Insegurança jurídica e crises hídrica e energética preocupam Cançado

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Marcelo Cançado é o atual presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) e diretor administrativo da Rede Drogal Farmacêutica, uma empresa familiar do ramo varejista de medicamentos fundada em 1935, em que ele atua desde 1984. Cançado é administrador de empresas e pós-graduado em Marketing de Varejo pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Piracicabano da gema, aos 52 anos, conta com um currículo extenso e muitas responsabilidades, incluindo os cuidados com os três filhos Ramon, Gustavo e Rodrigo. Casado com Roberta Pierozzi Cançado, ele também já é avô de Marília e Daniel. Nessa entrevista, o presidente da entidade conta as novidades da Acipi e fala sobre os cenários econômicos, inclusive suas projeções para o Natal em Piracicaba.

1) Há dois meses no cargo de presidência, o que mudou entre suas expectativas e planos para os setores de comércio, indústria e serviços?
Há quase dois anos, o mundo está passando por um dos períodos mais críticos das últimas décadas. A Acipi, enquanto uma entidade de classe, com responsabilidade social e que trabalha ativamente em prol das suas 6 mil empresas associadas e de toda comunidade piracicabana, vem, dia a dia, atuando estrategicamente para fomentar a economia local, e acredita no potencial econômico de Piracicaba, ainda mais agora que somos denominados como Região Metropolitana de Piracicaba, uma referência em desenvolvimento no interior do Estado de São Paulo. Ainda com reflexos dos efeitos negativos da pandemia na economia, não só de Piracicaba, mas no Brasil inteiro, começamos a ver sinais de aquecimento nos setores do comércio e da indústria, bem como o de serviços. Este último, um dos mais afetados, começou a respirar novamente com o relaxamento das restrições de horário e capacidade devido ao avanço da vacinação contra o covid-19. Esperamos que a retomada, ainda que ritmo mais lento, siga como uma realidade na nossa cidade, sobretudo, com a chegada dos últimos meses do ano que configuram o período de festas e férias.

2) Quais são seus maiores projetos para cada setor mencionado acima? Cada setor carece especificamente de quê?
Principalmente para o comércio e serviços, o primeiro passo é a recuperação do que foi perdido durante este período de pandemia. Com a reabertura e a flexibilização, as empresas agora podem se planejar para os próximos meses. Por isso, a importância de toda a população ser vacinada e tomar os devidos cuidados ainda necessários para a consequente queda da contaminação no país.

3) O pequeno empresário historicamente sofre mais forte os impactos de uma economia desacelerada. O quadro soma-se à pandemia de covid-19. O que a Acipi pode oferecer para este grupo para alavancagem dos negócios?
A Acipi oferece diversos serviços e benefícios para associados e população em geral. Nosso foco é o desenvolvimento de pequenos e médios negócios, sejam eles comerciais, industriais ou de prestação de serviços. Entre essas soluções estão linhas de crédito com condições diferenciadas, certificados digitais com preços reduzidos, consultas ao SCPC, atendimento ao MEI. Também temos adesão a convênios médico, hospitalar e odontológico com valores diferenciados. A Acipi possibilita descontos nas mensalidades de escolas e faculdades, em cursos presenciais e também EADs, por meio de convênios com as melhores instituições de ensino da cidade e região.

4) Nos Estados Unidos houve uma aprovação de pacote da ordem de R$ 4,6 trilhões para auxílio a pequenas empresas e desempregados. No Brasil, o programa Peac-Maquininhas foi estimado em R$ 10 bilhões para microempreendedores individuais e micro e pequenas empresas. Com base nessas informações, qual é a sua avaliação sobre a importância do socorro ao empresariado vindo do Estado?
As medidas governamentais, de forma geral, são muito importantes para esse “socorro empresarial”. Afinal, muitas empresas têm sofrido com os impactos do cenário econômico brasileiro. Porém, é fundamental, também, que o empreendedor esteja preparado para usar esse recurso de forma estruturada e muito bem pensada. Neste sentido, a Acipi também isentou, por um período durante a pandemia, o pagamento das mensalidades, justamente para auxiliar os empresários nesse momento difícil.

