar lâmpadas focais direcionadas porque marcam todos os detalhes do rosto”, alerta a profissional.
Luciana ainda destaca que deve-se evitar o uso de fontes pontuais sobre a bancada e cuba. “Hoje, há lâmpadas fluorescentes tubulares com elevado índice de reprodução de cores, que podem ser utilizadas em luminárias embutidas com difusores em acrílico ou vidro leitoso, pois emitem uma luz uniforme e adequada”.

COZINHA

No ambiente do preparo das refeições da família, Luciana atenta ao fato de que a utilização da luz difusa deve ser utilizada ao máximo, já a luz pontual deve ser pouco explorada para evitar reflexos, principalmente nos pisos. “A luz deve ter uma iluminância elevada e boa reprodução de cores. Utilizar lâmpadas fluorescentes de alta temperatura em torno dos 4.000 K. No plano de trabalho, na bancada da cuba e nas áreas de apoio, a iluminação pode ser instalada na base dos armários (com) luminárias de LEDs”.

Cuidado especial em cena
Luciana ressalta uma atenção extra com a homogeneidade estética entre piso, acabamento, mobiliário e pendente, caso seja utilizado na cozinha.

Pia
“Uma opção é usar embutidos ajustáveis localizados de ambos os lados da pia e posicionados ao redor. Uma luz instalada em cima do centro cria sombras debaixo das mãos”, frisa a arquiteta.

Bancadas
“Cuidado ao utilizar luz sobre os armários superiores ou embutidos orientáveis localizados sobre a linha final da bancada, e aos lados da área de trabalho principal, porque podem fornecer luz muito forte. Atentar para a correta coordenação entre os arcos de luz ou arremates com as superfícies da parede e da bancada. Ter ainda mais cuidado ao localizar luz para baixo
(downlighting) aparente, que não seja embutida, para que não ‘bata’ diretamente sobre o usuário do balcão”.

Sobre armários
“Utilizar luz indireta ou refletida do forro (acabamento fosco) para que se tenha uma iluminação completa em toda a cozinha”.

DICAS

A profissional destaca a seguir informações sobre os diferentes estilos de iluminação e para quais cômodos e situações são ideais. Inspire-se e mãos à obra!

 A iluminação assimétrica destaca elementos, como quadros e objetos; também define os espaços verticais, além de ampliar o ambiente.

 O ofuscamento pode ser causado por luz incidente diretamente de uma fonte de luz, ou indiretamente, por meio de
reflexos indesejados. É uma condição da visão em que há desconforto ou redução da capacidade para ver detalhes ou
objetos.

 Atenção ao iluminar uma superfície lisa, pequenos defeitos são realçados pela luz.

 A luz com aplicação de cor, embutida na parede ou no piso, permite valorizar paredes texturizadas.

 A luz natural é muito importante num projeto residencial, ela deve ser aproveitada, sendo redirecionada para a distribuição no interior dos ambientes.

 Nunca utilize sancas em cozinhas, pois precisamos facilitar a limpeza. O uso de luminárias fechadas facilitam a limpeza e
a manutenção.

 Para pessoas que leem por um período prolongado no quarto, recomenda-se o uso de luminárias de luz difusa. Esse efeito
pode ser obtido por meio de abajures, pendentes ou arandelas.

Da Redação

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