Ju Pat tocará novas músicas hoje no Sesc | Foto: Anna Julia Santos

Como parte das atividades do Dia da Visibilidade Transexuais e Travestis, realizado pelo Sesc Piracicaba, a artista Ju Pat se apresenta hoje, às 19h30, na Comedoria da unidade, com show baseado no seu disco de estreia, “Toda Mulher Nasce Chovendo”, de 2018, junto a canções inéditas. Na mesma noite, o Sesc recebe a apresentação do Projeto Transcrito, composto por Tio Cris, NicoLaw e JugJonez, cujo trabalho mescla rap e elementos eletrônicos para falar de vivências, sugerir reflexões de distintas realidades, com destaque para a faixa “Fogo Revolucionário”. A entrada é gratuita.

Ju Pat, que nasceu em Ribeirão Preto, mudou-se para Piracicaba, fez carreira artística em São Paulo e está de volta ao ‘Lugar Onde Peixe Para’, busca novas vivências na cidade onde cresceu e, por meio de sua arte, abrir espaço para outros artistas trans e da comunidade LGBT daqui se expressarem livremente. Desde que regressou, Ju conta que teve apoio principalmente de espaços como a Casa do Hip Hop (junto ao Projeto Transitanto), Gorilla Vegan Burguer e Festival Cural, mas quer mais.

“Sinto que as pessoas estão se unindo e dando espaço para as pessoas trans da cidade, seja como artista ou qualquer outro tipo de representação, de modo que tenham vivências, e, principalmente, para que as pessoas possam existir em Piracicaba”, conta Ju, em entrevista ao Jornal de Piracicaba.

A mensagem é contundente, pontual, assim como as músicas que Ju Pat apresenta em “Toda Mulher Nasce chovendo”, concebido num momento crucial de sua vida. “Nasceu num momento da vida que enfrentava o processo de transição de gênero, principalmente no momento que enfrentava as ruas e as pessoas”, revela.

O álbum, ela conta, faz parte do que chama “processo interno de autoconhecimento”. “Precisava de uma força extra para enfrentar o mundo e registrar esse momento. Estava transbordando de emoções e vivências, precisava extravasar de alguma forma”.

Neste primeiro registro fonográfico, disponível nas principais plataformas de streaming, Ju Pat faz um rap, algumas nuances de trap. “Já fazia rap, era o tipo de música que sabia fazer e foi a forma que encontrei de registrar esta fase”. A metáfora da água é crucial para o contexto, aqui tratada como fluidez, um símbolo de emoções, até misticismo e busca do divino por Ju. “A água teve essa simbologia por meio da arte e a arte me recriou como pessoa. Sou uma mulher que nasceu chovendo”, conta.

Hoje no Sesc, Ju também vai tocar canções inéditas de um segundo disco já intitulado “Nadando com os Peixes que Voam”, segundo ela, com uma estética além do rap. “Essa urgência da contestação do gênero fechou um ciclo e agora experimento novas sonoridades, a partir de novas vivências”. O amor, por exemplo, aparecerá mais forte nesta fase atual de Ju Pat.

Erick Tedesco ([email protected])

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