Inverno deve registrar mínima de até 12,4c°

Foto: Claudinho Coradini/JP

População em situação de rua se torna mais vulnerável neste período

A chegada da estação mais fria do ano teve início dia 21 de junho e de acordo com o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp, em Campinas, o inverno deste ano será dentro da normalidade, ligeiramente mais seco, dado que o período tem volume menor de chuva. Com as madrugadas mais frias, as temperaturas mínimas deverão ficar próximas a 13°C em junho, 12,4°C em julho e 13,5º C em agosto.

Com a temperatura mais baixa, a população em situação de rua se torna ainda mais vulnerável. O aumento pela procura por abrigos populares é rotineiro, porém o inverno deste ano deve ser marcado por uma demanda maior dos serviços de acolhimento, uma vez que dados da Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) apontam para um crescimento desta parcela da população, devido ao aprofundamento das crises sanitária e econômica.

Segundo levantamento do Jornal de Piracicaba, com dados da prefeitura, 55 pessoas nessa condição, estão sendo atendidas em serviços de acolhimento institucional, entre os meses de maio e junho. A cidade conta com dois serviços que tem o objetivo de encaminhar desalojados a rede proteção e assistência social do município.

A porta de entrada do atendimento socioassistencial à população em situação de rua em Piracicaba acontece por meio do Centro Pop (Centro Referência Especializado em População em situação de Rua), que atende na Rua Voluntários de Piracicaba, 815, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Além de café da manhã, banho, espaço para lavagem de roupas, oferece atendimento psicossocial, encaminhamentos e atividades que visam o resgate dos vínculos interpessoais e/ou familiares e a construção de outras trajetórias de vida, visando o processo gradativo de saída da situação de rua.

Na cidade, também existe o Seas – Serviço especializado em Abordagem Social, equipe técnica que identifica a presença de pessoas em situação de rua no município e oferta os serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas, media e realiza encaminhamentos, de acordo com a necessidade de cada indivíduo, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h30 e aos sábados e domingos, das 9h às 18h e pode ser acionado pelos telefones 19 3422-9943 / 19 99446-4389 / 19 99705-4663.

Abrigos a espera da população

Sobre os abrigos, são atendidos de ambos os sexos, em situação de risco, abandono, rompimento dos vínculos familiares, sem condições de sustento próprio, respeitando o direito de permanência por tempo determinado, de acordo com as articulações e ações entre os serviços socioassistenciais e das outras políticas públicas setoriais de atendimento à população em situação de rua.

São dois serviços diferentes, para públicos diferentes em duas unidades: Pompéia –avenida Pompéia, 1841, 25 vagas, estando 23 ocupadas no momento, e 2 pessoas estão no processo e devem ser acolhidas nos próximos 15 dias, e Jardim Califórnia – rua Frei Vital de Primeiro, 234, 40 vagas, estando 32 ocupadas no momento. Diferente do albergue noturno para migrantes, que atende por demanda espontânea, o acesso ao serviço de Acolhimento institucional se dá somente por meio do encaminhamento do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), com avaliação da Equipe Técnica. Tais encaminhamentos são realizados diariamente, com rotatividade.

O serviço de acolhimento para migrantes, albergue noturno, se localiza no Bairro Alto – rua Prudente de Moraes, 1900, com 33 vagas por noite. Somente em maio deste ano foram atendidas 248 pernoites, de acordo com a prefeitura.

Em todos os espaços é ofertada alimentação, higiene pessoal, além do acompanhamento psicossocial da equipe técnica de referência, sendo desenvolvido junto ao atendido ao PIA  (Plano Individual de Atendimento), instrumento que norteia a ação e encaminhamentos de cada pessoa, de acordo com todas as suas necessidades, podendo haver encaminhamentos para serviços da Saúde, da própria assistência, como o Cadastro Único, Trabalho e Renda, entre outros.

Aos que recusam o acolhimento, são distribuídos cobertores.

Um desses casos, é o de Emerson, homem que vive nas ruas da cidade há alguns meses e conta que a chegada dos dias frios tem sido ‘terrível’ – não só para ele, mas com todos com quem precisa dividir cobertores e pedaços de papelão. Alguns locais oferecidos pela Prefeitura para alimentação, são utilizados por ele. Porém, só frequentados quando há muita necessidade. “Quando está muito frio eu vou para lá. Mas o problema é que tem muita gente, fica todo mundo amontoado. A gente é cidadão da rua, mas a gente sabe que está tendo uma pandemia e a gente também têm medo. Fora que ainda tem briga o tempo todo”, conta.

Devido aos fatos descritos, passou a dormir na rua diariamente.

Além dessas entidades, há voluntários independentes que vão até o Centro para ajudar a população carente, como é o caso de Felipe Cypriano do grupo “Ajuda do Bem” que entrega de marmitas para moradores de rua há mais de sete anos. Ele conta que a ação começou com quatro pessoas e o grupo hoje é de 15 voluntários. “Tudo é feito por intermédio da nossa própria ação, compramos os alimentos, preparamos, cozinhamos em casa mesmo, com fogão normal, e entregamos para mais de 50 pessoas toda semana”, contou.

Censo Populacional

A secretaria também está coordenando a elaboração do Censo da população de rua de Piracicaba. Tais ações visam identificar melhor o perfil deste público de maneira a tornar os serviços e acesso a eles mais efetivos.

Frio

As baixas nas temperaturas representam um risco à saúde dessas pessoas, conforme explica o professor de cardiologia da PUC-Campinas, Aloisio Marchi Da Rocha. “A perda de calor pode acontecer de várias formas, como uso de roupa molhada e consumo de bebidas alcoólicas, que podem piorar muito esta situação”, afirma.

De acordo com o cardiologista, o álcool traz a sensação de calor, mas na verdade ele provoca vasodilatação, que promove a liberação de calor pela pele. “Quando sentimos frio e ficamos pálidos, é porque os vasos se contraíram para manter a temperatura do corpo por mais tempo”, esclarece.

Laís Seguin

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