Insuficiência renal em gatos

Ao perceber qualquer alteração no comportamento de seu gato, leve-o ao veterinário. (Foto: Divulgação)

A preferência por gatos tem aumentado entre os tutores brasileiros. Sim, os cães ainda são a paixão nacional, mas os felinos estão a cada dia ganhando os corações em novos lares. Segundo a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), o número de gatos entre 2013-2018 aumentou 8,1%, enquanto que entre os cães esse percentual foi de 3,8%. Em 2019 são 23,9 milhões de gatos e 54,2 milhões de cães, nos lares do Brasil. Longe de maléficos ou mesquinhos como algumas animações os mostram, os gatos são extremamente carinhosos e protetores, assim como os cães. Entretanto, além das diferenças genéticas e fisiológicas entre as espécies, uma outra questão que difere cães e gatos é a higiene.

Gatos são muito higiênicos, ou melhor, extremamente higiênicos e esperam disso em sua alimentação, água, caixa de areia, casinha. Então, se você não trocar a ração e, principalmente, a água, diariamente ou até duas vezes por dia, eles deixam de comer e beber. E este fator pode acarretar ou até mesmo acelerar um grave problema: cálculos renais e infecções urinárias.

“Os felinos tendem a ter mais problemas renais, principalmente devido à baixa ingestão de água e a grande quantidade de sódio nas rações”, informa a veterinária especializada em gatos, Júlia de Lima Flórios. “Algumas raças são predispostas, como os gatos persas, por exemplo. Outros fatores também contribuem, como a idade e a hereditariedade”, explica.

O cálculo renal é problema que ataca os rins e o trato urinário em geral, ele acontece quando uma massa sólida é formada por pequenos cristais. Quando o gato é diagnosticado com problemas renais é preciso iniciar urgente o tratamento, pois causa muita dor. “O processo geralmente consiste na remoção dos cálculos maiores, para que não haja obstrução e antibióticos, nos casos mais severos, assim como a troca de alimentação por rações específicas, que contém uma quantidade menor de fósforo e sódio e alto teor de potássio e ômegas”, enfatiza Júlia.

De acordo com ela há ainda casos em que é necessário fazer hemodiálise, e este é um processo muito complicado e caro também. Portanto, se você é um tutor que sempre teve cães, mas agora se aventurou em ter gatos, fique atento quanto à água: troque sempre!

Uma dica importante da veterinária para evitar esse tipo de problema é colocar diversos potes de água na casa e em diferentes cômodos. “Fontes de água para gatos, que mantém a água em movimento, também são atrativos para que eles bebam mais água, além de manter o bebedouro sempre limpo e em local sem sol para que a água não aqueça”, aconselha Júlia.

Atualmente, a insuficiência renal em gatos é classificada em cinco estágios, sendo que os primeiros sinais clínicos costumam surgir entre o 2° e o 3° estágio, que são apetite seletivo, aumento da ingestão hídrica, aumento do volume urinário, urina mais clara que o normal. Conforme a doença avança e as unidades funcionais dos rins fi cam cada vez mais comprometidas, os sintomas também se tornam mais graves: anorexia, anemia, hipertensão, desidratação, perda de peso progressivo, alterações gastrointestinais (vômitos e diarreia) e perda de controle ácido-base no organismo.

Por isso, ao perceber qualquer mudança no comportamento ou nos hábitos do seu amigo, leve-o imediatamente ao veterinário!

Larissa Anunciato