Julio Savio Monfardini atua na Delegacia da Polícia Federal de Piracicaba há 12 anos (Reprodução)

O delegado da Polícia Federal Julio Sávio Monfardini adotou Piracicaba há 12 anos. Dedicado em grandes operações na carreira que escolheu, neste domingo(15), dia das Eleições Municipais, ele também vai atuar para coibir crimes eleitorais e, pela primeira vez, contará com a tecnologia como forte aliada usando o drone, que já é utilizado em abordagens ou investigação, também será usado para combater boca de urna à longa distância.

O equipamento possui câmeras capazes de realizar zoom suficiente para identificar suspeitos, placas de veículos, entregas de santinhos e situações de compra de votos, com imagens de alta nitidez. As imagens capturadas serão transmitidas a uma equipe da Polícia Federal que estará preparada para monitorar toda as eleições e adotar as medidas cabíveis diante de atividades suspeitas. Assim, diante de algum flagrante de crime eleitoral, policiais se deslocarão, imediatamente, para o local indicado para prender os suspeitos, que serão conduzidos para a delegacia, onde serão tomadas as providências pertinentes. Serão utilizados mais de 100 aeronaves remotamente pilotadas como ferramenta para inibir a prática de crimes eleitorais durante o pleito de 2020. Os equipamentos serão alocados em municípios estratégicos em todo o território nacional.

A dica para fazer denúncias nestas eleições é realizá-las por meio do aplicativo Pardal, que está disponível no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em seus 17 anos de carreira, já atuou em grandes operações contra o crime organizado, contrabando, pedofilia nas redes sociais, em várias regiões do Brasil. Para Monfardini, a família também tem prioridade em sua vida. Filho de José Paulo e Maria Angela, ambos advogados e corretores de imóveis, é casado com Luciana e pai de Letícia. Também tem a maltês Nina, como integrante de sua família. O persona de hoje traz um pouco mais sobre a carreira e dicas para aqueles que pensam em um dia fazer parte da Polícia Federal. Confira a entrevista:

Como decidiu fazer parte da Polícia Federal? Quando ingressei na Polícia Federal em 2003 minha primeira lotação foi em Cuiabá/MT, Estado do Mato Grosso. Lá morei por apenas alguns meses. Em 2004 voltei para São Paulo. Em 2008 consegui minha lotação na Delegacia da PF de Piracicaba. Resido na cidade de Rio Claro, onde nasceu minha esposa e filha.

Qual a importância da família para o Sr? Parece clichê, mas não há outra forma de descrição: família é tudo. Vivo em função delas (e também da minha princesinha Nina, uma maltezinha de 8 anos).

Quais são as atividades dos seus pais? Meu pais atualmente estão aposentados. Ambos são advogados e corretores de imóveis. Meu pai também é contador, mas fez sua vida como empresário, construtor e fazendeiro. Minha mãe, por muitos anos, foi dona de imobiliária.

Qual sua identidade com Piracicaba? Aqui fiz muitos amigos, aqui evolui muito profissionalmente. Sou muito grato a esta cidade que ao longo desses mais de 12 anos me trouxe só alegrias.

Onde estudou onde? Desde o primeiro ensino até a faculdade, sempre em Guarulhos.

Qual sua qualificação do? Sou formado em direito, pós graduado em Direto Penal.

Já teve outras profissões fora da Polícia Federal? Trabalhei com meu pai na adolescência. Em 2000 fui aprovado no concurso para Delegacia de Polícia Civil em São Paulo, cargo que exerci até meados de 2003, quando ingressei na PF.

Por que escolheu a carreira na Polícia Federal? Sempre tive aquela vontade de ser policial. Por sorte, os concursos que passei abriram em momentos nos quais eu estava bem preparado.

Qual foi a sua rotina de estudo? Aquela foi uma fase bastante intensa da minha vida. Horas e horas de estudos e sete dias por semana.

Quais foram as suas atividades já como delegado da Polícia Federal? Comecei minha carreira na PF no Estado do Mato Grosso, lotado numa delegacia que cuida de questões indígenas, crimes contra o sistema de telecomunicações, entre outros. Em 2004 consegui remoção para São Paulo e passei a atuar em delegacia que cuida, basicamente, de crimes tributários. Em 2005 fui relocado na Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital. Em 2008, finalmente consegui minha remoção para nossa Delegacia de Piracicaba, unidade onde pretendo permanecer ainda por um bom período.

