LGPD: É hora de todos falarem a mesma língua

Black man scanning his finger

O “Efeito LGPD” (Lei Geral de Proteção de Dados) tem deixado pessoas e empresas ‘perdidas’ e causado visões diferentes sobre sua vigência quase que iminente no País.

Quando se trata de empresas, existe certo temor do empresário que, de repente, se viu diante de um “monstro” que ainda mal sabe o nome. Independente da nomenclatura atual, tal monstro existe há décadas e vem com vários sobrenomes: governança, processos e segurança da informação, por exemplo.




De acordo com Ricardo Becker, empresário da área de tecnologia, a LGPD tem feito com que instituições dos mais diversos segmentos, assumam a situação e projetam a conformidade com a Lei como oportunidade de melhorar a governança, reduzir riscos e também como parte de sua proposta comercial, o que é muito positivo, pois apoia o amadurecimento do mercado. Entretanto, ainda paira uma grande dúvida sobre métodos e o momento correto de se iniciar o movimento definitivo para se estar em conformidade com a LGPD. “Questões como por onde começar?, quanto de esforço e investimento inicial?, como engajar a empresa?, por exemplo, ainda são latentes”, ressalta Becker.

A dica do especialista é que, para os que ainda não se mobilizaram, começar a discutir o tema Privacidade & LGPD com conselho e diretoria e, logo em seguida, com os gestores diretos das áreas. “O objetivo é um primeiro entendimento de como dados pessoais são armazenados, acessados e utilizados. É sabido, segundo ditado popular, que ‘santo de casa não faz milagre’. Mas é possível dizer ‘qual milagre o negócio precisa’, diz.

Tecnologia e direito são áreas com maior perfil de atuação

PROFISSIONAIS
Especialistas de várias áreas, entre elas direito, tecnologia e administração precisam se engajar em temas de privacidade e segurança da informação para estarem em uma vibração convergente quanto à LGPD.

A carreira de DPO (Data Protection Officer) tem atraido a atenção de uma gama de profissionais que, até então, nunca pensaram em trabalhar com gestão de risco, segurança da informação e privacidade.

“Estamos vendo um aumento de maturidade e mudança de cultura ou direcionamento por oportunidade? Será que alguém que nunca atuou com tecnologia e segurança da informação, após treinamentos focados em privacidade, estará realmente capacitado para suportar as demandas de uma empresa considerando todos os seus processos? Principalmente aqueles das áreas que vão requisitar direções e respostas?”, questiona Becker.

Pelo fato de as áreas abrangidas pela LGPD (direito, tecnologia e processos), não serem naturalmente convergentes, passa a fazer sentido dois perfis de carreira DPO: o DPO jurídico e o DPO tecnológico.

No momento, é preciso estabelecer as diretrizes finais quanto à data de implementação da LGPD. Se entrará em vigor em agosto desse ano, ou em 2022 como proposto no final do ano passado.

Seja neste ano ou no próximo, há uma necessidade urgente de que profissionais e empresas saibam exatamente até quando poderão entrar em conformidade.

“Para que todos estejam prontos para a conformidade, não há outra saída a não ser estabelecer os limites e, assim, cobrá-los de forma assertiva caso não sejam cumpridos. Fazer com que todos falem a mesma língua e joguem de forma unificada depende apenas do direcionamento correto de quem está no comando”, reforça Ricardo Becker.

Fernanda Moraes