João Doria: governador do Estado mais rico do Brasil

João Doria é governador do Estado de São Paulo. Crédito: Divulgação)

Filho de migrante nordestino, João Doria teve a influência política de seu pai, que chegou a ser deputado federal, mas teve seu mandato cassado pela ditadura militar. A família viveu um período durante o exílio na França. Retornou ao Brasil sem o pai. Com a ajuda da mãe e irmão recomeçaram num período difícil. Os anos se passaram e ele conseguiu escrever uma nova história como empresário, jornalista, publicitário. Atualmente, João Doria exerce seu primeiro mandato como governador do Estado de São Paulo. Filiado no PSDB desde 2001, teve início em sua carreira pública como secretário de Turismo da Capital e presidente da Paulistur no governo Mário Covas, também foi presidente da Embratur (1986-88) durante a presidência de José Sarney e prefeito da maior cidade do País, São Paulo. Apesar de ser cotato como um dos principais nomes de seu partido para concorrer ao cargo de presidência de República, Doria prefere discutir esse assunto mais adiante. Casado com a artista Bia Doria, é pai de três filhos. Recentemente, o governador esteve em Piracicaba, onde inaugurou o 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) da Polícia Militar. Confira um pouco da trajetória do governador no Persona deste domingo.

Qual a importância da família para o senhor? Qual a referência que tem dos pais?

Tenho convicção que a família é a base para que toda pessoa se torne íntegra, correta, honesta e trabalhadora por toda a vida. Sou filho de um migrante nordestino muito orgulhoso de sua terra que veio para o Sudeste trabalhar como publicitário e se elegeu deputado federal. Quando meu pai teve o mandato cassado pela ditadura militar, vivemos o período mais agudo de nossas vidas e fomos para o exílio na França. De volta ao Brasil dois anos depois, sem o meu pai, tivemos que recomeçar do zero eu, meu irmão e minha mãe. Comecei a trabalhar aos 13 anos para ajudar nas despesas de casa, pagar contas de água e luz, comprar comida. Meus pais sempre nos ensinaram que o trabalho duro, os estudos e a dedicação nos tornariam pessoas responsáveis e de bem. Estudei em escola pública, infelizmente perdi minha mãe muito cedo, mas nunca me esqueci dos ensinamentos e do exemplo de vida dela. Enquanto construía minha carreira como empresário e jornalista, formei minha própria família ao lado da minha mulher, a Bia, e passei os mesmos valores aos meus três filhos. Minha família me oferece uma base emocional e moral muito sólida para que eu possa me dedicar à vida pública.

Como o senhor avalia seu mandato até agora? Quais os pontos positivos?

Em primeiro lugar, gostaria de desejar um excelente ano de 2020 a toda a população de Piracicaba e região. Considero que nosso primeiro ano no governo estadual foi de muitas conquistas, principalmente em relação à geração de emprego e renda. O Produto Interno Bruto de nosso estado cresceu 2,6% segundo a Fundação Seade. Ou seja, a economia de São Paulo cresceu mais que o dobro da economia nacional. Dos 948 mil postos de empregos criados no Brasil entre janeiro e novembro, 30% foram abertos em São Paulo. Os bons resultados estão diretamente ligados a ações de nossa gestão: criamos polos de desenvolvimento em todos as regiões do estado, incentivamos a modernização da indústria automobilística, cortamos impostos do setor aéreo para expansão dos setores de turismo e serviços, zeramos a cobrança de ICMS sobre frutas, verduras e legumes higienizados e embalados e montamos um agressivo programa de desestatização que foi apresentado a investidores internacionais. E vamos fazer ainda mais e melhor em 2020.

A PM teve investimentos em armas e instalações de novos batalhões, como o 10° Baep em Piracicaba. Qual a avaliação do senhor? Considera que a segurança precisa de atenção especial?

