Informação vence o preconceito e inclui pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Gislaine, 28, foi diagnosticada ano passado com TEA (Foto: Amanda Vieira/JP)

“No início eu não aceitei muito bem, eu tinha uma visão esteriotipada a respeito do autismo, mas após pesquisas eu me identifiquei muito e hoje me sinto pertencente a um grupo. Antes eu não sentia pertencimento em lugar algum”, relata Gislaine Costa Nogueira, 28, diagnosticada com Síndrome de Aspenger, um tipo de autismo, no ano passado. É para levar conhecimento e desconstruir preconceitos como a Gislaine fez ao pesquisar como o transtorno, que hoje é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2007.

“O Transtorno do Espectro Autista [TEA] é uma condição do neurodesenvolvimento, de início precoce, ou seja, os sinais e sintomas estão presentes nos primeiros anos de vida, antes dos três anos, caracterizado por prejuízos persistentes na comunicação e interação social, associado a padrões de comportamento, interesse e atividades restritos, rígidos e estereotipados”, explica Deborah Kerches, neuropediatra especialista em TEA e saúde mental infantojuvenil.

Gislaine encontrou muitas de suas respostas e terapias para o autismo no IAP (Instituto Autismo de Piracicaba), que oferece atendimentos para crianças, jovens e adultos com TEA por meio de profissionais da fonoaudiologia, psicologia, educação física, psicopedagogia e terapia ocupacional. Em Piracicaba, a Auma (Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Piracicaba) também oferece esses serviços visando que o transtorno seja compreendido e o preconceito acabe.

Com mais informações sobre o assunto, Eliana Saliba – terapeuta e diretora do IAP, acredita que melhores ações de inclusão para pessoas com TEA seriam colocadas em prática. “[Para] Pessoas que não aguentam muito barulho nas festas, podemos diminuir o volume do som, não colocar bexiga; diminuir a luz – para aqueles que apresentam hipersensibilidade à luz”, diz. “Fazer adaptações escolares realmente mais efetivas levando em consideração o perfil individual desta criança ou adulto”, pontua Eliane.

A neuropediatra Deborah lembra que quanto mais precoce o diagnóstico de autismo, melhor, pois assim a criança já é introduzida ao tratamento multidisciplinar. “A intervenção precoce é determinante para aquisição de novas habilidades, aprendizados, para o desenvolvimento social, autonomia e qualidade de vida”, lembra.

Há dois anos Cristiane de Oliveira, social mídia, passou pelo processo de diagnóstico de autismo de seu filho de 8 anos. “O principal desafio é aceitação principalmente dos pais. […] A inclusão começa dentro de casa”, reflete. “As pessoas acham que no autismo, eles são só agressivos, não, o autismo tem vários graus, o leve, moderado, grave, gravíssimo. As pessoas têm que ter informação”, salienta Cristiane.

O conselho que Cristiane dá para as mães de autistas, além de cuidar da própria saúde mental devido às cobranças, “é acredite no potencial do seu filho. […] porque as pérolas são pedras preciosas e Deus não entrega as pedras preciosas para qualquer pessoa e eles são seres especiais, com muita luz”, reflete.

Andressa Mota

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