Infectologistas da cidade pedem a manutenção do isolamento social

De acordo com Hamilton Bonilha, Piracicaba ainda não se conscientizou da importância de ficar em casa (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Entrou em vigor nesta semana o decreto de fechamento do comércio durante 15 dias em Piracicaba, imposto pela Prefeitura, com o objetivo de promover o isolamento social, medida recomendada pelos profissionais de saúde para impedir a propagação do coronavírus (Covid-19), doença responsável pela atual pandemia. A medida desagradou parte da população, que pensa nos possíveis efeitos na Economia em razão deste isolamento.

O infectologista da Santa Casa, Hamilton Bonilha, se mostrou totalmente contra a quebra do isolamento social, enfatizando que é uma medida que não deve ser tomada. “A única forma de conter essa pandemia e como mostra os estudos, é o isolamento social. Esse período de 15 dias que foi decretado é de muito importânte para nós não termos a saturação do serviço de saúde”, comentou.

Bonilha disse que se as atividades dos serviços não essenciais voltarem, acarretará em mais infectados na cidade, e se preocupa com declarações polêmicas de autoridades que deveriam selar pelo bem da nação. “Infelizmente com as declarações que estão sendo dadas, principalmente pelo presidente da república (Jair Bolsonaro), na qual incentiva o retorno ao trabalho, tentando abrir o comércio e aumentando o fluxo de pessoas, são coisas que vão contra aquilo que é recomendado pela comunidade científica”, explicou.

O infectologista disse que percebeu que a população piracicabana ainda não aderiu completamente ao isolamento, já que sentiu na pele essa atitude, já que o fluxo de pessoas nos hospitais aumentou. “Elas estão caminhando, fazendo atividades físicas nas ruas, procurando serviços médicos na qual poderia ser adiado ou reagendado a consulta”, comentou.

Em sua concepção, a principal consequência desta irresponsabilidade será a saturação nos hospitais da cidade. “Mesmo com Piracicaba aumentando o número de leitos hospitalares pode não ser o suficiente, portanto a única forma é o isolamento social que tem que ser feito a qualquer custo. Não se sabe o que isso terá de impacto na economia, mas também não adiante perder milhares de vidas, que no ponto de vista da saúde pública será uma catástrofe se isso acontecer”, comentou Bonilha, enfatizando o que ocorre em outros países. “Os profissionais da saúde estão na linha de frente. Na Espanha, 14% dos infectados são da área da saúde, já que esse vírus é transmitido muito fácil, portanto se você não tiver prevenção, começaremos a ver muitas baixas nessa área”, completou.

O infectologista do HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana), Arnaldo Gouveia Junior, disse que o isolamento social é de grande importância ara a saúde, para ter mais estruturar quando receber casos graves, como idosos. “Sabemos que, de uma forma ou outra, mais de 50% da população brasileira estará infectada. Contudo, se todos esses casos se concentrarem em dois a três meses, numa epidemia explosiva, não só morrerão doentes pelo coronavírus, mas também pessoas com câncer, traumatismos, infarto, apendicite e outros, nas portas de hospitais já superlotados pela COVID 19”, detalhou.

Procurado pela reportagem, o Hospital Regional de Piracicaba (HRP), não indicou nenhum infectologista, apenas mandou uma nota na qual se posiciona a favor das recomendações da Secretaria de Estado de Saúde (SES), de manter o isolamento social.


EXEMPLO DOS VIZINHOS DA CHINA
Com o surto do Coronavírus na cidade de Wuhan, na China, no mês de janeiro, o vírus se espalhou rapidamente no país, adoecendo e matando milhares de pessoas. Após os primeiros dias, o vírus atravessou fronteiras, os principais vizinhos do terceiro maior país do mundo em expansão foram os primeiros a sofrer com essa doença, como o Japão, Irã e Coreia do Sul, que também sofre com o contágio e morte de seus cidadãos. Em contrapartida, com mediadas eficazes e pontuais, outros vizinhos têm sofrido pouco com a doença, como são os casos de Taiwan, Hong Kong e Singapura.

Além da distância geográfica com a China, o que esses países têm em comum foi o pesadelo que sofreram em 2003, com a epidemia de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), outro vírus que se originou na China, os países colocaram novas medidas em ação. Taiwan criou um centro de controle de epidemia após o surto no começo do século, com isso, logo em janeiro, o governo já compilou uma lista de 124 itens de ação, que incluíam controle de fronteiras, políticas escolares e de trabalho, planos de comunicação pública e avaliação de recursos hospitalares.

Na Singapura, os protocolos de quarentena e isolamento social são rigorosos, a ponto de utilizar punições pesadas com seus cidadãos. O país também oferece uma remuneração aos trabalhadores autônomas e proíbe os empregadores de descontarem os dias de quarentena nas férias. Em Hong Kong, o distanciamento social também foi colocado em prática, com o fechamento de escolas até a Páscoa, empresas deixaram de funcionar ou mandaram seus funcionários trabalharem em casa (home office), além de contar o isolamento voluntários de sua população.

Até a tarde da última sexta-feira (27), Taiwan, Singapura e Hong Kong tiveram 267, 732 e 518 casos, respectivamente. O número de mortes no total foram oito, sendo dois em Taiwan, dois em Singapura e quatro em Hong Kong.

Mauro Adamoli

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