Índice de chuvas é o 2º pior em 10 anos e estiagem continua

Cidade vive 45 dias de estiagem; virão mais 60 dias

Umidade em baixa requer cuidados com todas faixas etárias, principalmente com idosos: veja dicas.

Até junho deste ano, o acumulado de chuvas é o segundo pior nos últimos dez anos. Durante o primeiro semestre, caiu em Piracicaba 475,1 milímetros de chuva. Mais baixo que 2021 só em 2014, quando choveu 349,7 milímetros. Os dados são do posto meteorológico da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), que prevê mais 60 dias de seca pela frente.
Se hoje não chover, a cidade completa 45 dias de estiagem. A última chuva foi em 22 de maio, com um total de 15 milímetros. O professor do departamento de Engenharia de Biossistema da Esalq, Felipe Gustavo Pilau, destaca que o Verão também foi seco, com chuvas abaixo do esperado. “O nosso Outono foi a mesma coisa e o Inverno, agora, talvez seja mais seco que o esperado. A cana-de-açúcar, principal cultivo da região, vem sentindo o fenômeno e resultando em menor produtividade devido à Primavera e Verão com pouca chuva.”
A meteorologista Ana Maria Ávila, do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), confirma a estiagem na cidade. “O levantamento com os dados da Esalq está correto. Estamos num ano que só não está mais seco do que 2014. A situação é mesmo bem complicada. Dezembro, janeiro e fevereiro concentram cerca de 50% das chuvas do ano, mas fenômenos meteorológicos esperados para esta época não aconteceram.” Segundo Felipe Pilau, o volume de chuvas esperado para julho e agosto não passa de 30 milímetros para cada período. “A expectativa de chuva começa em setembro, com média de 50 milímetros. Mas as chuvas só devem se intensificar a partir de outubro, com as massas e umidade provenientes do Norte do Brasil. Nestes dois meses, julho e agosto, salvo haja uma frente fria mais forte, serão meses bem secos.”
Ana, do Cepagri, também estima, com base na climatologia, chuvas mais significativas na segunda quinzena de outubro a novembro. Ela observa que a situação de estiagem compromete o abastecimento água, geração de energia elétrica e agricultura, impactando, inclusive, nos preços de alimentos e no nosso dia a dia, com possíveis racionamentos.

UMIDADE & SAÚDE
Ontem, o índice de umidade relativa do ar ficou em 37%. A Defesa Civil de Piracicaba classificou a situação local como Estado de Observação. Os clássicos da estiagem quanto à saúde são irritações nos olhos e garganta e ressecamento da pele, assim como alergias, gripes e resfriados. “Pessoas com comprometimento cardíaco têm 50% maios chances de ter um AVC nestas condições climáticas”, destaca a médica geriátrica da Santa Casa de Piracicaba, Mariana Kairalla. Ela informa que os cuidados são basicamente os mesmos de uma criança, adolescente ou adulto. “Mas a atenção deve ser redobrada porque o sistema imunológico do idoso costuma ser mais frágil, o que facilita o surgimento de doenças e agravamento de outras.” Ela recomenda hidratação com água e frutas, sol por tempo reduzido, maior frequência na troca de roupas de cama e arejar o ambiente.

Cristiane Bonin

[email protected]

Leia Mais:

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

cinco × 2 =