Isolamento social evidencia casos de ansiedade

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Psicóloga dá dicas de como identificar e tratar o transtorno (foto: freepik)

O isolamento social evidenciou para muitas pessoas um transtorno comum, mas pouco conhecido entre a população, a ansiedade. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em 2020, apontou que o quadro de ansiedade corresponde a 86,5% dos casos de transtornos diagnosticados.

A jornalista Gabriela Melo, de 23 anos, não lembra exatamente quando recebeu o diagnóstico, mas se recorda de ter sido na infância. “Desde o ensino fundamental eu me lembro de ter muitos problemas com ansiedade. Passava mal com coisas pequenas, como a ansiedade para uma viagem da escola, até crises de choro antes das provas.”

Com as limitações de convívio social trazidas pela pandemia, Gabriela observou algumas dificuldades. “A pandemia com certeza tem sido um dos maiores desafios. São tantas notícias difíceis a todo momento, tem sido um trabalho diário conseguir controlar minha mente para não “surtar”. Inclusive a ansiedade ao sair de casa, quando era necessário”. Para ela, o acompanhamento com uma profissional de psicologia foi fundamental. “Eu já faço acompanhamento há anos, mas agora na quarentena eu precisei recorrer muito à minha psicóloga. Em um momento em que você não pode estar próximo das pessoas quando tem uma crise, é muito importante ter um profissional que te ajude e com quem você pode contar”, disse.

Embora comum, são poucas as pessoas que procuram acompanhamento

Adriana Peretti é psicóloga e especialista em análise do comportamento, ela diz ter observado que a ansiedade tem se tornado um tema muito comum entre as pessoas, e faz uma ressaltava “A ansiedade é sempre vista como algo extremamente negativo e não é bem assim. A ansiedade é um sentimento natural, produto das situações cotidianas, ou seja, faz parte da experiência humana e traz consigo funções de preservação e adaptabilidade”, informou.




Adriana Peretti, formada em Psicologia pela Universidade Metodista de Piracicaba, especialista em análise do comportamento pelo ITCR – Campinas.

Adriana explica que a ansiedade surge quando o nosso organismo avalia que estamos em uma situação de perigo, e que se trata de um alerta. “Por exemplo, ao atravessar uma avenida movimentada e ver um carro em alta velocidade nosso organismo entrará em contato com uma descarga fisiológica que fará com que esperemos o carro passar. No entanto, esse mecanismo fisiológico pode ficar desregulado, ou seja, esse alerta pode ser acionado diante de situações menos perigosas ou até quando o perigo não é real”. É neste momento, de acordo com ela, que ansiedade pode se tornar um problema.

A psicóloga conta que os sintomas mais comuns do quadro de ansiedade são o aumento da frequência cardíaca, sudorese, boca seca, náuseas, problemas gastrointestinais, insônia, irritabilidade, dificuldade para relaxar e pensamentos indesejados, mas ressalta que, só um profissional pode dar o diagnóstico. “Essa é uma avaliação que precisa levar em consideração muitos aspectos. Por ser um sentimento produto das situações vividas, todo mundo em algum momento da vida já entrou em contato com essa sensação e não podemos considerá-la uma patologia”, disse.

Para Adriana Peretti é importante ficar atento. “Observar quando esse alerta é acionado em situações onde o perigo não existe a uma frequência fora do habitual, é um dado importante. Outro ponto é quando os sintomas se tornam tão frequentes e intensos que comprometem as atividades diárias e levam a pessoa a perder momentos significativos de sua vida”, disse.

Com relação as crianças, Adriana ressalta: “As crianças também são igualmente atingidas por todo este contexto de pandemia. No entanto, como elas estão em processo de desenvolvimento a forma como as situações são expostas fazem a diferença. Devemos descrever as situações (respeitando a idade e o desenvolvimento cognitivo) de maneira acessível, sem mentiras e excessos. Manter minimante uma rotina, com os deveres escolares e brincadeiras. Incluir as crianças para participar dos afazeres da casa, pode ser um momento rico em aprendizagem e gerar memórias afetivas”, informou.

Manter a saúde mental na pandemia é um exercício diário e requer considerar pontos importantes, como diz Adriana. “Em primeiro lugar, diminuir o nível de exigência com nós mesmos e com as pessoas que estão ao nosso redor. Por ser um momento difícil e atípico devemos fazer o possível e não o ideal, o perfeito já que esses são conceitos arbitrários, então, seria importante, aproveitarmos esse momento de isolamento para usufruirmos das situações que até então eram deixadas de lado, dando a elas novos significados, como por exemplo, um quintal em casa até então mal utilizado, pode se tornar um espaço para cuidar de plantas, fazer exercícios físicos, brincar com as crianças”.

Pedro Martins

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