Segurança pública de altíssima qualidade é um compromisso de campanha e prioridade absoluta de nosso governo. Abrimos concursos para 5.590 policiais militares e outras 850 vagas na Polícia Civil, que também já tem outras 2.750 vagas autorizadas. Aprovamos aumento salarial de 5% para os policiais e um pacote de valorização da categoria. Em apenas um ano, entregamos seis novos Baeps para as regiões de São José do Rio Preto, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, Piracicaba, Ribeirão Preto e centro da capital, além de um Caep em Taubaté. Iniciamos um investimento de R$ 260 milhões para a compra de 3,7 mil novas viaturas para a PM, Polícia Ambiental e Corpo de Bombeiros. Abrimos uma licitação internacional para a compra de 52 mil novas armas e 5,5 mil coletes à prova de bala, é o maior investimento deste tipo da história de São Paulo. Na nossa gestão, nove Delegacias da Mulher passaram a funcionar 24 horas por dia, sendo seis na capital e outras três em Campinas, Santos e Sorocaba. Lançamos o aplicativo SOS Mulher para proteger milhares de mulheres em situação de ameaça iminente. Em dezembro, entregamos 100 drones e 200 bicicletas para reforçar o patrulhamento de rua e ações de inteligência. Fizemos mais de 60 megaoperações em todo o estado, com 18 mil criminosos presos. Entregamos cinco unidades prisionais e temos outras oito em construção. Foi um esforço muito grande e os resultados mostram que estamos no caminho certo: temos a menor taxa de homicídio da história e a imensa maioria dos demais índices de criminalidade em queda.

Quais são os destaques do seu governo na área de educação?

Tivemos importantes avanços na educação neste primeiro ano de mandato. A nossa meta é garantir formação de qualidade para os estudantes e também prepará-los para todos os desafios do século 21 e um mercado de trabalho altamente especializado e 100% tecnológico. Neste ano, o programa Inova SP Educação vai oferecer mais aulas e cinco novas disciplinas a 2 milhões de alunos dos anos finais do ensino fundamental e todo o ensino médio. O Novotec oferece cursos técnicos gratuitos a 9 mil jovens e deve ganhar 22 mil vagas neste ano, com 31 opções de aprendizado. Apresentamos um novo plano de carreira para os professores da rede estadual e que pretende elevar o salário inicial de R$ 2,5 mil para R$ 4 mil, podendo chegar ao teto de R$ 11 mil. Reformamos 209 escolas e outras 46 estão em execução. Entregamos 47 novas creches-escola e mais 232 estão sendo construídas. E, neste ano, começaremos a maior expansão do ensino integral da história, com 664 escolas e investimento de R$ 321 milhões. Isso é extremamente significativo para um governo como o nosso, que prioriza a educação.

Quais as principais preocupações que enfrentou ou está enfrentando em seu governo?

A maior dificuldade foi receber o mandato de governador com um déficit de R$ 10 bilhões no caixa do Estado devido a um orçamento superestimado pela administração anterior com motivações eleitoreiras. Recebemos 175 obras paradas em todas as regiões do estado, tivemos que suspender convênios com as prefeituras porque a verba prometida aos municípios simplesmente não existia. Mas, com muito rigor técnico e respeito ao dinheiro público, conseguimos enxugar a máquina estatal, combater o desperdício e retomar investimentos. Fizemos a revisão de contratos e convênios, fechamos quatro estatais cujos serviços eram obsoletos, reduzimos as secretarias estaduais de 25 para 20 e cortamos 500 cargos comissionados e terceirizados. Foi um trabalho muito eficiente de gestão e que rendeu uma economia de quase R$ 1 bilhão em um ano de governo. E que não vai parar por aí. Nosso governo tem um programa muito sério de desburocratização e desestatização para atrair investidores nacionais e do exterior para grandes projetos em áreas como logística, transportes e infraestrutura. A meta é obter R$ 40 bilhões em novos investimentos até o fim do mandato.

Qual o apoio do senhor na Assembleia Legislativa?

Minha relação com os deputados estaduais é muito franca e transparente. Uma vez por mês, eu vou até a Assembleia Legislativa e me reúno pessoalmente com parlamentares que apoiam o governo e também os que fazem oposição, o diálogo é aberto a todos que assim o quiserem. E, claro, tenho uma relação muito estreita com as bancadas do PSDB, meu partido, e do DEM, que abriga o vice-governador Rodrigo Garcia. O presidente da Assembleia, Cauê Macris, é do PSDB, um parlamentar jovem e muito atuante, que tem ajudado muito o nosso governo a implementar as ações que a população de São Paulo quer e precisa.

