Incêndio em Serra de São Pedro pode prejudicar reprodução de aves, diz ambientalista

Está programada uma nova avaliação nesta quarta-feira (Foto: Fábio Geronimo)

O incêndio que atingiu a Serra de São Pedro desde a última sexta-feira (11) pode comprometer a reprodução de várias espécies de aves e pode causar colapso para a vida silvestre. O alerta é do ambientalista e observador de aves, Gustavo Pinto. Uma força-tarefa está atuando no combate ao incêndio, que chegou ao fim, mas nesta quarta-feira (16) está prevista uma nova avaliação está programada. Duas aeronaves do Águia da Polícia Militar e uma aeronave agrícola foram utilizadas durante as atividades.

“Os danos destas queimadas são enormes, principalmente com as aves, pois elas estão em um período reprodutivo, mas em decorrência das queimadas não será possível a construção de ninhos e também faltará alimentação para os filhotes. Faltarão sementes para os caboclinhos que passarão por sua migração por aqui até chegar ao sul do país.

Falta de frutos para as saíras, pássaros pretos, sábias e entre outros”, afirmou o ambientalista, que definiu que a lista da fauna que está prejudicada. Entre eles também estão os aparaçus que são dependentes de insetos, além de cotias, macacos, micos, jaguatirica, onça parda, quatis, que habitam na região de serra.

Segundo Gustavo, as aves estão acabando de sair do inverno, passaram pelo período de troca da plumagem, que é um processo doloroso, ficaram menos ativas, mas mais bonitas para a primavera, que é o período reprodutivo. Após a queimada não será possível fazer os ninhos, o macho não terá condições de alimentar as fêmeas no ninho, pois não encontrarão alimento. “A saíra, por exemplo, geralmente tem três filhotes e se salvar um será um sucesso, no entanto, terá dificuldades para conseguir alimento”, enfatizou.

INCÊNDIO

De acordo com a Prefeitura de São Pedro, nesta terça-feira, no quinto dia de intenso combate ao fogo que atingiu a serra de São Pedro terminou com avaliação positiva da operação. “O que vemos agora são alguns pontos de fumaça, não há mais pontos visíveis de fogo”, disse o comandante da base do Corpo de Bombeiros em São Pedro, o sargento Ricardo Migatta.

O comandante explicou que os dois helicópteros Águia, da Polícia Militar que trabalham desde sábado no combate às chamas, manteriam os vôos até o final da tarde, enquanto o céu estivesse claro, e que as equipes fizeram também o monitoramento por solo, na região do bairro Capim Fino, mas em alguns locais não foi possível ter acesso.

“Não podemos baixar a guarda. O panorama atual é bom, mas vamos manter o monitoramento de toda a área e os pontos de fumaça ainda são motivo de preocupação”, avisou Migatta.

Equipes das bases do Corpo de Bombeiros de São Pedro e Piracicaba receberam apoio da Polícia Militar Ambiental, funcionários da brigada de incêndio do município, guardas-civis, além de funcionários das Secretarias de Obras, Governo e Turismo, Cultura, Esportes e Lazer.

Cristiani Azanha

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