Laurence Moisés Camargo Egert: Meta é levar o XV novamente à elite do Estadual

Laurence Moisés Camargo Egert, filho de Clara Lizete Ribeiro Camargo e Domingos Moisés de Vargas Egert, marido da Márcia Casini Egert e pai da Isabela Casini e Junior Casini é o atual técnico do XV de Piracicaba e o persona desta semana. O Nhô Quim tentará retornar para a primeira divisão do estadual após três anos direto batendo na trave e a aposta para retornar a elite vem, justamente, com o último treinador que conseguiu esse feito em 2011.

Após nove anos, XV e Moisés se separaram, e cada um seguiu o seu caminho, com ambos acumulando, alegrias, tristezas e títulos no futebol. Agora ambos se reencontram com o objetivo de repetir a glória alcançada no início da década passada, para colocar o XV em seu respectivo lugar: Na primeira divisão paulistas e disputando torneios nacionais.

Quais os clubes que você já dirigiu na carreira e seus principais títulos e conquistas?

Comecei no XV de Piracicaba como auxiliar e fui efetivado, no qual fiquei três anos no clube. Depois fui para o Noroeste, União Barbarense, no qual disputei a Série A1, Ferroviária, São José, Velo Clube, Crac-GO, Monte Azul, Linense, Mirassol, Marcílio Dias-SC e estou de volta ao XV, em uma trajetória de 10 anos como treinador no momento.

Entre as principais conquistas, estão acesso para a primeira divisão do Paulista, a permanência (não rebaixamento) em equipes que estavam fadados a serem rebaixados a Série A2. Fiz uma grande campanha com o Marcílio Dias, chegando nas quartas de final do Campeonato Catarinense. Com o Novo Horizontino levei a equipe para a Série D em 2019. Em relação aos títulos, são dois da Copa Paulista, com o Noroeste em 2012 e com o Linense em 2015, respectivamente, com o Mirassol conseguiu o acesso em 2016 e permaneci três anos na primeira divisão, quando disputamos o torneio do interior e perdemos para a Ponte Preta, e aqui no XV, que foi onde iniciei, com os acessos da A3 para a A2, e da A2 para a A1 como campeão em 2011.

Você começou a sua carreira no próprio XV de Piracicaba, no qual pegou uma equipe que estava desacreditada, com problemas na Série A3 e levou para a primeira divisão. Como foram esses anos e a importância deste período para a sua carreira?

Joguei no XV e desde então resido em Piracicaba porque me casei aqui. Logo após minha aposentadoria como atleta, no qual trabalhei e joguei durante 15 anos, tive o convite de participar da comissão técnica do XV como auxiliar e tudo foi muito rápido. A chance foi dada em 2009, na Copa Paulista, em que o treinador acabou saindo e foi me dada essa oportunidade e ali as coisas aconteceram, deu resultado e conseguimos uma classificação que estava muito difícil. Depois daquilo fiquei com o nome bastante valorizado e fortalecido para dar continuidade na Serie A3.

Conversando com a diretoria, vimos que não era o momento e logo depois um novo treinador foi contratado no começo de 2010. Mas as coisas não aconteceram e foi me dado uma nova chance, lembro que na quarta rodada de 2010 a equipe estava na lanterna da Série A3. Aquele início não foi simples, mas crescemos dentro da competição e de uma maneira importante, já que naquela altura, nós da comissão técnica fizemos tudo que deveria ser feito para recuperar a confiança e fazer as contratações pontuais.

Foram anos difíceis também na parte financeira, mas as coisas aconteceram e tivemos uma arrancada muita forte. Sempre alo que fui apenas uma peça naquele momento, e os atletas vestiram a camisa, abraçaram a causa. Era um auxiliar e vi uma oportunidade bem na minha frente e tinha um grupo de atletas que queriam algo e queriam se ajudar. A arrancada aconteceu, conseguimos a classificação com uma rodada de antecedência, conseguimos uma ideia de jogo, filosofia de trabalho, tínhamos uma causa, sabíamos da importância que tínhamos naquele momento. Pegamos uma equipe desacreditada, mas onde o XV é e sempre será uma equipe que independentemente onde estiver, sempre será exigido conquistar títulos e acessos.

Foi uma passagem importante sim, já que o tempo e o início da Série A3 foi muito importante para alicerçasse minha carreira, já que conquistar títulos e acessos no XV te projeta para o mercado do futebol. Como sempre falo, a melhor aula é o vestiário, o dia a dia, as decisões certas, erradas, e o futebol. É com os campeonatos que o profissional vai aprendendo e ganhando experiência.

Foi muito importante já que conseguimos premiar com o acesso toda aquela campanha, em que ficou marcada a batalha do Palma Travassos, com o acesso sobre um adversário muito forte, que possui uma rivalidade muito grande e creio que ali foi um marco na minha história e um momento que ficará marcado na sempre na vida e na história do XV de Piracicaba e na minha.

