Infectologista tira dúvidas e orienta sobre novo coronavírus

Hamilton Bonilha é infectologista e diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-10). (Crédito: Claudinho Coradini/JP)

O infectologista Hamilton Bonilha, que também é diretor do DRS-10 (Departamento Regional de Saúde de Piracicaba), tirou dúvidas e deu orientações a respeito do novo coronavírus em entrevista ao Jornal de Piracicaba. Para o médico, é importante focar na prevenção. “Bloqueando a transmissão do vírus é que nós vamos poder resolver e acabar com essa epidemia”, avalia.


Em Piracicaba não há casos confirmados da doença, mas são 22 suspeitos. De acordo com Bonilha, o prefeito Barjas Negri (PSDB) se reuniu, na noite de sexta-feira (13), com diretoria dos hospitais da cidade e secretarias municipal e estadual de saúde para discutir um plano de contingência. Também estuda-se, de acordo com o infectologista, um local apropriado para o isolamento dos casos que virem a se confirmar. Bonilha afirma que os médicos e todos os hospitais da cidade estão preparados para atender aos pacientes.




Pela alta proliferação, a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou o novo coronavírus como pandemia nesta semana. O médico lembra que os sintomas da doença não diferem de uma gripe, mas quando o indivíduo apresentar febre alta e falta de ar já deve procurar o hospital. Antes disso, não é aconselhável. “O ideal é a pessoa procurar se realmente não estiver sentindo-se bem, aquele indivíduo que começar a ter febre alta, ter alguma falta de ar, aí sim deve procurar o médico”, comenta.


Bonilha enfatiza ainda a importância de alguns hábitos para prevenção, como o uso de álcool em gel 70%, pois ainda não há remédio nem tratamento específico para a Covid-19. “A higienização das mãos é fundamental, então a lavagem das mãos, a questão da etiqueta respiratória, vai tossir, vai espirrar, sempre não colocando as mãos e se puder usar um lenço descartável, isso é fundamental”, pontua.


Mesmo a Covid-19 tendo taxa de mortalidade baixa, Bonilha ressalta a necessidade de cuidados com idosos, por exemplo. “Os casos de mortalidade são em torno de 3,4%, não é uma mortalidade alta, mas principalmente em pessoas idosas, que podem ter realmente um acometimento mais grave da doença ou então aquele indivíduo que já tem um problema pulmonar, ou um problema cardíaco prévio, ou indivíduo diabético, são pessoas que têm maior risco de ter uma gravidade da doença”, lembra.


Os exames podem ser feitos na rede pública e em convênio médico, conforme informou Bonilha. “No convênio, o resultado do exame chega a ser até 72 horas. Os dados que eu tenho do Adolfo Lutz [laboratório para o qual são enviados exames da rede pública no estado] é que quando o exame é positivo é avisado rapidamente o hospital […], quando o exame é negativo, eles demoram mais para avisar”, explica Bonilha ao lembrar que o exame é realizado por meio da coleta de secreção nasal dos indivíduos com os sintomas.

Andressa Mota

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