Kiaka: ‘Se não fosse o esporte, talvez eu não estaria mais aqui!’

Aos 46 anos, o atleta Paulo “Kiaka” Santos se considera um vencedor. Dentro e fora dos tatames. Obeso até os 39 anos, ele descobriu o jiu-jitsu após sofrer um infarto por conta de sua condição física totalmente desregrada. Após o susto, ele ouviu o conselho dado por seus médicos – de que tinha de praticar alguma atividade física – e partiu para o ciclismo. Porém, foi no Jiu-Jitsu onde encontrou o seu verdadeiro dom. Seu Porto Seguro! Oito anos e meio depois, com o título de vice-campeão do Campeonato Pan-Americano no currículo e 15º do Mundo no ranking de sua categoria, ele segue treinando e também já atua como mestre, ensinando às novas gerações esse esporte que tem o DNA do lutador brasileiro, por meio da Família Gracie, a grande responsável por difundir essa arte marcial no planeta.

Kiaka, que também atua como professor de Filosofia na Rede Estadual de Ensino, recebeu a reportagem do Jornal de Piracicaba nesta semana, na Academia Alliance Piracicaba Centro, do faixa preta e multicampeão, mestre Flávio Junqueira. Lá, ele contou sua história de superação e amor ao esporte e à vida. Após sagrar-se vice-campeão Pan-Americano de Jiu-Jitsu, no início do mês, em Orlando, nos Estados Unidos, agora ele se prepara para o Campeonato Mundial, que será realizado em setembro, em Las Vegas, também nos EUA. Até lá, segue com suas competições em nível nacional e com seus projetos sociais, onde procura descobrir novos talentos para o esporte piracicabano e nacional. Leia a entrevista abaixo:

Como você descobriu o jiu-jitsu?

Eu era obeso quando iniciei na Secretaria do Estado como professor, em 2011. Eu tenho 1m69 e tinha 112 quilos. Não conseguia amarrar sapato, cortar a unha o pé, essas coisas. E bebia muito. Por conta disso, eu tive um infarto. Dentro do processo de emagrecimento, comecei com a bicicleta porque eu não conseguia andar, porque doía todas as articulações quando caminhava. E dentro do ciclismo, eu conheci uma pessoa do jiu-jitsu. O cara me trouxe para o jiu-jitsu e estou há oito anos e meio, treinando ininterruptamente. Tenho 125 competições e 122 medalhas. Só em quatro eu não ganhei medalhas.

Nossa! E com o infarto, você precisou operar, ficou internado? Como foi?

Não operei. Fiquei 46 horas no hospital internado. Me liberaram, pediram para eu fazer mais uma bateria de exames. E o médico pediu para eu fazer alguma atividade física. Me movimentar. Pediu que eu procurasse ajuda nutricionista, essas coisas… Mas o que mexeu muito comigo, porém, foi quando o médico disse pra mim: ‘Você tem mulher e uma filha. Outro homem vai cuidar delas, se você não se cuidar’. Aí eu falei: ‘Puxa vida, ou desperto ou vou morrer mesmo’.

O esporte mudou realmente a sua vida!

Hoje, o que me motiva é treino. E eu percebo que minha cabeça está melhor, o meu relacionamento está melhor. E não estou só falando do meu relacionamento familiar, estou falando como um todo. Como professor, o meu relacionamento com os alunos melhorou. Hoje, eu consigo respeitá-los. Antes era tudo no ‘sopetão’. Não tinha nem paciência comigo, ia ter paciência com quem? E o esporte ensina a ter disciplina.

Você tem consciência de que é um exemplo para as pessoas, não?

Muito mais que ser um exemplo, eu tenho de mostrar. Então eu estou mostrando para a galerinha, para as pessoas da minha idade e até para as pessoas um pouco mais velhas que não tem idade para começar no esporte… A idade é só um número. Vale mais a escolha que você faz. Se você escolhe saúde, tem de se movimentar e abrir mão de algumas coisas. Por exemplo, eu não posso beber, porque a cerveja atrapalha meu rendimento. Então, eu não bebo.

Depois que descobriu o esporte, não parou mais?

Como eu falei, do grupo de ciclismo, eu conheci um rapaz do Jiu-Jitsu. Que inclusive foi o meu primeiro professor. Aquele que me levou para o Jiu-Jitsu pela primeira vez. Ele me disse: ‘Vamos para o Jiu-Jitsu. Eu disse: ‘Jiu-Jitsu? Ficar agarrando homem, que negócio sem graça’ (risos). É o preconceito. Mas eu fui. No primeiro treino, ele me colocou para treinar com um menino, que fez o que quis comigo no jiu-jitsu. Ele tinha toda técnica. Aí eu disse: ‘meu Deus, eu preciso aprender isso’. De lá para cá, não parei mais.

Qual é a sua faixa. A meta é a preta?

Eu sou faixa marrom agora; estou com dois graus na faixa marrom e o meu objetivo é chegar à faixa preta ainda neste ano. Estou com tempo para isso e os meus resultados nas competições que virão vão dizer se estou aptou ou não para pegar a (faixa) preta. Pelos resultados que estou obtendo, é bem provável que eu consiga. Eu sou faixa marrom agora; estou com dois graus na faixa marrom e o meu objetivo é chegar à faixa preta ainda neste ano. Estou com tempo para isso e os meus resultados nas competições que virão vão dizer se estou aptou ou não para pegar a (faixa) preta. Pelos resultados que estou obtendo, é bem provável que eu consiga.

Erivan Monteiro
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