Qual foi o seu melhor momento no comando do XV?

Foram grandes momentos aqui. Acho que como falei anteriormente, a Série A3 de 2010, que foi o início, a chance, a oportunidade, vendo o sonho de ser treinador realizado e premiando e culminante em um acesso sobre um rival e a chance de estar na Série A2 novamente. A Batalha do Palma Travassos foi o grande momento, mas a sequência disso, com aquele grande time de 2011, com todos vivendo o ápice de suas carreiras, tínhamos uma sinergia muito forte nesse time, no qual jogávamos por si só, fazendo grandes jogos, obtendo resultados, performances, e jogava bem, bonito e se conhecia. A Série A2 de 2011 com o título também foi marcante.

E o momento que não esqueço, no qual levo até hoje, é a nossa primeira partida da Série A1 contra o Santos, que era o campeão da A2 contra o campeão da A1 da temporada passada. Era eu de um lado e Muricy Ramalho do outro e pisar no Barão foi um momento muito marcante, já que ali nós realizávamos aquilo que sempre projetamos. Um fato marcante que minha esposa sempre fala, que logo que parei de jogar, estava na cozinha e ela me disse “imagina um dia você se orna o técnico e leva esse time para a A1”, e foi isso que aconteceu, então foi pensado, sonhado, falado e esse primeiro jogo contra o Santos em 2012 também foi um fator marcante pessoal para mim diante de um sonho e discurso no qual foi concretizado.

E qual foi o seu pior momento?

O futebol é eito de bons e maus momentos, se pudesse escolher seria campeão de tudo, subir todas as divisões dentro da circunstância da equipe que estaria, mas o futebol não é assim. As coisas acontecer ou não, todas as equipes querem ganhar e ser campeãs, existe planejamento por parte de todo mundo. No XV estamos fazendo certo em relação a planejamento, estratégia, montagem de elenco, mas chega na hora do jogo e você pode fazer uma grande partida e mesmo assim as coisas têm que acontecer, tem que ser aquele dia de sorte.

Na minha carreira tive muitas vitórias, títulos e acessos, mas também tive derrotas e decepções, frustrações e objetivos não alcançados, o que me fez chegar como um profissional mais preparado, vivendo coisas que já presenciei, que é chamada de experiência. Isso que me fará diminuir a margem de erros me fazendo tomar as decisões certas, par alcançar os objetivos na minha carreira, principalmente agora com o XV de Piracicaba.

O pior momento com o XV, colocarei uma coisa que após esse fato me machucou muito, que foi a minha saída em 2012 durante a Série A1. Acho que poderíamos ter continuado, acredito que sob o meu comando a equipe não teria caído, chegariam alguns reforços pontuais. A folha salarial era baixa, era um momento difícil, estávamos conhecendo novamente a divisão. Era uma experiência nova, era (e ainda sou) um treinador em formação, mas aquele momento foi sim mais difícil, com um trabalho de três anos e mais de 100 jogos, onde existia uma relação muito forte em Piracicaba, morando aqui durante 18 anos, tendo família aqui e aquele acesso era um trabalho meu, era o treinador e acabou que as coisas não aconteceram e acabei saindo. Mas fez parte do processo de evolução e agora estamos aqui novamente, prontos e preparados para colocar esse time na primeira divisão. Como venho dizendo, o meu desejo e a minha vontade é que seja a médio e longo prazo, já que quero disputar a primeira divisão com o XV novamente e colocá-lo no mais alto patamar no cenário estadual e, principalmente no nacional.

Fora de São Paulo, você teve uma breve passagem no Crac-GO de Catalão. Como foi essa passagem no futebol goiano?

Em 2014 estava no Velo e fizemos um ótimo trabalho. Nisso a diretoria e os gestores do Crac estavam acompanhando os jogos e atletas de São Paulo para montagem de elenco da Série C. Eles gostaram do que viram, entraram em contato comigo e nos acertamos. Peguei o time do Crac na sequência do trabalho, mas já sabia das dificuldades, com a diretoria sendo bem clara. Era uma oportunidade de estar na Série C com um time goiano, que tem muita tradição no futebol brasileiro e era a terceira divisão, com equipes muito fortes.

Acabei indo e foram oito jogos, no qual as dificuldades que já previa acabaram se confirmando. Dificuldade financeira, de pagamento, de estrutura e fiz esses oito jogos e, em razão dos resultados ambas as partes entraram em consenso para fazer a rescisão.

