Juan Sebastianes: É preciso evitar candidatos ficha suja e com muitos apoiadores

Juan Antonio Moreno Sebastianes nasceu na Espanha em 24 de junho de 1948. Em 1957, veio com a família para o Brasil, onde começou a trabalhar aos nove anos na agricultura,  em vendas e auxiliar de pintor e de eletricista. O jovem  estudou muito, formando-se engenheiro agrônomo, com pós-graduação em Genética pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e Química na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Em 1975, casou-se com Vânia Bragaia, também engenheira agrônoma, com quem teve três filhos. Juan naturalizou-se brasileiro e foi eleito vereador de Piracicaba, o mais votado em dois mandatos (1989 a 1996), ‘com ampla atuação socioambiental e pela ética’, como ele define.

Também foi secretário de Meio Ambiente e de Planejamento (2001 a início de 2004). Juan lembra que ainda com 12 anos, foi procurado para dar aulas particulares e, em 1967, foi convidado para lecionar no Curso CLQ (durante 51 anos) e depois no colégio, onde também é coordenador de química. Também lecionou um ano no Sud Mennucci, dois anos na EEP/Fumep (Escola de Engenharia de Piracicaba/Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba) e 22 anos na Unimep.

Enquanto vereador, Juan foi autor de 12 leis municipais voltadas ao Meio Ambiente, além de diversos projetos de denominação de ruas, avenidas. Segundo ele projetos bons de sua autoria foram rejeitados por “ciúme”, como o que criaria o “circuíto periférico para caminhões pesados, o que proibiria o nepotismo.

Ele foi presidente da Comissão de Legislação e Redação, corrigindo a redação de muitos projetos e dando muitos pareceres, inclusive contrários por inconstitucionalidade (como criação de cargos médicos em comissão; legalização de favelas) e também foi Presidente da CPI (Comisão Parlamentar de Inquérito) das invasões/favelas.

O então vereador foi relator da LOM (Lei Orgânica do Município) com grande participação nos capítulos ambientais e de recursos hídricos, e autor da disposição transitória que estabeleceu prazos para tratar o esgoto.

Juan ajudou a criar o Consórcio Intermunicipal das Bacias PCJ, o respectivo Comitê e Agência de Bacia. Foi Conselheiro Fiscal do Consórcio e depois Consultor deste.

Nesta semana, Juan Sebastianes falou ao Persona sobre as eleições municipais deste ano, comentando o número de candidatos à prefeitura e os cuidados que os eleitores precisam ter antes de apertar a tecla confirma da urna eletrônica.

Como vereador e como engenheiro, o senhor atuou e defendeu temas relacionados ao meio ambiente em Piracicaba. Quais os principais trabalhos o senhor destaca nesse setor?

Atuei ativamente contra a instalação de termelétricas a “pixe” e a gás natural na região, que aumentariam a “chuva ácida”, óxidos de nitrogênio, ozônio, efeito estufa, a retirada e aquecimento de água do nosso rio. Defendia as solares, eólicas e térmicas a biomassa (palha/bagaço da cana). Como secretário de Meio Ambiente de Planejamento de 2001 a 2004, eu recuperei o aterro do Pau Queimado, reduzindo o número de catadores de recicláveis e encaminhamento adequado das crianças, além de disciplinar o uso das máquinas e da balança, elaborou com a USP – Universidade de São Paulo – o Zoneamento Ambiental do município, que serviu de base para o Plano Diretor de Desenvolvimento (Urbano e Rural) e para escolher a melhor área para o novo aterro, deixando projeto pronto, com o EIA/RIMA. Criei a Cooperativa Reciclador Solidário, instalou o Centro de Triagem e Transbordo para Entulho de Construção, e reciclagem em cooperação com a Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba).

Como o senhor avalia o cenário político que se forma para as eleições municipais deste ano em Piracicaba?

Entendo como um enorme desrespeito, aos cidadãos e à Lei da Ficha Limpa, em sua convenção, um partido aprovar a candidatura para a reeleição de um prefeito, com três condenações em segunda Instância, até por improbidade administrativa, além de mais de 50 condenações em primeira instância, entre mais de 200 processos na Justiça. Um bom prefeito sofre tantos processos e condenações assim? Confiança se compra? Entretanto, cada vez mais cidadãos percebem que corrupção mata (falhas na Saúde, Saneamento, Segurança, Infraestrutura Viária), aumentando o interesse em informar-se sobre os candidatos, iniciando mais cedo a agir para  evitar de ser enganados por qualquer “lobo em pele de cordeiro”, que só quer o dinheiro do povo, como temos visto até em notícias sobre as verbas para combater a covid-19. Só a competência com honestidade podem gerar o que todos necessitamos. A única salvação é a boa política.

O que o senhor acha do número de candidatos, são 11 no total. Caso essa quantidade se mantenha para o pleito, se torna positivo ou negativo para o eleitor?

Infelizmente, haver 11 candidaturas a prefeito (a) tende a confundir o eleitor, que hoje está mais esperto e mostra que vai usar critérios para a escolha.

Quais são as medidas que o eleitor deve tomar ao escolher o candidato a prefeito (a) ou vereador (a)?

