Infectologista minimiza transmissão por ‘santinhos’

Recomendação é de lavar as mãos após pegar no papel. (Foto: Claudinho Coradini)

Os ‘santinhos’, pequenos folhetos com rosto, número e palavras chaves de candidaturas ao Executivo e Legislativo, são fenômenos exclusivos aos últimos meses de períodos eleitorais. É, aliás, quando muitos são ilegalmente espalhados pelas ruas, deixados por baixo da porta de apartamentos em prédios, caixas de correio ou, então, distribuídos em mãos aos cidadãos, e este contato, em meio à pandemia da covid-19, pode ser evitado.

A transmissão do vírus por meio do papel, apesar de possível, segundo o médico infectologista Arnaldo Gouveia Junior, do HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana), é um “excesso de preocupação”. “A transmissão é direta. É claro, risco tem, principalmente se alguém espirrou em cima do santinho, mas a distribuição, espera-se, acontece com máscara e uso do álcool em gel”.

O infectologista conta que, na década de 1980, pesquisas não verificaram riscos elevados na transmissão de doenças por vírus ou bactérias em notas de dinheiro.

Além disso, o médico explica que o vírus tem vida curta e baixa carta de transmissibilidade no papel, como é o caso dos santinhos. “É clinicamente irrelevante. Quando se fala que o vírus dura em diversas plataformas por dois ou três dias, é levado em conta uma pesquisa em ambiente fechado e sem exposição ao sol – a covid-19 é sensível aos raios ultravioleta”.

A recomendação de Arnaldo para quem eventualmente for abordado por pessoas de campanha que entregam santinhos é higienizar sempre as mãos após pegar em objetos e manter o distanciamento social. “Existem questões mais relevantes quanto à transmissão da covid-19 neste momento, por exemplo, devido à flexibilização da pandemia, as ruas e estabelecimentos novamente ocupados por muita gente”.

No entanto, o assunto ainda assusta, com é o caso de um advogado piracicabano, que preferiu não se identificar. Ele perdeu o pai na luta contra a covid-19 e diz temer a forma como a distribuição de santinhos pode potencializar a disseminação. “Hoje as mídias sociais oferecem múltiplas possibilidades de divulgação, sem expor pessoas neste momento, que é de cautela. Muito pouco se sabe sobre esta doença”. 

Erick Tedesco
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