Líderes religiosos assinam carta incentivando que a população fique em casa

“O gesto de isolamento social, como medida para se bloquear o ciclo de contágios do Covid-19, deve ser compreendido como uma postura de profundo amor e solidariedade”. É assim que líderes religiosos de Piracicaba iniciam a carta aberta que incentiva a população a respeitar a quarentena. A mensagem começou a ser divulgada aos membros das igrejas e templos ontem, por meio das redes sociais e WhatsApp.
De acordo com Ronaldo Almeida, líder da Comunidade Umbanda Sr. Zé Moreno das Almas, a ideia da carta aberta surgiu em lives, que realizou no seu perfil do Facebook, para discutir “religiões em tempo de pandemia”. Ao refletirem sobre as carreatas realizadas no último domingo (18) pedindo a reabertura do comércio, os participantes avaliaram a necessidade de se posicionarem. “As pessoas que estavam lá discursando falaram dos parlamentares da cidade e falaram também dos pastores e padres que estão com as igrejas fechadas, daí surgiu a ideia da carta do fique em casa”, lembra Almeida.
Além de Almeida, assinam a mensagem o padre Tito Luís Kehl, da OOH (Ordem dos Hospitaleiros Ortodoxos Prelazia Sanjoanita de Piracicaba); babá Eduardo Gomes de Osumarê, que é igbà omi asè afojidan e da Comunidade Lua Branca de Piracicaba; Wilson Garcia, sociólogo e palestrante espírita em Piracicaba e região; Adelino Francisco de Oliveira, professor e teólogo de tradição católica; pastor Carlos Rocha, da Igreja Batista Raízes; e Nonata Corrêa, yalorixa nagô e coordenadora da Aratrama (Articulação Amazônica dos Povos Tradicionais de Matriz Africana), que também participou de uma das lives para compartilhar como está a situação da cidade de Manaus, onde pessoas que morreram em decorrência da Covid-19 estão sendo enterradas em valas comuns. Outras lideranças religiosas poderão ainda vir a assinar a mensagem se concordarem com o propósito.
“Em uma concepção ética a partir das religiões, a vida é dom sagrado, que deve sempre vir em primeiro plano. […] Mesmo com fartas e tristes evidências, há quem ainda insista em salvar a economia. [..] Para alguns, pode-se perder a vida, mas não é aceitável fracassar nos negócios. No entanto, salvação é um termo teológico. Salvam-se vidas, existências humanas, pessoas. A economia sempre poderá ser reconstruída”, diz trecho da carta.
Para o padre Tito Khiel, neste momento “valores humanos”, como “a compaixão, a fraternidade, a solidariedade” estão “sob ataque feroz”. “É preciso que as diversas igrejas e denominações espirituais se manifestem, não apenas dando acolhimento e sustentação física e espiritual aos seus fiéis e seguidores, como alertando a população em geral para o perigo que representam, de um lado a pandemia, e, de outro, a disseminação dessas mensagens de desamor ao próximo e de desrespeito pela vida humana”, avalia o padre. “A ciência é a arma que dispomos para enfrentar o vírus, mas, para enfrentar esse outro inimigo, só podemos contar com o amor”, finaliza.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

quatro × 3 =