Quais são os projetos que pretende terminar?

No plano administrativo, a principal prioridade é aprovar a Nova Previdência de São Paulo. Reformar o sistema estadual de aposentadorias e pensões é imprescindível e urgente para que São Paulo não quebre. Em 2018, o rombo previdenciário que o Tesouro Estadual precisou cobrir foi de R$ 29,5 bilhões, já que a contribuição dos servidores ficou abaixo de R$ 5 bilhões. Se nada for feito, o pagamento de 550 mil servidores inativos vai superar, em valores gerais, o dos 643 mil servidores da ativa já em 2022. A Nova Previdência é essencial e decisiva para que 45 milhões de brasileiros de São Paulo continuem a ter acesso a serviços essenciais de saúde, educação e segurança pública. Em relação a obras, há vários grandes projetos que dever ser iniciados ou retomados assim que estudos técnicos e licitações terminarem. Um deles é a concessão rodoviária Piracicaba-Panorama, a maior do país, com 1,2 mil quilômetros de estradas que devem somar investimentos de R$ 14 bilhões em 30 anos por meio de um consórcio privado.

Por que decidiu doar seu salário de governador?

Tomei essa decisão ainda como candidato a prefeito da capital, em 2016, e estou cumprindo mais esse compromisso como governador. Doei os salários de prefeito e continuo doando os de governador para instituições do terceiro setor. É uma contribuição que acaba servindo como um gesto motivador para que mais pessoas auxiliem financeiramente entidades que tanto ajudam aos que mais precisam. Acredito que é um gesto bastante positivo e que, felizmente, tenho condições de fazer.

O nome do senhor é um dos principais em seu partido para a presidência da República. Analisa essa possibilidade?

Eu acredito que não é o momento de falar sobre as eleições de 2022. O Brasil precisa que seus governantes façam gestão, nossa preocupação em São Paulo é ajudar o país. Mas, para as eleições municipais deste ano, nossa intenção é que o PSDB tenha candidatura própria em todas as cidades. Temos muitos filiados jovens e muitas mulheres com disposição e ousadia para inovar nas prefeituras e nas Câmaras de Vereadores. Na capital paulista, o candidato à reeleição é o Bruno Covas, que foi meu vice e faz um excelente trabalho à frente da maior metrópole da América do Sul.

O que o senhor faz em seus momentos de lazer? Gosta de ler ou cinema?

Sou uma pessoa muito ativa. Acordo cedo todos os dias, faço uma alimentação saudável, nunca bebi ou fumei, então tenho muita disposição e energia. Faço atividades físicas diariamente antes do trabalho e esta rotina me ajuda a cumprir as jornadas de 12 ou mais horas diárias que dedico ao governo. Quando não tenho compromissos aos finais de semana, gosto de reunir amigos para jogar futebol sempre que possível. Também tenho minhas leituras preferidas que me inspiram, mas não dispenso um bom filme ao lado da Bia quando sobra tempo livre.

O senhor gosta de animais? Qual a sua avaliação sobre a causa animal?

Nós temos seis cachorros em casa, gosto muito de animais. Eu e a Bia adoramos estar ao lado de nossos cachorros, eles são parte da nossa família. No governo, temos adotado várias medidas em defesa dos animais de estimação e que facilitem a vida de seus donos. No início de 2019, colocamos em vigor a lei que permite o transporte de animais com até dez quilos no Metrô de São Paulo, trens da CPTM e ônibus intermunicipais da EMTU em todo o estado. Em novembro, também lançamos o programa Meu Pet, que prevê a construção de dez hospitais veterinários em diferentes regiões para atendimento a cães e gatos, com investimento estimado de R$ 30 milhões em obras e equipamentos. Nosso governo sempre vai apoiar programas em que os animais são bem tratados e acolhidos.

 

Cristiani Azanha

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