Mas foi uma experiência boa, já eu todo o clube tem sua experiência, com as coisas dando certo ou não. Como técnico quero cada vez mais buscar esse cenário brasileiro, e a chance foi me dada já que era uma oportunidade que confiei no trabalho, mas diante das dificuldades financeiras, onde os salários atrasados acabaram atrapalhando na gestão, no dia a dia e nos jogos. A equipe era boa, bem treinada, mas a parte financeira, com os resultados não vindo acabaram pesando. Tiro a lição de saber tomar as decisões corretas dentro de um planejamento de carreira entendo a importância de estar em uma equipe estruturada e com os salários em dia, mas você conhece um mercado diferente, com atletas diferentes, relacionamentos diferentes e isso na construção de um profissional como treinador é valido e importante.

O Mirassol, equipe que subiu sob o seu comando em 2016 e desde então tem se mantido na primeira divisão paulista, conseguiu o acesso para a Série C do Campeonato Brasileiro. A estrutura do Mirassol já foi elogiada por técnicos quinzistas anteriores. Na sua opinião, como ela (estrutura) é importante para uma equipe e você consegue ver o XV no nível do Mirassol nos próximos anos?

No Mirassol fiquei três anos e meio e trago na bagagem as experiências que tive por lá, em vários aspectos e situações. Tive uma passagem lá, dei a minha contribuição e fico muito feliz que o Mirassol subiu agora para a Série C, a cada ano que passa ele atinge outro patamar e sei quais são as razões para isso. Em 2016 tivemos um acesso, com um time organizado, mas que era uma equipe de A2. Tínhamos dificuldades na estrutura, não tinha campo de treinamento, tendo que ir para campos locais, municipais e regionais e de equipes amadoras, sendo que usávamos nosso campo quando possível.

Mas sempre foi uma equipe com um planejamento financeiro e com uma estrutura física dentro de sua limitação. Tudo mudou após a venda de um atleta (o atacante Luiz Araújo) e tudo mudou, com o dinheiro sendo investido na estrutura física. As vezes tenho conversando nos clubes onde passo que o time que chegar no mais alto patamar para se estruturar, quando o que deve ocorrer é o contrário. Você tem que estruturar primeiro e depois os resultados virão, com a equipe atingindo o mais alto patamar naturalmente.

Acho que o XV é um gigante adormecido, em uma cidade enorme, uma torcida apaixonada, uma região maravilhosa, perto de São Paulo e Campinas, perto de um aeroporto. Creio que o XV se estruturando os resultados venham e, consequentemente, se fará uma equipe muito forte no setor financeiro pelo aquilo que é o XV e principalmente pela região. Creio que esse é o objetivo, já que temos conversado com a diretoria, mas não á fácil e nem tão simples, mas também não é impossível. Temos que fazer um passo de cada vez, não adianta querer fazer tudo e não sair do lugar. É devagar e sempre, a passos firmes, projetando, planejando e fazendo as coisas acontecerem, principalmente em relação a sua estrutura e Arnaldo, Rodolfo, Ricardo, essa nova gestão que já recuperou muita coisa nesses últimos anos, em que as coisas não aconteceram, mas a parte como respeito e credibilidade no mercado, o XV possui. Acho que o objetivo agora é, com tudo isso, com a estrutura, é focar nesta base, melhorar esse nível de atletas da base, melhorar os que já estão aqui com sua estrutura física. Juntando tudo isso, tenho certeza de que o grande objetivo nosso do XV é colocar esse time na primeira divisão.

O futebol brasileiro é conhecido pela pouca paciência em relação aos técnicos, com eles sempre caindo quando o time está em um momento ruim. Como você avalia essa questão e acha que isso atrapalha/pode atrapalhar os profissionais que desejam se tornar treinadores?

Isso, como você disse, infelizmente, se tornou algo cultural em nosso país. Minha opinião, acredito que seja a mesma da imensa maioria dos treinadores, de que é preciso tempo para se avaliar um trabalho, com início, meio e fim. Além disso, uma análise das circunstâncias também é algo imprescindível, porque os resultados, ou a falta deles, veem por conta de um conjunto de fatores. Por isso sempre digo que fui mais uma peça na engrenagem que funcionou na minha primeira passagem no XV. Essa questão não só pode atrapalhar quem deseja se tornar treinador como atrapalha quem já está nessa função, tendo que lidar sempre com o imediatismo, o que gera uma dificuldade de programação a médio e longo prazos.

O que você acha da maior contratação de técnicos estrangeiros? Você é a favor deste intercâmbio?

A troca de experiências, conhecimentos, vivências é sempre muito positivo, independente da função. Então, acredito, que é algo válido sim, até porque, como disse anteriormente, tenho como a minha principal referência no futebol o trabalho do espanhol Pep Guardiola. No entanto, as contratações devem ser pela capacidade profissional, por aquilo que se pode, justamente, acrescentar, contribuir. Independente de nacionalidade, seja aqui ou em qualquer outro lugar, o fundamental é a capacidade do profissional, e temos treinadores capacitados, que podem desenvolver grandes trabalhos em nosso país e somar muito também em um processo contrário, do Brasil para fora.

Mauro Adamoli

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