Imune à pandemia, setor agro tem crescimento recorde

800 novas empresas do setor agro foram abertas no prazo de 12 meses (Foto: Amanda Vieira/JP)

De acordo com a pesquisadora em macroeconomia, Nicole Rennó, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a agropecuária é resiliente a crises. Em meio às dificuldades atuais não tem sido diferente e o agronegócio teve crescimento recorde. Em Piracicaba, entre 2019 e 2020, esse foi o único segmento com saldo positivo de criação de novas empresas. Segundo a Pesquisa IPC Maps, 800 empreendimentos foram criados entre abril de 2019 e abril de 2020, levando em consideração o cenário da crise. O aumento foi de 16%: eram 4.992 em 2019 e, neste ano, 5.791.

Ao analisar dados da mesma pesquisa desde 2017, é possível observar que o agronegócio não tinha crescido tanto desde então. De 2017 para 2018, foram 29 novas empresas. De 2018 para 2019, mais 126. Já de 2019 para 2020, um salto: mais 800.

Do ano passado para este, os outros setores da economia, como indústria, serviço e comércio, registraram saldo negativo de empresas na cidade de 608, 1.096 e 3.436, respectivamente.

Segundo o economista Francisco Crócomo, professor da EEP (Escola de Engenharia de Piracicaba) e da Fatep (Faculdade de Tecnologia de Piracicaba), a tecnologia aplicada ao agronegócio tem contribuído para o bom e diversificado desempenho do setor na cidade. Ele pontua, nesse sentido, a encubadora EsalqTec. “Tem muito a ver com a gestão tecnológica, pequenas empresas se iniciam. Piracicaba tem destaque inclusive no Estado e no Brasil, nós temos agribusiness, então não é só a questão da cana – açúcar e álcool e biocombustíveis, também outras áreas dentro da agricultora. E o Brasil é forte nisso”, avalia Crócomo.

Nicole lembra que, dentro do agronegócio, o setor que sustentou o crescimento foi a agropecuária. “Ela impulsiona também o que chamamos de agrosserviços, continuou produzindo, exportando, demandando esses serviços de transporte e comercialização e outros serviços gerais”, explica.

Tanto para Crócomo quanto para Nicole, fator que contribuiu para que o consumo dos alimentos não parasse foi o auxílio emergencial.

Crócomo avalia ainda que muitas empresas dos demais setores não aguentaram a crise porque os recursos oriundos do governo federal nesse momento não chegaram aos pequenos.

Andressa Mota