5) Com a mirrada no auxílio emergencial, muitos analistas acreditam que o Natal de 2021 será pior que o de 2021. Qual é sua análise para a economia local no curto prazo, até dezembro?
Como disse, esperamos que a economia, por meio das vendas e uso de serviços, siga crescendo. Essa é a tendência, mesmo que em ritmo mais desacelerado. Mas não podemos nos esquecer de que o poder de compra do consumidor está sendo afetado negativamente pela alta da inflação. Temos o aumento dos preços de produtos indispensáveis como alimentos, combustíveis e energia elétrica. Tudo isso deve, sim, refletir nas vendas de Natal deste ano. Como forma de aquecer o mercado e oferecer mais opções às empresas associadas, em mais um ano, a Acipi está realizando suas campanhas promocionais, que premiam consumidores e vendedores participantes. Por meio de um valor simbólico, os associados interessados puderam aderir às campanhas e possibilitar que seus clientes concorram a prêmios como carros, motos, televisores, bicicletas, entre outros itens. A próxima campanha é a de Dia das Crianças, seguida da de Natal. A intenção é aquecer a economia local.

6) E para 2022, quais são suas expectativas?
A expectativa é de retomada, principalmente com o avanço da vacinação. Esperamos que o ritmo de crescimento seja acelerado no próximo ano. E a Acipi tem preparado um planejamento importante para 2022, com estratégias voltadas ao fomento da classe empresarial local, bem como da população como um todo.

7) Qual é sua impressão sobre o nível de confiança atual do empresariado piracicabano e por quê?
O comportamento do emprego em Piracicaba segue aquecido no bimestre, apesar de em menor ritmo que o estadual e nacional. Segundo dados do Boletim de Conjuntura da Acipi, com um saldo absoluto de 864 novos empregos e uma variação de 0,72%, a cidade apresentou uma diferença de -10 pontos percentuais em relação ao Estado de São Paulo, que foi destaque como a UF com os melhores saldos no mês de julho. O maior volume de contratações no município se deu no setor de serviços, que foi o mais penalizado durante o ano de 2020 e que agora, pouco a pouco, se recupera. No que se refere ao movimento de negócios, descrito pela abertura e fechamento de empresas, foi possível notar um “boom” de aberturas de Micro Empresas, que somaram novas 1.654 empresas em Piracicaba no bimestre, seguindo a tendência do bimestre passado. Esse crescimento dos MEIs, reflexo da Medida Provisória (MP) que facilitou este processo, representa o esforço dos trabalhadores em busca da formalização, uma alternativa de obtenção de respaldo jurídico no cenário incerto e de redução de empregos formais na economia, haja vista que 74,3% destas aberturas encontram-se na faixa de capital de até R$ 10 mil. Com dados surpreendentes, as exportações em Piracicaba seguem em alta, com crescimento de 21% em relação ao primeiro semestre do ano passado, totalizando 1 bilhão de dólares. Muito deste resultado se deve ao bom momento das commodities agrícolas, visto que mais de 60% das exportações foram maquinários voltados para o campo. Para mais, até agosto de 2021, Piracicaba aponta um déficit de US$ 494,35 milhões na balança comercial. Entretanto, os principais produtos importados são bens de capital incluindo reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, indicando investimento no desenvolvimento industrial do município. Todos esses dados refletem um cenário positivo de confiança do empresário, que deverá se manter durante os próximos meses, principalmente com a chegada do Natal, período importante de vendas para o comércio local.

8) O que mais te incomoda no cenário brasileiro atualmente e quais suas ideias para saídas da crise econômica?
Eu acredito que a insegurança jurídica é uma das questões que mais preocupam não só a mim, mas todo empresário brasileiro. Essa é a base para empreender, gerando empregos e renda, fazendo a economia girar. Esperamos pela reforma tributária e administrativa, só assim o micro e pequeno empreendedor terá fôlego para seguir empreendendo.

9) Agora sobre meio ambiente, qual sua avaliação quanto os impactos da crise hídrica e energética? Quais conselhos daria aos empresários diante da iminência de desabastecimento de água e luz?
Como qualquer brasileiro, sigo preocupado com os efeitos da crise hídrica e energética no Brasil. Além dos grandes impactos no meio ambiente, já estamos sofrendo com as consequências com o aumento nas contas de energia elétrica. Também, a fim de evitar o desperdício de água e economizar energia elétrica, atitudes que todos os cidadãos devem fazer, o empresário deve considerar os aumentos nas contas mensais e se planejar para otimizar o uso desses recursos nas empresas. Só assim, poderemos evitar o desabastecimento.

Cristiane Bonin
[email protected]

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