Jornal de Piracicaba chega aos 120 anos

JP foi um narrador das conquistas da Noiva da Colina (Foto: Amanda Vieira/JP)

No longínquo ano de 1900, era um sábado, 4 de agosto, quando a primeira edição do Jornal de Piracicaba ganhou forma e conteúdo. Fundado por Manoel Buarque de Macedo e por Alberto da Cunha Horta, o novo periódico tinha por objetivo ser independente e cheio de vivacidade. Passados 120 anos, o JP é sinônimo da história da cidade, um narrador – observador e participativo – das conquistas da Noiva da Colina.

Já um diário forte e com relevância, a partir de 1939 o Jornal de Piracicaba ganha um novo capítulo em sua história (imensamente responsável pelo novo suspiro e colunas resistentes do jornal) com a aquisição do periódico por José Rosário Losso. A família está à frente do JP até hoje.

Em especial com a atuação do filho Fortunato Losso Netto, que dirigiu o periódico de 1939 a 1985, o Jornal de Piracicaba tem participação intensa na consolidação da Piracicaba do século XX, que consagrou instituições e valores fundamentais para a cidade.

Ao ser adquirido pela família, o JP foi a menina dos olhos dos irmãos Eugênio Luiz Losso e Fortunato Losso Netto. O primeiro, que era pintor, proporcionou ao jornal uma sólida base administrativa, características visuais próprias de um artista e aparatos técnicos que acompanharam os lançamentos tecnológicos da imprensa. Eugênio ficou à frente do periódico até 1974, quando faleceu.

LOSSO NETTO
O segundo irmão, Fortunato, era médico formado em 1934 pela Faculdade Fluminense de Medicina, com especialidade em radiologia. Mas também um jornalista exímio, com textos publicados no JP ainda na adolescência e com experiência no “O Jornal”, de Assis Chateaubriand, um dos primeiros periódicos que formou o império de média Diários Associados.

Losso Netto imprimiu nas páginas do JP novas ideias e planos que possibilitaram ao diário ultrapassar o século com maestria. Em seus editoriais, crônicas e reportagens, defendeu e contribuiu ativamente com o desenvolvimento de Piracicaba. Segundo levantamento realizado pelo JP, de 1939 a 1985, publicou aproximadamente 850 textos, sempre com foco na cidade. Também fazia questão de participar de reuniões e debates importantes, além de apreciar a produção artística, em especial a música erudita.

VIDA E HISTÓRIA
Sendo assim, Piracicaba, JP e Losso Netto têm em comum a própria história. O médico e jornalista foi responsável pela idealização e conquista de instituições até hoje relevantes para a cidade. Foi diretor clínico da Santa Casa por 18 anos, sendo que logo que retornou à cidade, em 1935, participou da implantação do setor de radiologia do hospital.

Também ajudou a criar a Sociedade de Cultura Artística, em 1925; o Rotary Club de Piracicaba no início dos anos 1940; a Pró Arte Piracicabana, em 1953 – que deu origem à Escola de Música de Piracicaba em 1961; a Empresa Telefônica de Piracicaba no início dos anos 1950; o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba e a Rádio Educadora de Piracicaba, em 1967.

Além disso, foi sócio benemérito do Lar dos Velhinhos, participou do desenvolvimento da Associação Paulista de Medicina – região Piracicaba e pertenceu à Academia Piracicabana de Letras. Não à toa, em 1962 recebeu o título Piracicabanus Praeclarus, atribuído pela Prefeitura Municipal.

No campo da educação, com a participação de Losso Netto e do JP, Piracicaba ganhou a instalação da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Piracicaba em 1957; e a Fundação Municipal de Ensino, mantenedora da Escola de Engenharia de Piracicaba. Outro símbolo da cidade que recebeu sua defesa dedicada foi o Rio de Piracicaba.

Losso Netto faleceu aos 74 anos em 3 de janeiro de 1985. Até os últimos dias, participou ativamente da produção diária e ininterrupta do JP.

LEGADO
Já seguindo os passos do pai desde 1976 à frente do Jornal de Piracicaba, Antonietta Rosalina Losso Pedroso deu continuidade ao patrimônio histórico e intelectual do periódico até 2011.

Era formada em Direito pela Universidade de São Paulo (1957), com pós-graduação em Economia Rural pelo Departamento de Economia da Esalq-USP (1966-1968) e pela Universidade do Estado de Ohio (1968-1970). Também com participação cidadã ativa, foi membro de diversas associações, como da ANJ (Associação Nacional de Jornais).

Em 1933, Antonietta recebeu o título de “cidadã piracicabana” da Câmara de Vereadores. Faleceu em 2011, aos 77 anos, e deixou o legado ao filho, Marcelo Batuíra Losso Pedroso, sendo a quarta geração à frente do periódico.

A missão é manter a credibilidade e a responsabilidade com o leitor, mas também inovar para continuar indispensável ao piracicabano em um mundo cada dia mais digital.

Andressa Mota

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