Evitar candidato ficha suja, com muitos “apoiadores espontâneos” e ou com campanhas milionárias. Quem ainda acredita em candidato que gasta na campanha muito mais do que vai receber durante o mandato inteiro, se for honesto? De onde sai tanto dinheiro?  Do caixa 2 de “empresário esperto” e ou roubado do povo?  Procurar em fontes confiáveis conhecer o passado do(a) candidato(a): honestidade, família, competência, dedicação aos interesses coletivos,… e a coerência das suas propostas. Dá para acreditar em quem “virou santo de repente”, ou até propõe algo fora das possibilidades?   Muitos estão descontentes com a Câmara Municipal por não cumprir o dever de votar a favor do povo, nem fiscalizar o Executivo, corrupção, inchaço, gastança, “rachadinha” e desejam dar uma “cara nova e limpa” à Câmara, já sabem que quase nunca resolve votar em candidato novo, se estiver em partido cujos “caciques” são os que deseja retirar, pois esse voto só servirá para somar votos para tais caciques.  Não é a realidade?

Diante de um cenário com uma quantidade grande de candidatos, qual deve ser o cuidado do eleitor antes de decidir em quem votar?

Iniciar verificando o partido do candidato, lembrando que, se nele há “batatas podres mandando, as boas são usadas e descartadas, ou também apodrecem”.  Muitos cidadãos já estão vendo que este é o “sistema” para perpetuar as “podres”. Verificar ainda se o partido desse candidato está apoiando algum ficha suja, se tem “caciques” não confiáveis e avaliar o passado e as propostas do candidato. Vale a pena, se não viu, ver no YouTube ou no meu Facebook, o vídeo “O que é a Lei da Ficha limpa”.

O senhor já foi vereador e, portanto, já participou de campanhas em Piracicaba. Neste ano, por conta da pandemia do novo coronavírus, a campanha deve ser diferente, no que se refere ao contato com os candidatos à prefeitura e à Câmara de Vereadores. Como o senhor acredita que será a disputa nas redes sociais?

Creio que a disputa nas redes sociais será intensa e usando de variados artifícios e “artimanhas desonestas”, até de pagar outros para desinformar (fake news).  Apesar de menos aceito, haverá ainda o “tapinha nas costas”, que se repete de quatro em quatro anos, para depois sermos ignorados ou apunhalados pelas costas, por quem promete nos defender, mas só é fiel ao “chefão”, prefeito(a).

Dessa forma, há chance de termos mais notícias falsas circulando pelas redes sociais?

Sempre há chance para as “Fake News” (entre outros crimes eleitorais), mas devemos cobrar providências eficazes da Justiça, dos próprios instrumentos das redes e finalmente do eleitor para não nos deixarmos enganar. Não se enganar com candidato que só agride os outros, fala mentiras (até acusa os outros do que ele próprio faz) ou paga outros para isso, mas não apresenta propostas.

Além da corrida pelos votos, os partidos começam a busca pelo fundo partidário como forma de investimento na campanha. O senhor concorda com o uso desses recursos para as campanhas?

Sou contra o Congresso continuar aprovando tanto o Fundo Partidário como o Eleitoral, pois contrariam a vontade do povo. Esses Fundos são distribuídos entre os Partidos (e dentro destes) de forma absurda que reduz a renovação (reeleição e até a defesa de corruptos).  Mas, após aprovado, se um partido mais honesto e defensor da democracia não aceitar usá-los, aumentará a vantagem dos piores políticos. Não é um “tiro no pé”?

Na última campanha de 2018, quando ocorreu a eleição para presidente e Câmara Federal, a palavra renovação deu a tônica dos discursos. Nessa campanha para escolha dos representantes em nível municipal, o senhor acredita que o eleitor deva trazer essa vontade para as urnas?

Com certeza. E creio que o eleitor está mais atento, procurando não ser enganado, como ocorreu ainda em 2018 na eleição de muitos como Maia (César) e Alcolumbre (Davi) que decepcionaram demais.

Em que o eleitor deve ficar atento na campanha deste ano, o que o senhor aponta como principal cuidado antes de apertar a tecla confirma?

Antes estudar bem o candidato (passado, propostas, partido/caciques, campanha cara, muitos partidos “apoiando”, nunca votar branco ou nulo, pois isto não evitará a eleição de um prefeito(a) e 23 vereadores.  Não é como, ter que comer em restaurante que não agradou, e você dizer “não vou escolher o prato, deixo escolherem para mim”? Jamais votar em candidato “lixo” (“santinho” jogado nas ruas, bueiros).  É “santinho ou diabinho” quem suja as ruas, bueiros, praças, casas? Após digitar o número de cada candidato (a) que escolheu, verificar se aparece o nome e a foto dele(a), antes de apertar o confirma, para não perder seu voto (direito de escolher). E após a posse dos eleitos, em que você votou ou não, acompanhar e cobrar o trabalho deles para o bem coletivo e da região onde mora, estuda, trabalha, faz esporte/lazer. Vale a pena participar de algum “mandato compartilhado”, se houver na Câmara.

Beto Silva

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