Quais operações já participou na região de Piracicaba? Como nosso efetivo é pequeno, na prática, ora executamos ora apoiamos todas as operações. Nossa Delegacia de Piracicaba tem a felicidade de contar com um time harmônico e integrado. Sejam operações de combate ao contrabando de cigarros, sejam operações de combate à pornografia infantil pela internet, sonegação de tributos federais, crimes previdenciários, tráfico internacional de entorpecentes, todos os policiais e demais servidores se ajudam, se completam.

Qual é a análise que faz as atividades da região de Piracicaba? Quais ações da PF são mais comuns? Eu já “rodei” várias capitais e cidades pelo país, muitas aqui do Estado de São Paulo. Nossa região, aqui compreendidas as 29 cidades pertencentes à área desta Delegacia (Limeira, Americana, Rio Claro, Araras, Leme, Nossa Odessa etc), é muito rica e desenvolvida, o que impacta diretamente os crimes com maior incidência.

Há ações no campo tributário, por exemplo? Posso afirmar que a maioria dos inquéritos está no campo tributário, ou seja, da sonegação fiscal de tributos federais, aí compreendidos os previdenciários. A PF de Piracicaba, porém, tem uma característica que a distingue da maioria das unidades do estado, qual seja, o volume de trabalho nas atividades de Polícia Administrativa, aí compreendidos os setores de emissão de passaportes, registro de estrangeiros, controle de produtos químicos, controle de empresas de segurança privada, entre outras. O alto IDH da região, a grande densidade demográfica, a proximidade com a capital e região de Campinas, são fatores que se somam na colocação de Piracicaba como uma unidade de grande importância em todas essas áreas.

A Polícia Federal tem feito ações com apoio de outras forças de segurança? Isso é e sempre foi uma constante. Sem nossas coirmãs das Polícias Civil, Militar, Rodoviária, Ambiental e Guarda Municipal e não teríamos como desenvolver com tanto sucessos nossa atividade-fim. Mas não são só elas. Há interação quase que diária com a Justiça, Ministério Público Federal e estadual, além das unidades da Receita Federal, da Delegacia do Trabalho, do INSS e da Caixa Econômica Federal.

Nesta pandemia da covid-19, quais foram os cuidados adotados? Que tipos de atividades foram suspensas nesse período? Nossa Delegacia seguiu todos os protocolos adotados pelo Governo Federal. Houve um pequeno período de interrupção total das atividades de Polícia Administrativa, mas logo em seguida passamos a realizar os atendimentos de urgência. Fomos retomando os atendimentos conforme os protocolos foram implementados. Atualmente posso dizer que estão 100% normalizadas. As atividades de polícia judiciária, por sua vez, combate a crimes de competência federal, nunca pararam.

Como será a atuação da PF nestas eleições? Como o drone será utilizado? Todo o efetivo de nossa Delegacia está acionado e em sobreaviso permanente neste período. O drone é mais uma “ferramenta” de que dispõe a Polícia Federal. Havendo alguma demanda específica ou acionamento/requisição da Justiça Eleitoral ou Ministério Público Eleitoral, seja o drone, seja qualquer outro recurso, será empenhado.

Quais tipos mais comuns de infrações neste período eleitoral? Quais as punições? Estamos monitorando as infrações previstas na legislação eleitoral, que contempla diversos crimes como a “boca de urna”, a panfletagem (santinhos) no dia da votação, o transporte indevido de eleitores, a entrega indevida de bens, como por exemplo cestas-básicas, entre outros delitos.

Qual o conselho para as pessoas e, principalmente, aos pais para evitar golpes ou se tornar vítimas de pedofilia, visto que muitos predadores usam a internet para aliciar crianças, por exemplo? O segredo é sempre desconfiar. Na dúvida, não baixem aplicativos que desconhecem; na dúvida, não instalem programas de uma fonte não segura; na dúvida, não compartilhem material suspeito. A internet tem sido utilizada como campo fértil para todo tipo de crime, por isso devemos sempre nos antecipar.

Qual seu conselho aos jovens que se interessam pela carreira na Polícia Federal? Estudar. É um concurso dos mais difíceis atualmente. Dentro da carreira temos diversos cargos, cada um com suas características e desafios. No caso do meio cargo de Delegado, o interessado precisa ser bacharel em direito.

Fora da instituição, o que gosta de fazer em seus períodos de descanso? Até por conta da pandemia, estou muito “houser”, cozinhando, assistindo a filmes, seriados e ajudando no dia a dia da casa.

Cristiani Azanha

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