Lar Betel traça estratégia para receber de volta idosos negativados pela covid-19

Ação adotada pelo Lar Betel para frear a covid-19 é exemplo e ser seguido, diz Bonilha (Foto: Claudinho Coradini/JP)
Ação adotada pelo Lar Betel para frear a covid-19 é exemplo e ser seguido, diz Bonilha (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Para conter a proliferação do novo coronavírus entre os moradores do Lar Betel, a instituição transferiu para um hotel aqueles que testaram negativo para covid-19. Passados os 14 dias de quarentena, o Lar traça uma estratégia segura para levar de volta esses idosos à entidade a partir de 20 de maio.

Para isso, na tarde da última sexta-feira (15), o diretor do DRS-10 (Departamento Regional de Saúde de Piracicaba) e infectologista Hamilton Bonilha e a equipe de enfermeiras do Serviço de Controle de Infecções da Santa Casa de Piracicaba fizeram uma visita técnica na instituição para orientar o Lar nas tomadas de decisão.

Segundo Bonilha, a partir de sexta-feira (15) os idosos do Lar que foram infectados não transmitem mais a doença. “Hoje [15 de maio] eles estão com 15 dias do exame da pesquisa do vírus positivo, estão há praticamente 20 dias do início dos sintomas. E os idosos [que estão no hotel] vão voltar no dia 20”, explica o infectologista.

Foram retirados do Lar Betel 28 idosos. “A ideia é trazê-los à rotina normal deles. Mas nós não podemos fazer isso sem o mínimo de certeza, de segurança, alguma convicção de que isso é realmente a melhor decisão”, explica o diretor da instituição, Luiz Adalberto dos Santos.

Para Santos, levar os idosos ao hotel foi uma estratégia certeira, “um divisor de águas”, pois estabilizou os casos na instituição. Nove moradores do Lar estão entre as vítimas fatais da covid-19 em Piracicaba, sendo que nos últimos 15 dias ocorreu um óbito, conforme enfatiza o diretor.

Além dos que foram a óbito, Santos informou que 44 idosos foram diagnosticados com a doença e apenas um deles estava internado até a última sexta-feira.

Bonilha informou que o cuidado primordial deve ser com os idosos e funcionários que não foram diagnosticados com a covid-19 até o momento. A orientação é que esses passem por testes rápidos periodicamente. “O ideal é eles terem um número X de testes lá para realmente identificar aqueles que já podem ter imunidade”, comenta Bonilha.

Após retornarem ao Lar, os idosos que testaram negativo para o vírus serão atendidos pelos cuidadores que já têm anticorpos contra a covid-19, pois não são mais possíveis vetores do vírus. Enquanto isso, os idosos que já desenvolveram a doença serão atendidos pelos funcionários que não têm anticorpos. Assim nenhum idoso será colocado em risco de contaminação.

A obrigatoriedade das máscaras por parte dos colaboradores dentro e fora da instituição também foi reforçada por Bonilha. Além disso, o fluxo de pessoas no refeitório da instituição está sendo controlado, visando separar aqueles que já foram infectados dos que não têm anticorpos.

Bonilha avalia que as ações adotadas pelo Lar Betel para combater o novo coronavírus é um exemplo de sucesso que deve ser compartilhado com outras casas que cuidam de idosos. O médico expressou preocupação com os casos positivos e óbitos no Bem Viver. Ele evidencia a importância do diagnóstico e tratamento precoces, além da prevenção, para salvar vidas.

Andressa Mota